Alguns dias depois
— Por que me olha como se fosse a primeira vez que me vê...?
— Porque eu nunca senti tanta falta dos seus olhos quanto eu senti nesses últimos meses... Falta de você... De nós... É pedir demais que isso nunca acabe...? — perguntou Aye deitado no peito de Yok.
— Não... não é...
Vendo o dia clarear através da enorme janela do quarto de Todd, Aye e Yok conversavam sobre si. Eles não dormiram nada durante à noite, pois o moreno ainda sentia-se incomodado com a cicatriz em sua barriga e não gostava de se mexer muito.
Como Todd havia dito, tudo estava sob controle e o antigo governo não governava mais, porém, não era de imediato que poderiam eleger o antigo presidente como atual. Isso era uma coisa que levaria algum tempo, mas não havia mais preocupações. Tudo estava bem depois de muito tempo...
Os polícias responsáveis pela morte de Jeon e de outras inúmeras pessoas foram presos e não havia previsão para soltura. Graças a Black e sua gangue, tudo estava bem de novo. O antigo presidente, que voltará a assumir em algumas semanas, havia os dado um prêmio pelo bom trabalho, mesmo não sendo responsabilidade deles.
— O que vai fazer com o dinheiro? — perguntou Gram ao entrar no quarto e jogar uma bolsa preta em cima de Yok, que demonstrou dor e Ayan o xingou — Desculpa — pediu sincero.
— Eu vou pagar um tratamento pra minha mãe... Comprar um aparelho pra que ela possa me ouvir e falar comigo...
— Eu vou conhecê-la? — perguntou Aye.
— Claro que vai... Vou levar você pra vê-la...
— Quando? — retrucou ansioso.
— Quer ir hoje? Eu posso levar você...
— Ela vai gostar de mim?
— Claro que vai, a mãe do Yok é super gente boa. Tomem banho e se arrumem, eu posso levá-los lá.
Gram saiu do quarto e Yok e Ayan levantaram-se para tomar banho e se trocar. Em alguns dias eles planejavam viajar para a mesma praia onde tudo começou e também havia terminado. Todd recebeu o convite de um amigo antigo para se juntar a ele num luau, e é claro que eles iriam, afinal, Yok já estava bem.
— Aye, se você não entender os sinais da minha mãe, pode me falar, eu falo pra você.
— Tá tudo bem.
Yok estava parado à frente da porta de sua casa e a abriu lentamente. Ele estava sendo seguido por Aye, que apertava suas mãos em sinal de nervosismo, e atrás dele estava Gram, alegre e sorridente assim que viu a mãe do garoto, que logo levantou para recebê-los.
O moreno recebeu um abraço forte e logo fez a linguagem de sinais para apresentar seu namorado à pessoa mais importante de sua vida. Quando ele os apresentou e Gram também cumprimentou a mulher, Yok iria começar a falar com sua mãe sobre seu garoto. Ele temia que Ayan não a entendesse, mas Aye já sabia sobre a língua e foi mil vezes mais fácil falar com a mãe de seu namorado.
A felicidade era algo que estava desenhada no rosto da senhora, pois mesmo Dan indo apenas uma única vez a sua casa, ele não tinha ideia de como comunicar-se com ela. Mas Ayan era diferente em tudo, por isso conquistou tão facilmente o coração da mulher.
— Ela gostou muito de você...
— Eu também gostei muito de conhecê-la. Você tem os olhos dela...
— O que você falou com ela enquanto eu estava fora?
— Que o filho dela era a pessoa mais importante da minha vida — respondeu o abraçando forte e Yok o beijou.
Aquele havia sido o primeiro beijo deles depois que tudo aconteceu. Foi um beijo calmo e suave, mas que esquentou depressa, transmitindo calor e desejo. Seus rostos coraram.
— Eu senti falta disso... Senti medo de que você estivesse com outra pessoa, dando pra ela o amor que era só meu...
— Eu tentei, não vou mentir... — respondeu encostando a testa à do maior — Mas foi tudo errado... Eu via você onde quer que eu olhasse...
— Eu não posso deixá-los dois minutos a sós, não é? Eu tenho uma notícia pra dar a vocês. O amigo do Todd ligou e falou que vai adiantar o luau para hoje. Há outras pessoas chegando, então...
— Praia? No meio da semana?
— Tem hora pra ir à praia? Vamos voltar e fazer as malas, rápido!
"Surreal", essa era a palavra certa para descrever o que todos os rapazes sentiam. Estar livre era algo surreal e que parecia impossível para eles. Todos estavam juntos, todos estavam bem, e dessa vez, o final feliz foi para todos. Aos poucos tudo se acertava ainda mais, encaixando-se em seu devido lugar.
Todos tinham planos diferentes para o dinheiro o qual ganharam. Gumpa, por exemplo, iria reformar sua oficina. Gram pretendia comprar uma nova moto, mas consertar a antiga. Como era bom sentir que estavam finalmente livres... Sentir que todos lá fora estavam seguros e que agora poderiam expressar suas opiniões e ser quem eram de verdade, sem julgamentos ou questionamentos.
Aye terminaria sua faculdade em Bangkok, ele não pretendia sair de lá sem Yok, e muito menos sem Kan e Wat, que também concordaram em ficar e também viajariam para à praia.
— Isso é tão bom... Eu nunca me senti tão bem... — disse Kan, olhando pela janela e vendo toda aquela vegetação densa nas margens da estrada.
— Nem parece que tudo finalmente acabou... — respondeu Wat, recostando-se no banco.
O grupo foi separado em cinco pessoas: Sean, White, Black, Todd e Gumpa. Esses estavam no carro do namorado de Black. Já no carro que ia atrás estava Ayan, Yok, Gram, Kan e Wat.
O dia estava radiante e ensolarado. A brisa era leve e fresca e todos os vidros estavam baixos. Os ventos balançavam os cabelos dos rapazes e os enchia de vida, também os fazia sentir o cheiro de mar. Eles estavam chegando na cidade praiana, animados por estarem finalmente juntos de novo. Era o paraíso perfeito, o seu espaço.
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Bed Friend
Fanfiction"E agora, te odiando ou não, mesmo que eu tente, eu não consigo ficar longe de você..."
