O toque estridente do celular arrancou Alessa de um sono inquieto. Ela tateou o criado-mudo, pegou o aparelho e atendeu, a voz rouca de sono.
— Alô? — murmurou, esfregando os olhos com a mão livre.
— Oi, Alessa, desculpa ligar tão cedo — disse Lúcia, com um tom animado, mas apologetic. — Tô organizando alguns detalhes do casamento e gostaria da sua ajuda. Posso te buscar na empresa depois do almoço, tudo bem?
— Claro — respondeu Alessa, sentando-se na cama, tentando se livrar da sonolência. — Estarei esperando.
— Ótimo! Te mando uma mensagem quando estiver chegando — disse Lúcia, com entusiasmo.
— Tudo bem — respondeu Alessa, com um aceno, mesmo sabendo que Lúcia não podia vê-la.
Ela desligou o celular, colocando-o sobre a cama, e se levantou, caminhando até o guarda-roupa. Escolheu uma blusa de mangas longas azul-clara e uma calça preta de alfaiataria, combinando com sapatos de salto baixo. Após se arrumar, saiu do quarto e seguiu para a cozinha, onde pegou uma maçã do fruteiro. Sem se sentar, despediu-se de seus irmãos e de Márcia, que tomavam café, e saiu do apartamento, rumo à empresa.
Enquanto caminhava pelas ruas de Madri, o ar fresco da manhã a despertando aos poucos, Rafael se aproximou, com um sorriso amigável, ajustando o passo para acompanhá-la.
— Bom dia, Alessa — cumprimentou, com um tom leve, as mãos no bolso da jaqueta.
— Bom dia, Rafael — respondeu ela, com um sorriso educado.
— Como você está? — perguntou ele, com curiosidade, olhando para ela.
— Estou bem, obrigada — disse Alessa. — E você, como está?
— Estou bem — respondeu Rafael, com um aceno. — Como tão indo os preparativos do casamento?
— Comecei ontem com a tia do George — respondeu Alessa, mantendo o tom neutro, sentindo o peso da farsa.
— Tá animada pra se casar? — perguntou ele, com um sorriso que parecia buscar algo além da resposta.
— Sim, casamentos são... fascinantes — disse Alessa, forçando um sorriso, a palavra soando vazia em sua boca.
— Você parece meio desanimada com isso — observou Rafael, com uma expressão preocupada, diminuindo o passo.
— É só cansaço — respondeu ela, com um tom que tentava ser convincente. — Mas tô feliz.
— Você vai almoçar com o George hoje, ou ele tá ocupado com coisas da empresa? — perguntou Rafael, com um tom casual.
— Acho que hoje almoço sozinha — respondeu Alessa, com um suspiro, olhando para a rua à frente.
— Posso almoçar com você? — ofereceu ele, com um sorriso amigável.
— Claro — disse Alessa, com um aceno, embora uma pontada de hesitação a atravessasse.
— Ótimo! — exclamou Rafael, com entusiasmo. — Passo na sua sala antes de você sair.
— Estarei esperando — respondeu ela, com um sorriso educado.
Ao chegarem à empresa, entraram no elevador e subiram até o andar dos escritórios. Quando as portas se abriram, Alessa avistou George esperando, com uma expressão séria, os braços cruzados. Rafael se despediu, inclinando-se para dar um beijo no rosto dela.
— Até mais tarde, Alessa — disse ele, com um sorriso, antes de se afastar.
Alessa corou, constrangida, sentindo os olhos de George sobre ela. — Até mais — respondeu, com a voz baixa, enquanto Rafael caminhava pelo corredor.
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O Chefe
RomanceAlessa se muda para Espanha com seus irmãos mais novos, para ter uma vida melhor e um novo emprego. Então Alessa começa a trabalhar em uma nova empresa, sendo secretária de um dos maiores empresários do país, George Jones. Em uma reunião que George...
