_ Tudo bem se formos num lugarzinho mais simples, porém bastante aconchegante? – Ele me pergunta enquanto dirige.
_ Se tiver café, tomo até na barraquinha da esquina.
_ Infelizmente, não moramos mais na região central, onde tem tudo perto e a disposição. – Tristan fala enquanto me olha com aqueles lindos olhos puxadinhos.
_ Em compensação, fugimos do trânsito da poluição, da agitação e no meu caso do roubo e da prostituição. – Digo porque é uma verdade incontestável.
_ Verdade. Espero que os funcionários pensem assim também. O trajeto para muitos deles aumentou em média quase trinta minutos.
_ Enquanto para outros, esse trajeto diminuiu. – Falo me lembrando que foi uma discussão bastante acirrada que tivemos com o representante deles na fábrica. _Mas as condições de transporte melhoraram de alguma forma para todos. – Afinal, fizemos exatamente aquilo que a maioria deles julgou ser o melhor, penso comigo. _Não se pode ter tudo. Tentamos achar um equilíbrio para que ninguém saísse prejudicado, mas nem sempre é possível conseguir esse intuito. Mais de um terço dos seus funcionários, se não me engano cerca de quarenta e três por cento deles, tem filhos em idade entre zero e seis anos. O ônibus da empresa vai buscá-los no metrô e trazê-los aqui juntamente com seus filhos. – Pontuo, uma vez que quem tomou a decisão final foi minha, da Patrícia e de Theodoro. _Refizemos a logística e os contratos com a empresa, que a princípio seria para dois ônibus em cada turno, colocamos quatro pra todos se sentarem com seus filhos e estarem seguros na viagem. Remodelamos os horários de entrada e saída pra que os turnos na fábrica estivessem sempre cobertos e pra que houvesse mais opções de escolhas. Foi dada opção de escolha a todos, nós escutamos todas as dúvidas, todas as sugestões e todas as reclamações. – Foi um processo bem cansativo, do qual ele não teve muita participação, mas vou dar um desconto. _ Enfim, chegamos num consenso juntamente com os líderes de cada setor. Acredito que eles estão cem por cento satisfeitos, pelo menos no quesito transporte.
_ Seria utopia acreditar que estão cem por cento satisfeitos. Isso não existe, não se pode agradar a todos. – Ele diz sorrindo pra mim. _ Mas concordo que vocês fizeram um trabalho excelente junto aos funcionários. Aliás você e o Theo formam uma excelente equipe. Parabéns.
_ A Patrícia nos ajudou muito também.
_ Tenho certeza de que ela participou da parte prática da coisa. Contratos, parcerias, toda a parte burocrática. Mas assim como eu, ela foge de contato direto com os funcionários.
_ Já que mencionou isso... – Não posso deixar a oportunidade de pontuar esse desleixo dele, então questiono. _Por que não gosta de lidar com seus funcionários?
_ Primeiro, eu tenho um problema com gagueira, que dependendo da situação, se acentua. – Percebo que é um assunto que o incomoda, uma vez que aperta um pouco mais o volante. _ Depois, eu tenho muita dificuldade em dizer não. Ouvir suas queixas e dizer agora não dá, não posso... é complicado pra mim. Mesmo quando estávamos iniciando, Theo sempre ficou com essa parte. Eu sempre espero que o outro se coloque no meu lugar, como eu tento me colocar no dele. Até melhorei um pouco, mas ainda é muito difícil não criar expectativas com relação ao proceder do outro. – Tristan respira fundo e continua. _Depois, se eles começarem a reclamar e a falar tudo de uma vez na minha cabeça, é possível que eu fique um tanto quanto grosso e áspero. As coisas na minha cabeça são tudo meio preto e branco. O dom de ver colorido é do Theo, então as vezes eu não consigo me posicionar de modo a mostrar aquela pessoa que, apesar de não poder ajudar ela naquele momento, eu me importo com ela. Sempre parece que eu não ligo e isso é muito frustrante.
_ Entendo. – Na verdade, estava tentando entender, mas definitivamente eu sabia que ele se importava e ele já tinha demonstrado isso de diversas formas, mas conversar com seu público não era um talento que ele possuía. Ao menos ele achava que não.
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JUNTANDO OS PEDAÇOS
RomanceSelena é uma garota forte, destemida, determinada... por fora. Por dentro, ela ainda é uma criança quebrada, machucada que não teve a proteção de quem deveria tê-la amado, cuidado e protegido. Ela não confia em homens. Tristan é um CEO que junto com...
