Línguas de prata

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- PELO AMOR DE DEUS PORQUE VOCÊ NÃO DISSE ANTES!?

Micaella gritou tão alto que senti minha cabeça latejar.

- Eu estava embriagada, acha que eu ia conseguir dizer alguma coisa?

- O que a gente vai fazer agora? estamos fudidas, mas que merda! - começou a andar de um lado pro outro dentro do quarto.

- Bem, você eu não sei, mas eu sei exatamente o que vou fazer - disse me levantando - onde está minha roupa?

Ela pegou o cabide com as roupas que eu vestia antes.

- Onde você vai? - perguntou enquanto eu me trocava depressa sem me importar com o fato dela estar olhando.

- Pra empresa, coloquei a gente nessa situação eu mesma vou tirar!

- Ótimo, essa é a coisa mais coerente que você disse hoje!

Me virei pra encara - la com a expressão mais confusa de todas.

- Qual o problema? Pra que tanta agressividade?

- Não tô sendo agressiva - revirou os olhos - eu vou com você!

- Não precisa, posso resolver isso sozinha.

- Acontece que eu disse pra Carla que estava com você, eu disse que você se sentiu mal e eu precisei te acompanhar, ela vai estranhar se aparecer la sozinha.

- Tá bem, então vamos, se corrermos conseguimos chegar na sala de segurança antes que o supervisor volte do almoço.

- E se ele já tiver visto?

- Duvido muito, ele passa a maior parte do tempo dormindo - conclui - vamos!

Micaella pediu um uber pelo aplicativo, e apesar do trânsito caótico pelo horário de almoço, conseguimos chegar na fabrica a tempo.

Assim que entramos, demos de cara com Carla.

- Marta! Pensei que não fosse voltar hoje, está melhor?

- Sim - confirmei - foi só uma queda de pressão, nada demais.

- Já estava preocupada que bom que você...porque seu cabelo está molhado? Questionou.

- Ah... - encarei Micaella como se pedisse socorro.

- Ela precisou tomar um banho, sabe como é, suor frio... Lembra que eu te disse que fomos pra casa de uma amiga dela, então.

- Ah claro - ela assentiu - mas o seu cabelo, também está molhado.

Agora sim estamos ferradas, pensei. Carla e sua péssima mania de ser observadora.

- An...-ela passou a mão pelos cabelos - ah isso, não é nada demais, é que eu fui tentar ajudar Marta a se equilibrar no chuveiro, ela estava muito fraca, e acabei ficando ensopada.

- Você não existe Micaella, essa garota precisa de um aumento Marta, escreve o que eu tô dizendo - ela disse sorrindo, tentei segurar o suspiro de alívio.

- É, eu estou avaliando isso - respondi - Agora nos precisamos ir Carla, se nos da licença, Micaella vai terminar alguns relatórios e eu preciso organizar algumas coisas no escritório.

- claro, fiquem a vontade.

Micaella me seguiu, até a sala de segurança.

- Nós podemos mesmo entrar aqui?

- Eu sou a dona desse lugar, posso entrar onde eu quiser - dei de ombros.

Acessei a câmera de segurança da sala de reuniões e avancei o vídeo até o momento em que Micaella e eu ficamos sozinhas, a câmera captou nossa conversa mas pra nossa sorte, não o beijo, já que fomos pra porta e a câmera não alcançava aquela parte. Analisei todas as imagens pra ter certeza que não havia nada que pudesse nos comprometer, mas seguindo a lógica de que Micaella disse que eu estava passando mal, aquelas imagens só iam de acordo com o enredo de que ela estava tentando me ajudar, então não precisei deletar nada do que foi capturado, já que pra minha sorte não havia som.

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