Capítulo 32 - Tristan Lucchesi

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O dia havia começado perfeito.

Depois de ficar com meu irmãozinho até de madrugada desabafando e jogando conversa fora, finalmente adormecemos.

Acordamos com Teresa nos levando café na cama as dez horas da manhã.

Fazia anos que eu não acordava depois das sete, nem mesmo nos finais de semana ou feriados eu sempre acordava cedo pra não desperdiçar o dia.

Theo e eu tomamos café e fomos direto para a nova sede da empresa. Patrícia e Selena já haviam passado por ali e já tinham saído também. Foram verificar algumas parcerias, deixaram pra mim a finalização das pendencias da antiga sede e ao Theo a solicitação dos últimos maquinários.

Realmente acho que com esses pequenos detalhes estaríamos prontos para inaugurar nossas novas instalações no dia 20 de janeiro.

Guida e Elza cuidavam de toda a logística administrativa. O pessoal da fábrica saiu de férias no dia 24 de dezembro. Mas o pessoal administrativo, aqueles que não tinham compromisso ou viagens, pedimos para ficarem e nos auxiliarem na mudança, pois oficialmente eles teriam direito a 30 dias de férias a partir de 20 de dezembro.

Olho pela última vez minha antiga sala, minha primeira grande conquista, meu primeiro grande pódio, como diria meu avô. Agora ela está vazia e desprovida de mobiliário, quadros ou papéis, mas repleta de lembranças, sentimentos e recordações.

O dia hoje foi intenso e cansativo.

Emocionalmente, me sinto no limiar de um colapso.

São tantas coisas acontecendo e tudo ao mesmo tempo. Queria ser uma daquelas pessoas que sabe separar as coisas e deixar cada qual em sua caixinha e abri-las somente quando for a hora. Infelizmente, sou o oposto, vivencio tudo junto e misturado.

Respiro fundo, dou um passo para fora e puxo a porta nas minhas costas.

É só o fim de um ciclo e o começo de um outro, novo maravilhoso, tenho certeza. Nunca é fácil abrir mão de uma coisa que você conquistou e teve por tanto tempo como símbolo de vitória, mas como tudo na vida tem um início, um meio e um fim... agora é hora de alçar novos voos.

Já é início de noite, quando saio do nosso prédio na Paulista. Vou ao encontro de alguns colegas de faculdade, para um happy hour ali pertinho na Vila Mariana. Não queria ir, mas Theo me convenceu a dar uma passadinha para arejar a cabeça e depois desses últimos dias, estou realmente precisando.

O barzinho fica numa esquina próxima a Rua Vergueiro, já passam das seis e embora seja o penúltimo dia do ano, há bastante gente na parte de dentro e nas mesas da calçada.

Comprimento e confraternizo com meus conhecidos que estão sentados do lado de fora. Trabalhamos quase todos, próximos uns aos outros, mas mal temos tempo de nos ver.

Não bebo nada pois estou dirigindo, mas me junto a outros, tomando um suco e comendo alguns petiscos pois, minha última refeição, foi o café da manhã que Teresa nos ofereceu.

Quarenta minutos após minha chegada, estou cansado de ouvir as conversas fúteis sobre carros, mulheres, homens, traições e afins e já me encontro doido para ir embora. Quando me preparo pra dar uma boa desculpa e sair dali meu telefone toca.

Maggie só liga se for extremamente necessário, então deduzo que algo aconteceu com Selena ou com alguém da nossa família.

Assim que desligo o telefone, peço desculpas pago minha comanda e saio dali.

Sim, eu queria uma desculpa. Mas não, não queria que fosse aquela.

Selena, Fred, Cecilia e Timmy todos estavam no hospital, não me pergunte o porquê, mas assim que liguei o carro, tudo que eu estava sentindo se transformou em água e vazou dos meus olhos.

JUNTANDO OS PEDAÇOSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora