Capítulo 7

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No mesmo instante já estava Marcello e Fabiana do meu lado.

- Oh Deuses dos Deuses. – diz Marcello olhando Peter se afastar e virando para mim. - O que foi aquilo?

- Helô. O que foi que ele estava te falando para você ficar com essa cara de besta? – pergunta Fabiana rindo.

Cara de besta? Como assim? – pensei comigo. – Procuro um espelho para que eu possa ver meu rosto. Realmente, estou com uma cara de besta. Isso me faz rir, e rir alto com eles.

- Alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou? – pergunto a eles as gargalhadas.

- Meu bem, a menos que eu esteja muito enganado, esse caminhão se chama Peter Louis, é riquíssimo e pelo que percebi, ele não vai querer fugir sem prestar socorro. – diz Marcello.

- Sorte a minha então. – disparo fazendo eles rirem de novo.

Conto a eles de forma resumida tudo que conversamos, claro que não querendo dar o braço a torcer, conto tudo com tom de indiferença, mas por dentro algo me diz que estava certa de manhã. Aquela noite ia ser uma noite inesquecível.

Ficamos por alguns segundos em silencio. Mas Marcello interrompe nossos pensamentos.

- Ok, vamos ver onde fica a pista de dança. – diz ele olhando para mim. – Acho que você tem uma dança programada com seu príncipe encantado, Srta. Cinderela. – ele pisca pra mim. – Antes que esse encanto se vá com o soar do relógio. – ele olha para o relógio e vê que já são quase meia-noite. – Acho melhor irmos rápido, seu tempo está se esgotando.

- Ora Marcello.- digo a ele. – Não se preocupe, eu sou uma Cinderela moderna. Não preciso voltar antes da meia noite.

Todos nós rimos e nos dirigimos para próximo da pista de dança.

Alguns minutos se passaram, talvez até uma hora inteira, não sei bem ao certo. E nenhum sinal do Deus Latino. Pelo menos a banda ainda não começou tocar. Pelo o que eu pude ver no encarte do convite desta festa, hoje irá tocar uma banda chamada " All Mixed Up" ... "Tudo Misturado" e com um mix de músicas desde os anos 80 até atualidades. Bem da forma que fazemos no Brasil – pensei.

A voz de um homem invade as caixas de som. É um senhor de meia idade vestido em fino e bem cortado smoking.

– Senhoras e Senhores, tenho prazer de informar que a banda iniciara seus trabalhos agora. Quero que esqueçam suas posições sociais hoje e se acabem. – ele ri e a multidão ri junto. – Com vocês, All Mixed Up.

Os convidados explodem em aplausos e gritinhos de entusiasmo. Eu mal pude acreditar quando a banda começou tocar e a primeira música era Banho de Lua da cantora brasileira Celly Campello de 1976.

- Gente! Essa música é sensação nas festas de época lá no Brasil. – disse olhando para eles. – Lembra Fabi como a gente dançava essa música nas nossas baladas?

Nós duas rimos e começamos a dançar que nem loucas. As pessoas olhavam para gente se divertindo com a música, provavelmente pensando o que aquela música poderia ter de tão legal. Ou elas não sabiam que nós éramos brasileiras, ou elas achavam que éramos loucas.

- Muito bom. – Fabiana diz. – Nunca vi uma banda daqui tocar músicas assim. Ainda mais brasileiras.

A música acabou e muitas outras vieram. E nada do Deus Latino.

- Algum sinal do seu príncipe, Srta. Cinderela? – perguntou Marcello a mim.

Olhei em volta e nada.

- Não. – respondo sem mostrar interesse.

Começou tocar uma música da Cyndi Lauper e algumas pessoas se empolgando com as melodias. Agora no salão se escuta a voz do vocalista pedindo para que todos peguem seus pares pois a próxima música era linda e romântica e valia a pena dançar de rosto colado.

Frio na espinha. Ele está próximo, posso sentir. E antes que termine de formar meu pensamento sinto uma mão no meu ombro, olho para trás e lá esta ele. Como pode alguém ser tão bonito assim?

- Posso cobrar minha dança agora senhorita? – pergunta Peter.

Balanço a cabeça afirmando. Passo minha taça de champanhe para Fabiana que me olha embasbacada e vou para o centro da pista. No momento em que nos dirigimos para nossa dança, a banda começou tocar e cantar "My All" (Meu tudo) da Mariah Carey. Uma música linda que também marcou minha adolescência.

Peter se posicionou na minha frente, colocou sua mão direita na minha cintura e com a esquerda pegou minha mão direta, e para minha surpresa, ao invés de esticar o braço ele flexiona e coloca nossas mãos juntas ao seu peito. Não tive reação. Apenas aceitei e fiquei enfeitiçada com aquele momento. Aproximei o meu rosto do dele. Pude sentir seu perfume, nossa, que perfume. Cheiro de Homem.

- Eu não sei dançar muito bem, Sr. Louis. – falei para ele.

- Pode me chamar de Peter, Heloisa. – disse ele usando meu primeiro nome. Isso, aqui no país significa intimidade, ou pelo menos, que quer ter intimidade. – E eu sei que você sabe e gosta de dançar. Eu vi você dançando a pouco com a Srta. Oliveira. – ele afastou um pouco o rosto de sorriu para mim.

Dei uma risada gostosa.

- Ai que vergonha. – disse a ele. – Acho que perdemos a linha da sociedade.

- Eu adorei ver você se divertindo tanto. – ele faz uma pausa. – Você dança muito bem.

- Obrigada. – eu agradeço. – Você também.

Nesse momento os últimos acordes da musica tocam no ar e para finalizar de forma teatral, ele dobra seu joelho esquerdo e me deita nele, aproxima seu rosto do meu, neste momento eu até posso sentir o seu hálito suave misto de álcool e hortelã. Nossos rostos estão a menos de 2 centímetros eu fecho meus olhos esperando um beijo, mas ele não vem. Peter me puxa abruptamente e me põe em pé com um sorriso quase demoníaco. Me dá um beijo demorado na bochecha e sussurra no meu ouvido.

- Obrigada pela dança, Heloisa. Com certeza vou dormir muito melhor essa noite. – ele afasta uma mecha de cabelo que se soltou do meu penteado, depois dessa encenação toda. – E com certeza vou ter um motivo melhor ainda para acordar amanhã. – ele sorri, tira um papel do seu bolso, põe no meu decote e se vai.

Outra música já encheu o salão e eu nem sei qual é, pois meus sentidos todos ainda estão atordoados. Como assim ele me deixa nessa situação e vai embora? Balanço a cabeça de um lado do outro como se estivesse me forçando a acordar.



Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora