Seus olhos meu clarão...

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No banheiro Yok tentava regular sua respiração e tentava encontrar forças para se desencostar da parede e finalmente sair dali, mas ele demorou um pouco para achá-las. Seu corpo estava trêmulo como consequências do belo orgasmo que teve. Ele não conseguia tirar da cabeça as sensações delirantes sentidas há pouco. Aqueles movimentos... Aquelas mãos...

"Vamos lá, Yok... Se acalma. Ele já fez oque você queria..." — pensou consigo mesmo e sacudiu a cabeça, afastando ou pelo menos tentando afastar os pensamentos impuros que ainda rondavam sua cabeça.

Enquanto vestia novamente sua sunga, Yok pôde ver a marca roxa deixada por Ayan em sua, foi quando ele teve uma mera lembrança do momento exato, mas tentou ignorar e lavou suas mãos. Seu rosto estava vermelho e o suor escorria levemente em seu peito.

"Você gostou...?"

A pergunta feita pelo menor após terminar oque tanto queria fazer com Yok, ecoou na mente do moreno no momento em que ele encarou sua imagem no espelho. Ele não havia respondido, mas estava um pouco claro qual seria a resposta. Ele podia lembrar de cada mínimo detalhe do que foi vivido ali dentro e um sorriso presunçoso e meio sem jeito surgiu em sua boca.

— Você viu o Yok depois que saiu de lá? Já faz um tempo que ele foi até o banheiro. — perguntou olhando em volta.

— Eu fui atrás dele como disse que iria, mas me distraí e acabei esquecendo pra onde ele foi.

— Ele deve ter passado mal lá dentro... — falou Todd preocupado e levantou da cadeira, mas Kan o tranquilizou.

— Ei, relaxa, cara. Ele tá vindo ali.

Yok caminhava levemente e despreocupado sobre a areia quente. Todd se viu como um idiota. Ele estava preocupado com alguém que não estava nem um pouco preocupado consigo mesmo, mas para ser realista, não havia motivos mesmo.

— Você parece menos pior... — falou quando Yok se aproximou o suficiente da mesa.

— Eu pedi uma água ali na frente. — disse mostrando a garrafa e apontando para onde havia comprado.

— Quer algo pra beber também, Aye? — perguntou seu amigo enquanto abria uma cerveja.

— Não, valeu. Eu já bebi... — sorriu e umedeceu os lábios.

— O atendente parece ser um partidão, não acha, Yok? — brincou Kan.

— É, mas ele não faz meu tipo. — deu de ombros.

Para alguém que estava sentindo um turbilhão de sensações minutos antes de voltar para a mesa, Yok estava neutro e inexpressivo, mas suas bochechas estavam coradas e sua pele estava suada. Claro que ele não podia demonstrar que havia se divertido com seu "inimigo" dentro do banheiro. Por fora ele nem parecia lembrar, mas por dentro ele ainda estava cheio de emoções malucas.

— Aconteceu algo dentro do banheiro...?

— Eu quase desmaiei, — sorriu tentando fazer graça de sua mentira — mas me sinto muito melhor. — respondeu com um sorriso descontraído nos lábios e tirou a toalha de sua cintura, chamando assim a atenção de Ayan, que negou discretamente e desviou os olhos.

— Vaso ruim não quebra... — resmungou o baixinho depois de virar o rosto.

— Acho que no meu caso é o contrário... Quando o vaso é muito bom, ele demora a quebrar, pois a qualidade é muito boa. — provocou o moreno.

— Não comecem, por favor.

— Quem tá começando aqui, Wat? Vamos pra água. Vamos aproveitar!

Yok caminhou na frente e os outros o seguiram. Até mesmo Todd que não gostava da ideia de ter sua pele queimada resolveu sair da barraca. Todos brincavam e se divertiam juntos, e mesmo sem perceber e sem querer, Yok sempre acabava por chamar a atenção de Ayan para si. O menor olhava curiosamente para o mais alto, que brincava jogando água em seus amigos e um sorriso com emoções misturada surgiu no canto de sua boca.

Ele não conseguiu decifrar quais sentimentos o fizeram sentir-se daquele jeito. Realmente um mix de emoções o invadiu e ele não conseguiu decifra-las. Mas era tudo muito bom. Os mais diversos sentimentos; os melhores sentimentos...

Ele o desejava como o lobo deseja uma noite de lua cheia nos contos aterrorizantes e infantis. O desejava como uma criança deseja o doce que lhe fora tomado. Ele o desejava de todas as formas mais belas que existem. O desejava como desejamos algo que ainda não possuímos. Ele apenas o desejava.

Era como se em todas as imperfeições que o moreno via em si, Ayan enxergasse apenas perfeição. Yok não conseguia ver coisas que pudessem fazer alguém permanecer, mas Ayan viu todas essas coisas e muitas outras.

"Eu amo todas as suas imperfeições perfeitas. Aos meus olhos você não tem defeito algum."

Seus olhos pesaram sobre o corpo inteiro do moreno, dando atenção especial para seus olhos e sorriso, eram deslumbrantes e nada parecia brilhar mais que eles. Aqueles lábios curvados em um sorriso aberto e cheio de alegria faziam Aye encher-se de bons sentimentos; sentimentos intensos. O brilho naqueles olhos negros e meio vermelhos por conta do sal da água o deixava com uma aparência mais rebelde. Isso mexia com Ayan.

Já Yok não estava preocupado com nada. Ele ria e brincava com seus amigos, mas por um momento seus olhos encontraram os olhos amendoados de Ayan e ele o olhou profundamente, assim como o baixinho fazia consigo. Eles estavam em transe; perdidos nos olhos um do outro. O mundo parecia ter parado para eles, pois eles não ouviram mais nada. Mesmo com uma distância significativa os separando, era como se eles pudessem ouvir o som do coração do outro batendo tranquilamente dentro do peito.

Não havia nada no mundo inteiro que pudesse acabar com aquilo que sentiam. A paz por ter o outro... A segurança... Eles...

"O mundo parou para nós..."

Gram, que estava parado pouco atrás de Yok, observava aquilo com um sorriso bobo, mas ele sabia que os outros começariam a suspeitar daqueles dois, pois seus olhares não eram nada discretos. Com a água fria e salgada batendo em seu corpo, Yok saiu do transe, sendo o primeiro a quebrar o contato visual e sorrir rapidamente para o garoto.

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