Decreto final

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- Pelo que consta, a guarda do menor foi cedida ao pai, o Sr Sérgio Medeiros, mas atualmente ele está em um abrigo, por qual motivo? - ela nos encarou sob os óculos séria - a pergunta é direcionada ao Senhor, tenha a gentileza de responder.

Sérgio me encarou e em seguida olhou para ela.

- A guarda de Samuel foi retirada de mim, devido a acusações infundadas sobre a minha pessoa meretissima.

- Infundadas? Fala sério - murmurei.

- Ordem por favor! - ela interrompeu - a Senhora terá seu momento de falar, Senhora Marta.

- Perdão Merentissima - pedi.

- Prossiga senhor Sérgio, o senhor dizia que foi vítima de acusações, que acusações seriam essas?

- Disseram que eu agredia Samuel, isso é um absurdo!

- Então o senhor afirma que não o agrediu?

- De forma alguma - ele mentiu descaradamente.

- Certo, Senhora Marta, a palavra é sua!

- Meretissima é um absurdo esse homem ter a coragem de mentir assim, meu filho foi agredido por ele e pela madrasta, de forma covarde, e nós descobrimos isso pois ele estava adoecendo naquela casa, nós vimos os hematomas, e ele mesmo confessou após dias, mesmo com medo.

- A Senhora consegue provar o que está dizendo? - ela perguntou.

- Sim, meretissima - Jorge tomou a palavra - aqui estão os exames que constam as agressões, laudos médicos, e claro, temos testemunhas!

Ela pegou os papéis e analisou, em seguida os entregou as testemunhas do juri.

- Senhor Sérgio, diante de tais provas, como o senhor se declara?

- Eu não fiz nada, minha esposa se descontrolou um dia, e deve ter dado um tapa ou dois no garoto, mas não seria pra tanto.

- Eu protesto - Jorge pediu.

- Aceito! - a juíza concedeu.

- As marcas no garoto era marcas de mãos masculinas, e isso esta claro pelos exames feitos e foi declarado pelo menos.

- Senhor Sérgio o senhor tem algo a dizer?

- Não Meretissima - ele finalmente se calou.

- Que entre a testemunha - ela pediu.

A conselheira tutelar entrou na sala.

- Se apresente por gentileza - Jorge pediu.

Ela se apresentou devidamente, como conselheira tutelar.

- Nos conte com riqueza de detalhes o que a Senhora testemunhou.

- Eu fui designada para monitorar as visitas do menino na casa da mãe, o que pra mim foi estranho porque em todos os dias ela se mostrou extremamente amorosa, e o garoto parece ser fascinado por ela.

- Quero que se atente aos acontecimentos, a senhora percebeu algo de diferente em Samuel se tratando do pai?

- Sim, quando o pai do garoto foi o buscar ele não queria ir, e além disso, eu estava lá quando identificaram os sinais de agressão, inclusive no dia em que retiraram o menino dos cuidados do pai, eu estive presente para acompanha-lo ao abrigo, ele estava apavorado.

- A Senhora então confirma os fatos de que Samuel sofria mais tratos do pai e da madrasta?

- Sim senhor, trabalho com isso há anos, era nítido no comportamento e no fisico de Samuel, quando fomos o buscar ele não parecia nem de longe o garoto feliz que era quando estava perto da mãe.

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