Luna
Horas antes:
Eu tinha acabado de sair da minha escola, como papai não deu o dinheiro para pegar o ônibus eu tenho que ir andando até em casa. É muito chato isso porque eu moro muito longe da escola, tão longe que minha casa é a única que tem perto da floresta e eu sempre fico com minhas perninhas doendo depois. Eu já perguntei para o papai se tinha como fazer elas pararem de doer, mas ele falou que eu tava com frescura e que eu nem tinha andado tanto assim.
Eu juro que ando muitão! E minhas perninhas doem de verdade!
Virando a rua eu encontro a Marie, ela é uma gatinha muito linda que mora aqui na rua e eu que escolhi o nome dela. Ela é branquinha, tem o pelo muito fofinho e tem os olhos azuis que nem o meu e da gatinha Marie.
Talvez se eu fosse uma gata eu poderia ser irmãzinha dela e da gatinha Marie.
— Oi Marie! — Eu falo com ela mesmo sabendo que ela nunca vai me responder.
Ela se esfrega nas minhas pernas pedindo carinho, eu abro minha mochila e pego um pedaço do meu lanche que eu não comi só pra dar para ela.
— Eu não sei se você pode comer pãozinho, mas é a única comida que eu tenho. — Eu falo triste porque eu queria ter algo melhor para dar a Marie.
Ela pega muito rápido o pão da minha mão e quando termina de comer ela pede mais carinho pra mim, a Marie faz um som muito engraçado quando eu faço carinho de volta, parece um motor de um carro velhinho.
— Marie eu tenho que ir embora, mas amanhã eu prometo que volto! — Eu dou um beijinho nela e me levanto. — Tchau, até amanhã!
Eu volto a andar para casa mesmo não querendo, eu odeio deixar ela sozinha porque eu tenho que ir para casa e em casa eu fico sozinha que nem a Marie aqui na rua. Quando eu crescer eu vou pegar a Marie e a gente vai morar numa casa bem bonita na praia, eu nunca fui na praia, mas acho que deve ser legal morar lá.
[...]
Eu finalmente chego em casa depois de andar muito, até passou da hora de almoçar. Eu tomei banho e coloquei meu vestido roxo com um short fino por baixo, eu pego o pote de frutas cortadas que meu pai deixou para mim e como tudo, no pote tinha maçã, banana, abacaxi, morango e melancia, só as frutinhas que eu gosto.
Papai fez muita bagunça na casa quando chegou ontem, ele tava bem bravo e jogou seu copo de vidro na parede, agora a casa tava com vidro no chão e um cheiro de bebida ruim na parede.
Vendo a casa desorganizada eu levanto para arrumar, se papai chegar e ver essa bagunça vai brigar muito com a Luna, eu não gosto quando ele grita na minha cara, me deixa triste.
Eu lavo a louça, seco e depois guardo certinho no lugar delas, eu junto os cacos de vidros e os jogo fora, meu pai gosta de quebrar as coisas, então eu aprendi rapidinho a não me machucar ao limpar. Eu limpo a sala todinha e agora não tá mais com aquele cheiro ruim da bebida.
Eu fiquei muito casada de fazer tudo isso e me deu soninho, então vou pro meu quarto que é o último da casa, ele não é grande e nem tem muita coisa.
Minha cama fica no canto da parede do lado da janela, guarda roupa do outro lado do quarto e debaixo da janela tinha um banquinho que eu gosto de usar para ver o céu. O quarto não tinha decoração, mas eu gostava dele mesmo assim, eu tinha minha coberta rosa e meu coelhinho de pelúcia, isso já era o suficiente para mim.
Deito na cama e abraço meu coelho até cair no sono.
[...]
Quando era fim de tarde eu acordo da minha soneca, minha barriga ronca de fome então vou procurar algo para comer. Quando saio do quarto eu ouço a TV da sala ligada, rapidamente vou até lá e vejo meu pai jogado no sofá assistindo alguma coisa.
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Olhos Azuis
Roman d'amourGrayson estava vivendo sua vida monótona como todos seu dias, ele estava acostumado com essa vida e não pretendia mudá-la. Mas quando sua vida se cruza com uma pequena garota em uma situação nada comum, ele se vê perdido e com o bônus de ter que ma...
