Capítulo 50

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Quando acordei, estava sozinha na cama. O sol já estava alto e no relógio de cabeceira marcavam dez e meia da manhã.

Olhei em volta e achei Peter sentado no chão da varanda de pernas esticadas e cruzadas e olhos fechados.

- Peter? – chamei me sentando na cama.

Ele levantou em um salto impressionante e veio até mim.

- Bom dia meu amor. – disse me puxando para seus braços e beijando minha boca. – Estava esperando você acordar. Não queria encarar meus pais sozinho.

Apesar da nota triste em sua voz eu me apeguei ao tom de necessidade quando ele disse que me queria com ele. Meu coração chega a doer nessas horas.

- Por que não me acordou então?

- Não faz muito tempo que levantei. Já ia te acordar. – eu sei que ele não ia, mas deixei passar.

Depois que fiz minha higiene matinal, coloquei um vestido curtinho azul turquesa que era rodado e descemos para tomar café.

A mesa estava posta, porém sem ninguém sentado nela. Parece que o publico daquela casa estava esperando somente que nós dois aparecêssemos para poder dar o ar da graça. Assim que nos sentamos, todos apareceram ao mesmo tempo. Nathan, Gabriel e Kathy surgiram escada abaixo e Leonard e Rebecca entraram pela porta do deck.

Uma chuva de "bom dia" foi disparada.

O clima estava tenso na mesa e Peter começou a falar mesmo com o olhar suplicante de Nathan pedindo para não contar nada. Não sei se ele não se sentia a vontade pois nós estávamos ali, ou se por que simplesmente não queria que os pais soubessem.

- Bom, acho que o Nathan tem algo para contar para vocês. – Peter começou de forma natural mostrando tranquilidade, mas a julgar pela apreensão que eles estava a poucos minutos e pelo pouco que conheço dele, ele devia estar tremendo por dentro.

Todos os rostos se viraram para Nathan que se manteve quieto encarando a xicara de café em sua mão. Como ele não fez menção de contar nada a ninguém, meu namorado tomou a frente.

- Já que você não fala, falo eu.

- Não. Pode deixar. – Nathan tomou a frente com um suspiro pesado. – Suas suspeitas estavam certas, pai. Eu estava mesmo traficando drogas.

Soltou de uma vez só e meu sogro, em um rompante, socou a mesa e se levantou com tudo, derrubando a cadeira para trás, deixando todos nós assustados e o um Nathan visivelmente amuado.

- O que?! – esbravejou ficando em um tom vermelho preocupante.

Peter, com calma, se levantou e tocou o ombro do pai.

- Se acalma, pai. Ele vai explicar.

Depois da possível calma instalada a mesa novamente eu disse.

- Acho melhor eu e Gabriel esperarmos lá fora. Esse assunto não diz respeito a nós.

Meu irmão e eu já estávamos nos levantando quando Rebecca nos interrompeu.

- Não querida, eu faço questão que vocês fiquem. Sinto que vocês já fazem parte da família. – ela sorri. – Mas agradeço a intenção de ser discreta.

Eu ia contestar, mas Gabriel deu de ombros, obviamente curioso com o desenrolar da historia, e voltou a sentar. Fiz o mesmo e Peter pegou em minha mão por baixo da mesa.

Nathan voltou a falar.

- Eu quero deixar claro aqui que eu não uso drogas a um bom tempo.

- E por que você não esta mais usando, se achou no direito de ir vender essas merdas para outras pessoas? – Leonard está ficando cada vez mais nervoso.

Peter apenas balançou a cabeça para o pai, que no mesmo momento se calou.

- Não pai, eu estou fazendo isso por que estou sendo chantageado. – meu cunhado estava envergonhado e ao mesmo tempo podia sentir a revolta que ele tinha na voz.

Até ai, Gabriel, Kathy e eu sabíamos da historia, então não ficamos surpresos. Mas meus sogros ficaram naquela mistura de surpresa e desconfiança.

- Eu sei que nunca fui a perfeição de filho que Peter é, e nem a delicadeza de criatura que a Kathy é, mas eu nunca quis decepcionar vocês. – Rebecca e Kathy começaram a chorar sem fazer barulho e eu puder perceber Leonard engolir em seco. – A única forma que eu vi naquela época de me fazer notável, era me metendo com drogas, mas me arrependi, vocês podem ter certeza disso. Então, da mesma forma que eu comecei, eu parei.

- Vocês sempre foram amados do mesmo jeito meu filho.

- Não estou dizendo que não éramos, mãe. – ele sorriu para a mãe que estava a seu lado. – E foi justamente por isso. No meu mundo particular, eu achava que não era justo, eles terem o mesmo tratamento que o meu, já que eu era o único filho de sangue.

- Por que nunca nos contou que isso te incomodava? – Leonard estava com a fisionomia triste.

- Nunca pensei que fosse preciso falar, pai. Sempre achei que estivesse claro.

E nesse momento eu olhei para Kathy, pois ela já havia cantado essa bola para Rebecca e eu no deck ontem a tarde. Talvez ela estivesse com a razão.

- Quem está te chantageando e porque? – o pai voltou a questionar.

Peter tomou a frente.

- Um dos traficantes mais barra pesada aqui da região, chamado Cobra. – ele olhou para o irmão que agora tinha os olhos cheio de água. E então começou a narrar toda nossa trama de ontem. Quando terminou, completou. – Nathan está sendo chantageado por minha causa.

Virei minha cabeça para ele numa velocidade tão impressionante que eu achei que tinha encarnado a menina do exorcista.

- Como é?! – muitas vozes perguntaram ao mesmo tempo.

- O Cobra descobriu sobre a aversão de Peter pelos pais biológicos, não sei bem como, mas soube. – Nathan passou a narrar. - E quando ele viu em mim um potencial "laranja" jogou essa merda toda na minha cara. Disse que sabia que ele tinha ido embora pra fugir dos pais e que os conhecia. Se eu não fizesse exatamente o que ele estava pedindo, iria passar todas as informações de localização de Peter em Manhattan.

Peter apertou minha mão por baixo da mesa e eu devolvi com um aperto de consolo.

O "menino mal" estava se mostrando um pequeno herói tentando manter a localização de seu irmão mais velho em sigilo.

Percebi as feições de Leonard se desarmarem e uma risada histérica de Rebecca nos tirou do devaneio preocupado de toda aquela situação.

- O que é tão engraçado, mãe? – Kathy perguntou de uma forma estranha.

Rebecca se recompôs, com uma das mãos ela pegou a do marido e a outra ela pegou a de Nathan.

- Esse Cobra está te enganando, Nathan. Eu sei como desfazer essa palhaçada. – disse olhando para todos na mesa. Então fixou os olhos em seu marido. – Na verdade, nós sabemos, não é querido?!

Leonard sorriu de forma apaixonada para esposa e apenas assentiu.


**** ahaaaaaaaa..... o que será que os lindos Loius sabem pra desfazer essa merda, hein???

Aguardemos...


Bjos bjos;) ****

Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora