CLXXXVII

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Risque-me dentro de você.
Expulse os pensamentos sobre mim,
Faça seu corpo não me desejar,
Apague tudo dentro do seu coração.
Se afunde nessa dor
E veja amor,
Que não estou dentro de ti.

Trabalhe em vão todas as horas dadas a sua consciência.
Tentando esquecer nosso nós inexistente,
Falhe tantas vezes, todas as vezes.
Percorra esse caminho doloroso.
Já estive caminhando nele dias atrás...
E foi em vão.

Nada mais é sobre mim,
Sobre meu passado cinzento
Sobre todas as minhas tentativas falhas de ser feliz ao menos um pouco.
Nada mais me obedece nesse corpo,
Ele chama seu nome
Enquanto me desmancha em água, nas noites solitárias, frias.

Meus sentidos andam em sua direção,
Mas onde você está?
Tudo que vejo é escuro e gelado.
Se volto os passos, encontro todas as tuas palavras
Tudo que me fez sentir, forte como um soco, doce como um poema logo ao entardecer.

Talvez, o piano não saiba a resposta.
As aves não sabem nos ensinar a voar.
Nossos olhos não sabem se amar, nossas palavras não sabem se calar.

Talvez, poemas não sejam o bastante.
Minhas palavras não serão nada perto do que é suficiente,
Para fechar e estancar seu sangue.
Talvez eu não nos salve desse suicídio lento.

Espero que a morte tenha seus olhos,
Que a lâmina dela, antes de me cortar o pescoço, tenha o calor dos seus braços.
Que ao me transportar para qualquer lugar, antes de meus olhos selarem o fim que será,
Seu sorriso, seja a última coisa que eu possa registrar.
Serão girassóis, um céu infinito como nosso finito sem fim.
Que tudo seja, impossível como nós.

L.e

Poemas sobre amor e outros sentimentos caóticosOnde histórias criam vida. Descubra agora