4 Conversa entre amigas

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Um barulho insistente tocava ao fundo e eu tampei minha cabeça, ah, não! Já amanheceu? Dormi apenas quatro horas, porque tinha que estudar para a prova

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Um barulho insistente tocava ao fundo e eu tampei minha cabeça, ah, não! Já amanheceu? Dormi apenas quatro horas, porque tinha que estudar para a prova. Nenhuma surpresa que eu tenha dificuldade em cálculos, eu nunca gostei, mas Ravenn disse que me ajudaria no que pudesse, não a procurei ontem porque já era tarde quando cheguei. Mas vou hoje, por isso o celular agora toca insistente na minha cabeça, uma hora mais cedo. Peguei o aparelho e desliguei.

Me arrumei e fui para a cozinha comer alguma coisa. Meus pais estavam sentados a mesa discutindo e nem me notaram.

— Precisava demiti-la?

— Sim, Poliana, precisava, eu não queria, mas imagine o escândalo, era ela ou a empresa, já conversamos sobre isso!

— Pobre menina, ela batalhou tanto para chegar onde chegou!

— Quem? — perguntei não aguentando mais de curiosidade.

—Demiti a Ravenn! — disse meu pai franzindo a testa me levantei derrubando a cadeira.

— Porquê? Pai você sabe que ela precisa desse trabalho, como pode fazer isso? — Minha voz sai alterada.

— Levante a cadeira e não me questione, Beatriz, eu sei o que estou fazendo e não vou desampara-la, vou indica-la para uma ótima empresa.

— Ela tinha mais chances de crescer aqui, pai!

— Sinto muito, querida, sei que são amigas, mas essa é a minha decisão final! — Bufei com raiva e não levantei merda de cadeira nenhuma, sai da cozinha, peguei minha bolsa e as chaves do carro e dirigi puta da vida para a casa da minha amiga, ela deve estar mal.

Cheguei lá e bati, já nem queria mais saber de merda de prova nenhuma, que se dane a administração e meu pai. Ravenn abriu a porta e eu a ataquei com um abraço mesmo sabendo que ela podia me dar uns cascudos.

— Me conta, o que aconteceu?

— Oi Bia! — Seus olhos estavam vermelhos, indício de que tinha chorado muito — Entra! — Ela me deu passagem

— Ele não devia ter feito isso! Ele não me contou o por quê! — Entrei e nos sentamos na cama.

— Eu, meio que... Ataquei o Johan com o notebook! —Ela riu amarelo — Agora fiquei sem emprego e sem o meu aparelho! — Abri a boca chocada, mesmo sabendo do temperamento dela, não teria feito isso a toa.

— O que ele fez?

— Me agarrou pela cintura e me fez sentar no colo dele, depois de ter dado um tapa na minha bunda e o pior... Aquele filho da puta de uma figa estava de pau duro. O que eu devia fazer?

— Quebrar o outro também na cabeça dele! — Mas que absurdo. — E porque você está sendo demitida? Quem em sã consciência demite a vítima? Meu pai perdeu a razão? Ele não acreditou em você?

— Eu acho que ele acreditou, Bia! Mas, não quer uma mancha pra empresa.  Eu vou receber todos os meus direitos, mais uma indenização, mas ele não me quer mais no grupo!
— Me joguei deitando na cama, esfreguei o rosto.

— Não é justo, você não merece isso! Ele vai se arrepender, você vai ver! — Voltei a sentar e a abracei de lado. — O que posso fazer por você? Quer colo? Sou toda sua hoje! — Que se dane a prova, minha amiga precisa de mim e eu vou ficar aqui, além de irritar um pouco meu pai.

— Você tem prova, Bia! — Ela me deu bronca — Não quero seu pai se queixando que o seu boletim está negativo por minha causa. Depois você pode voltar pra cá, ou a gente pega um cinema mais tarde!

Suspirei chateada

— Eu vou tirar nota negativa de qualquer jeito, sabe que eu não consigo entender aquelas coisas. Eu sou artista, quero dizer era! Ah que seja, eu quero irritar meu pai, só não quero que caia na sua conta. Só por isso eu vou, mas volto mais tarde, prometo! — Agarrei-lhe o pescoço em um abraço.

— Eu vou ficar bem! Relaxa! Quer irritar seu pai, leva o Jeff pra casa de novo! — Ela riu — Eu nunca vi ele odiar tanto um namorado seu. Ainda estão juntos?

— Não, cansei dele! — Rolei os olhos — Acho que cansei desses caras da academia e da minha idade, são idiotas preocupados com o corpo e com o próprio ego, quem sabe agora uns mais velhos, com mais experiência, com cara de safado, tem uns na faculdade que da calor só de olhar, mas não tenho coragem de chegar neles, como você faz? — Mexi as sobrancelhas rindo.

— Eu não faço! — Ela riu — Esqueceu que eu não transo há mais de um ano. Os homens fogem de mim! Eles não gostam de mulheres de personalidade forte!

— Não gostam mesmo, mas aposto que um dia ainda vai aparecer um que vai te domar! — Ri alto — Ou não!

— Não nessa vida, baby!

— Não cuspa pro alto, amiga! — disse olhando no relógio e suspirei — tenho que ir, já que não me incentiva a faltar, também não deve me incentivar a me atrasar. Às vezes você é uma pessima amiga! — Brinquei arrancando um sorriso torto dela.

— Vai logo sua mala. Eu vou passar o dia no sofá com The Walking Dead e um balde de pipoca.

— Você não quer que eu vá, não é? Como faz uma coisa dessas comigo? Eu quero ver The walking dead. — Fiz bico.

— Vai logo, Beatriz! Você nem assiste de verdade, odeia quando alguém é comido.

— Você não entendeu o espírito da coisa! — Rolei os olhos — chata, aposto que vai sentir minha falta. — peguei minha bolsa e fiz uma coisa que ela odeia a abracei e enchi de beijos molhados no rosto. É claro que corri e um sapato passou de raspão  na minha bunda. — Errou — Falei abrindo a porta e fechei antes que outro acertasse minha fuça, com a Ravenn é assim, ela é explosiva e não leva desaforo para casa. Entrei no carro rindo e segui para a faculdade.

 Entrei no carro rindo e segui para a faculdade

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COMO AGARRAR UM CAFAJESTE (COMPLETO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora