Capítulo 12 - Selena Piacessi

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A manhã de Natal foi um tanto quanto estranha.

Minha irmã estava radiante, uma vez que a viagem que Fred faria naquele dia tinha sido transferida para outra pessoa e ela poderia aproveitar o marido ao máximo.

No caso, essa outra pessoa era Tristan.

Eu sabia que alguém tinha saído de madrugada, afinal o quarto onde eu estava, tinha uma bela vista para o jardim e para a lateral do portão e da garagem, mas nunca imaginei que tinha sido ele a sair.

Cecil não queria que Fred a deixasse sozinha gravida e com Timothy tão pequeno, uma vez que Maggie tinha compromissos aquela semana e eu tinha que trabalhar.

Aparentemente, essa foi a maneira que eles "arrumaram" para que todos ficassem felizes. Todos, menos eu. Mas, ninguém precisava saber disso.

Eles passaram a manhã abrindo presentes, comendo bobagens e vendo reprises natalinas. Como não tinha tido tempo de sair, dei vale compras para todo mundo com o mesmo valor.

Eu ficava com vergonha de dar aquela quantia irrisória para eles, tendo em vista que eles tinham dinheiro e aquilo era mais como uma gorjeta, mas eu estava acertando as prestações da faculdade e também precisava procurar outro lugar pra morar, uma vez que o dono pediu minha quitinete e eu tinha que guardar dinheiro para o novo aluguel e para meu futuro empreendimento, meu próprio apê, que ainda guardava segredo de todos pois não queria ninguém dando palpites ou me oferendo opções segundo suas escolhas.

A verdade era que eu nunca me ligava muito nessa coisa de presente. Fossem eles de Natal, aniversário ou qualquer uma dessas datas. Mas eu me esforçava pra participar dessas festividades porque Cecil simplesmente amava, mas pra mim, era sempre só mais um dia que demorava demais a passar.

Por isso, não dei muita bola para os presentes que me deram. Na verdade, estava tão absorta pensando em Tristan, que nem abri meus presentes.

_ Selly. – Chama Cecilia. _ Não seja grosseira, abra seus presentes e agradeça por favor.

Assim que Cecil me dá seu ultimato, ela sai do jardim de inverno onde me encontro e obrigatoriamente sigo atrás dela.

_ Vem titia só fata vochê pla dá e abli os plesentes. – diz o pequeno Timothy, com seu linguajar todo enrolado.

Pego a pequena caixa de sapato que deixei embaixo da arvore, a abro e saio distribuindo os pequenos cartões de vale presente iguais, para todos. Deixando apenas o que seria de Tristan dentro dela.

_ É... bem... Foi meio corrido esse final de ano e eu ando meio sem grana, como sabem comecei a trabalhar tem pouco tempo... então... é isso.

Nem preciso olhar para o rosto de Cecil pra saber que ela está me fuzilando com o olhar, mas, arrisco mesmo assim e me arrependo no mesmo instante que faço.

Cecil está em forma de pavio, vermelha e com a mão na cintura, pronta pra estourar a qualquer momento. Sei que quando ela fica assim algo muito ruim vem por aí, mas nada me preparou para aquela bomba atômica.

_ Que merda é essa Selena???? Acha que o resto de nós aqui é tudo atoa? Ninguém aqui trabalha? Eu trabalho, ajudo Fred com a administração das boates. Tenho filho, marido e uma casa pra cuidar, mas nunca deixei de comprar uma lembrancinha pra ninguém. E ninguém aqui está preocupado com o valor do que se dá. Quando perco alguns momentos do meu dia comprando algo pra alguém, isso quer dizer que eu me importo e tenho cuidado com aquela pessoa que considero, que amo. E você se quer se deu o trabalho de comprar um brinquedo para seu afilhado, seu sobrinho. Você trabalha na porra de uma fábrica de brinquedo. O que ele vai fazer com um cartão Selena, acha que ele vai sair por ai de loja em loja sozinho procurando algo que ele goste. Porque obviamente ele tem idade pra isso, né. Melhor..., você deve achar que eu ou o Fred não temos trabalho, nenhuma ocupação e já que estamos com a vida ganha, podemos ficar passeando por aí pra achar alguma coisa, porque claro você está ocupada demais pra perder tempo com isso. Que merda. Que falta de consideração, onde foi que errei com você.

JUNTANDO OS PEDAÇOSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora