Há coisas e lugares que tem a facilidade de nos acalmar por mais caótico que estejamos. Por alguns longos minutos Yok e Ayan permaneceram em silêncio até o mais baixo ter se acalmado e seu choro ter finalmente cessado. Yok havia amenizado todo aquele peso apenas por estar ao lado do menor.
— Quando sentir que não pode dar conta de tudo, pode me procurar, tá bom? Eu gosto de...
— Gosta de...? — perguntou Aye, olhando para Yok depois que ele não terminou o que havia começado a falar.
— Gosto de ajudar as pessoas com seus problemas, baixinho. Vou ficar feliz em ajudá-lo.
Ayan negou com a cabeça e se desfez do abraço quente, apertado e calmo do moreno. Por ele, ele permaneceria naquele abraço por muito tempo. Ali foi o lugar onde ele sentiu-se seguro depois de muito tempo. Onde sentiu que não precisa dar conta de tudo o tempo todo. Foi o lugar onde seus pensamentos cessaram de forma despercebida. Onde seu peito não pesou e nem gritou por socorro.
— Vamos voltar lá pra dentro?
— Precisamos mesmo? — perguntou Yok, dando um sorriso forçado para Aye, que estreitava as sobrancelhas e devolvia o mesmo sorriso para o mais alto.
— Eles irão desconfiar da nossa demora. Wat começará a fazer especulações sobre isso. — riu e estendeu a mão para Yok — Vem, minha vez de te levar pra dentro.
Quando a mão do rapaz tocou a de Ayan os causou um pequeno choque, muito pequeno mesmo, mas ambos sentiram algo estranho. Não no corpo físico, não na carne, mas dentro do peito. Uma corrente elétrica pareceu despertar algo dentro deles e arrepiar seus corpos.
— Sentiu isso?! — perguntou o mais velho, estreitando as sobrancelhas e tocando seu peito com a mão que estava livre, mas Aye negou.
— Senti o que? Você tá bem?!
— Não foi nada...
— Devemos voltar pra dentro? — Yok concordou — Vem.
É claro que Ayan havia sentido algo, ele só não queria dizer como aquele choque o deixou por dentro depois de ouvir do moreno que eles não tinham nada. Aquilo mexeu consigo, mas Yok não estava errado sobre isso. O peito dos rapazes estava elétrico como se tivessem acabado de tomar algum energético forte, mas eles sequer beberam. Ao passar pela porta do bar, o tilintar do sino acima da porta soou pelo local, avisando que alguém havia acabado de entrar e discretamente suas mãos se soltaram e os rapazes olharam na direção dos dois.
— Achei que não voltariam mais.
— Por que não iríamos voltar, Sean? Só estávamos nos distraindo. — Yok sentou-se no lugar que estava vago ao lado de Aye e o olhou brevemente.
— Distraindo, hã?! Com certeza vocês se distraíram já que Yok saiu para fumar, não está com cheiro de cigarro e voltou com o cheiro do perfume de alguém, não foi, Ayan? — brincou Gram.
— Achei que Wat ficaria responsável pelas teorias, mas me enganei, e Gram, Yok não fumou porquê eu não gosto do cheiro e como ele estava comigo respeitou isso.
— Oh, claro, sempre compreensivo.
— As coisas andam calmas demais para o lado de vocês, não acham? Vocês incendiaram uma delegacia e como não tem ninguém os procurando até agora?
Wat perguntou para os rapazes e Aye sentiu-se nervoso novamente. Nervoso por Yok e seus amigos até porque, mesmo com todos os defeitos, ele não desejava mal algum para qualquer um da gangue de Yok. Suas mãos começaram a suar e sua perna começou a tremer descontroladamente, mas pararam depois que ele sentiu a mão gelada de Yok tocar e apertar gentilmente sua coxa.
— Tá tudo bem — o mais alto se dirigiu para o amigo de Aye, mas essas palavras não eram para ele, e sim para o próprio rapaz —, nós estamos prontos pra qualquer coisa que eles estejam tramando. Não precisa se preocupar.
Aye demorou para reagir ao toque do mais alto, mas logo pôs sua mão sobre a dele e ali, disfarçadamente entrelaçou seus dedos. Yok acariciava a pele do mais baixo delicadamente e isso foi suficiente para fazê-lo se acalmar.
Não importa o quão nervoso ou triste Aye estivesse, se Yok o tocasse, sua frustração iria embora quase que de imediato. Esse sentimento era novo para ambos. Nenhum amor ou relacionamento passado os fez sentir-se assim, tão bem, tão... em casa. Durante todo o tempo que os rapazes ficaram no bar conversando, rindo e bebendo, a mão de Yok não saiu um segundo sequer da coxa do menor e nem o próprio garoto fez questão de tirá-la de lá.
— Acho que já é hora de irmos embora, Ayan e Wat. Esqueceram que temos que acordar cedo amanhã?
Kan tentou lembrar seus amigos que na manhã seguinte eles tinham marcado de se encontrarem num café para conversarem sobre algumas coisas de suas faculdades e futuro. Sobre os problemas os quais estavam enfrentando nos últimos dias e mais algumas questões, mas Ayan e Wat já estavam bêbados demais para entender qualquer coisa. De todos os garotos, só os dois não pareciam estar em boas condições.
— Você acha que eles vão conseguir acordar cedo? — perguntou White.
— Não, eles não vão...
— Como você vai levá-los pra casa? Ayan está com seu carro aí? — perguntou Gram e Yok olhou para o garoto aparentemente derrotado ao seu lado. Em momento algum ele tentou fazê-lo parar de beber, mas em todo tempo ele permaneceu com sua mão onde estava e não a moveu um centímetro sequer — Podemos fazer assim, Black tem o Todd que não bebeu muito, ou bebeu? — Todd negou sobriamente e Gram continuou — Todd vai levar seu... seu amigo pra casa. White pilota pra Sean, Gumpa vai embora comigo, Wat está de carro?
— Esse aqui? Mesmo que ele tivesse não iria. Não enxerga nem quantas pessoas têm na mesa, quem dirá enxergar o caminho de volta. Eu o levarei pra casa.
— Ótimo, Kan. Então, podemos fazer assim: Gumpa leva a moto de Yok e Yok leva Ayan pra casa em seu carro, simples.
— Mesmo?! E como eu volto pra oficina? Andando?
— Você dorme na casa do Aye, ué. Já não fez isso uma vez? Ele não vai se incomodar. Ele nem vai saber, olha só. — falou, apontando para o garoto.
— Huh, huh! Gram está certo, isso faz sentido. — concordou Gumpa e levantou da cadeira junto aos outros — Vamos embora. Está ficando cada vez mais tarde pra sairmos por aí com esses garotos bêbados nas motos.
No estacionamento do bar todos formaram os pares que Gram organizou. Todd foi embora em seu carro com Black, White e Sean voltaram para a oficina junto à Gumpa que os seguia e deixava para trás os outros rapazes.
— Yok, cuida dele por mim? Ele tem muitas coisas na mente, pode não deixá-lo sozinho essa noite? — pediu Kan, mas seu pedido soou como uma súplica.
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Bed Friend
Fanfiction"E agora, te odiando ou não, mesmo que eu tente, eu não consigo ficar longe de você..."
