Olhos negros

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— Ele me pediu um mês pra tentar me provar que não é igual ao antigo...

— E você?

— Eu o dei um mês... Mas não conta pra ninguém sobre isso... Se der errado eles vão ficar no meu pé. Vão falar o tempo todo que eu só escolho pessoas erradas...

— Eu não vou contar.

Os dois permaneceram na praia por mais um tempo, vendo o mar refletir a escuridão do céu e ouvindo o marulho das ondas, até alguém chegar.

— O que vocês estão fazendo aqui fora...? — perguntou a voz grave e sonolenta atrás dos dois.

— Ayan! Por que não está dormindo?

O desconforto ficou nítido no rosto do menor, pois Yok estava na presença de Gram, então não sabia se poderia dizer que sentiu sua falta ao seu lado na cama.

— Tudo bem. — sorriu Gram e levantou da areia — Vocês precisam resolver a briga daquele dia, certo? Yok também me disse que você bebeu demais, por isso estava dormindo...

O rapaz piscou discretamente para Yok e parou ao lado de Ayan, passando sua mão pelo ombro do garoto.

— É... Eu perdi o controle...

— Eu vou voltar lá pra cima, tô cansado e ainda nem tomei banho. Se resolvam e vão pra cama, já tá tarde. Yok, deixe-o dormir na sua cama, você dorme na minha.

— E você?!

— Vou dormir em outro quarto. Não se preocupem.

O rapaz de cabelos platinados deixou Yok na companhia de Ayan e voltou para o prédio. Ele queria que o amigo entendesse e admitisse para si mesmo oque estava sentindo, mas no fundo ele já sabia, só não queria aceitar isso.

— Tá com frio...? Trouxe pra você... — perguntou sentando-se ao lado de Yok na areia e o entregou seu moletom do eclipse, então ele o pegou.

— Obrigado por isso... — agradeceu vestindo-o.

— Você contou sobre nós?

— Não... Era pra contar?

— Acho que não... Ainda é cedo e como você disse: se der errado... O que veio fazer aqui fora?

— Eu não consegui mais dormir. E você, porquê acordou?

— O quarto esfriou e eu não senti o calor do seu corpo...

— Desculpa por isso... Ayan, agora que estamos sozinhos, podemos voltar a falar sobre o tempo que me pediu...?

— O que tá mexendo com você? Pode deitar aqui? — perguntou e Yok deitou em sua perna.

— Não é nada, eu só quero colocar algumas regras. Não vamos deixar isso virar bagunça, as coisas já estão bagunçadas demais...

— Estou aberto aos ajustes que você queira fazer. Você me diz, eu digo se concordo e se eu quiser colocar alguma regra pra seguirmos eu posso falar.

Essas regras eram tipo termos e condições. Você é avisado sobre possíveis causas, problemas, atualizações futuras e afins. Você está sujeito à estas e outras coisas, se concordar.

— Primeiro: não vamos contar pra ninguém ainda. Vamos deixar como está e se der certo a gente vê depois. Concorda?

— Totalmente. Pode continuar!

— Segundo: se um não quer o outro não insiste...

— Tudo bem pra mim. — deu de ombros — Não vou fazer nada que você não queira.

— Terceiro: nada de marcas expostas...

— Como as que deixou em mim?

— É... — respondeu sorrindo — Não vou deixá-las de novo...

— Minha vez. Em quarto lugar: nós paramos de ficar com outras pessoas.

— Por mim...

— Isso inclui o Black...

— E o seu novo amiguinho?

— Namo? Quem disse disse a você que eu fico com ele? Ele é só um amigo.

— O Black também é só um amigo.

— Concorda ou não? Se quisermos ficar com outras pessoas acabamos isso aqui.

— Certo...

— Mais alguma coisa?

O moreno pensou em mais uma coisa, e isso beneficiaria ambos os lados. Um sorriso surgiu no canto de seus lábios e ele logo revelou seu sorriso ladino perfeito.

— Sim, uma última coisa...

— Qual seria...?

— Quando e onde eu quiser você...

— Isso não é um problema pra mim... — disse sorrindo — Todos os seus termos foram aceitos por mim...

— Como a gente sela isso? Aperta as mãos?

— Assim...

Ayan aproximou seu rosto ao do moreno e o beijou sutilmente. Foi um beijo tão delicado e doce que Aye o deu. Tudo estava tão bom e tão calmo só os dois...

— Devemos voltar lá pra cima?

— Vamos dormir...

Deitar ao lado de Ayan naquela madrugada fez a ansiedade de Yok ser reduzida. Todo o medo, o cansaço, o sentimento ruim... Algo dentro dele ansiava por paz... O calor de seu corpo esquentou o moreno, que tocou sutilmente seu rosto e encostou a testa à do garoto.

— Gram me emprestou a cama, quer dormir sozinho?

— Por que eu iria querer isso? Ficar com você é bom, e não vou mentir, eu senti falta disso...

— Me desculpa de novo por tudo aquilo...

— Shi... Sem estresse.

— Ayan, eu quero muito que você fique... mas se chegar o dia que você quiser partir, eu não vou te segurar e nem te pedir pra ficar...

— Eu não vou querer ir embora...

As palavras ditas por Yok estavam carregas de dor, então como um tranquilizante, Ayan colocou a mão na cintura do maior e se aproximou um pouco mais, com isso passou sua perna por cima de Yok. Uma boa posição para dormir e acalmar oque tanto fazia bagunça no peito do mais alto.

— Não complica as coisas... — sussurrou e sorriu duramente — Será mesmo que eu posso te deixar ficar? Você pode bagunçar tudo, e nem foi arrumado ainda...

— Ainda pensando na bagunça que fizeram em você? Você pode, por favor, me deixar entrar? Eu quero arrumar isso... Eu sei que você tem medo, mas Yok, olha pra mim...

Ao tocar o rosto de Yok, ele sorriu e continuou olhando no fundo daqueles olhos negros, vendo cada detalhe deles.

— Hum...

— Eu não sou como a pessoa que te machucou, tá bom? Se você estiver comigo e nós encontramos com essa pessoa, eu vou tentar o máximo proteger você. Você tem razão, tudo isso aqui pode ser passageiro e pode não durar muito... Mas até onde durar, eu vou fazer você se sentir especial comigo. Eu só preciso que confie em mim, Yok...

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