Capítulo 17 - Selena Piacessi

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Minha boca está seca, dolorida e minha cabeça lateja pulsante.

Tento falar, mas sinto o cano que fecha minha garganta. A enfermeira, surge do nada e começa a fazer alguns procedimentos pra na sequência tirar o soro e o tubo.

_ Olá Selena, meu nome é Ellen e sou enfermeira. Vou tirar o soro e o respirador de você e isso pode ser um pouco incomodo. – Ela fala suavemente, como se eu fosse uma criança. Preciso que respire fundo. Okay. – Conta até três e começa a puxar algo da minha boca. _ Você chegou ontem com um pouco de saturação e o doutor Meiwa achou por bem entubá-la. Mas graças a Deus você se recuperou muito bem.

Assim que o tubo sai ela me oferece água e diz pra eu beber aos poucos e bem devagar. Coloco a mão livre, no lado esquerdo da minha cabeça que dói, mas assim que levo a mão a dor piora e eu solto um gemido.

_ Ei. Calminha com essa mão mocinha. – Ela fala descendo minha mãe com cuidado. _ Você caiu e bateu a cabeça. Ou bateu a cabeça e caiu. Não sabemos a ordem disso ainda, mas o fato é que há um enorme galo na sua cabeça, está bastante inchada e não pode colocar as mãos por enquanto.

Ela começa a falar sobre os procedimentos que fará comigo.

Vai me dar um banho de esponja, mas assim que for possível, precisarei tomar um banho de chuveiro e lavar a cabeça, pois ela não conseguiu tirar o excesso de sangue do cabelo e precisa higienizar direito o local do corte, uma vez que rasparam meu cabelo ali...

Ela diz que minha mãe e minha prima estiveram aqui a manhã toda, mas que como eu estava dormindo, o tal doutor Meiwa as mandou embora. Aparentemente elas voltariam mais tarde.

Sim eu havia batido a cabeça, mas não estava com amnésia ainda e até onde sabia eu só tinha uma irmã. Graças a Deus, não tinha mãe e nunca soube que tinha parentes, seja por parte de mãe ou pai. Até tive por parte de mãe, mas eles nunca ligaram pra nós.

Ela terminou de fazer minha higiene, colocou um novo soro e se foi. E eu novamente, dormi profunda e deliciosamente. Uma dadiva da medicação que nos apaga e nos leva além da terra dos pesadelos.

Acordei com a mesma enfermeira me chamando para que eu tentasse me alimentar. Era um tipo de caldo, com gosto de fubá que eu tomava pelo canudo.

_ Olha só. Já está se alimentando. Muito bom Selena. - Entra um senhor japonês, eu acho, de jaleco branco. _ Eu sou o Dr. Meiwa, seu médico. E essa é a doutora Adriana Meirelles, ela é psicoterapeuta. E gostaríamos de conversar um pouquinho com você, tudo bem?

_ Okay. – Falo, sentindo a garganta doer um pouco, penso que seja por causa do tubo e me sentindo um tanto quanto incomodada com a presença da tal médica, agora que sei sua especialidade.

_ Certo. Sabe como veio parar aqui? – balanço minha cabeça negando. _ Certo. A Margaret trouxe você. Você chegou desmaiada e sangrando. Havia um frasco de um antipsicótico com você. Tinha um pequeno rasgo na cabeça. Essa, é a parte que sabemos com certeza. – Ele fala devagar, enquanto ao lado a outra médica sonda minhas reações. _ O que quero entender, é o que aconteceu pra você chegar nessa condição.

Olho para ambos os médicos na minha frente e sinto o suor em minhas costas escorrer, minhas mãos suarem e começo a tremer novamente.

A tal doutora Meirelles, chega mais perto e segura minhas mãos.

_ Olha pra mim. – Ela diz num comando e numa segurança que não tem como recuar. _Respire Selena. Respire rapidamente... assim como eu. – Ela passa a soprar rapidamente o ar pra fora e eu a copio. _ Agora, faremos uma respiração mais profunda. Respirando pela boca e soltando pelo nariz. – Repito conforme ela sugere. _ Muito bem, você tem o controle do seu corpo, das suas emoções. O controle é todo seu, sempre seu Selena. Lembre-se disso.

JUNTANDO OS PEDAÇOSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora