Capítulo 16

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Passamos a tarde toda e o inicio da noite no sofá. Quase em silencio. As vezes Peter me perguntava se eu estava bem, se eu queria alguma coisa, se ele podia fazer algo por mim.

A verdade era que eu não estava bem, tinha perdido pessoas importantes na minha vida. A verdade era que eu não queria mais nada além de me afundar nos travesseiros e dormir para esquecer o que tinha acontecido, talvez quando acordasse, tudo não teria passado de um pesadelo. A verdade era que a única coisa que eu queria que ele fizesse para mim, era me deixar sozinha.

Mas eu sabia que isso não ia acontecer. Peter já se mostrou interessado o bastante para cuidar de mim e preocupado o suficiente para ir embora.

Meu corpo estava exausto e eu precisa estica-lo na cama.

- Eu vou para cama. – informo a Peter, já me levantando de seu colo.

- Eu gostaria de ficar para cuidar de você. – ele pede.

- Não precisa Peter. – digo, caminhando para cozinha, eu precisava de um copo d'agua fresca. – Vá para casa e descanse um pouco.

Ele se levanta e vem atrás de mim, se debruça sobre a mureta da cozinha e fica me olhando beber agua.

- É sério Peter, eu estou bem. Vou para cama e com certeza vou adormecer logo. – tomo outro gole de água. – E amanhã, tem mais coisas para resolver. – faço uma pausa. - Não precisa ficar.

- Não precisa, mas eu quero. – ele dá a volta na mureta e para de frente pra mim. Coloca uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha e pede quase sussurrando. – Deixa eu ficar? Por favor.

Ele estava muito próximo. Encostei a cabeça em seu peito e respirei fundo.

- Não acho que seja apropriado você dormir comigo depois de uma tragédia dessas. Eu simplesmente não estou com cabeça para essas coisas. – digo.

Ele me encara com olhar confuso, e como um estalo entende o que eu disse.

- Ei! Que coisas? Que tipo de monstro você acha que eu sou? – ele parecia ofendido. – Eu só quero cuidar de você Heloisa. Nada mais. Se você preferir, eu posso dormir no sofá. Só não quero te deixar sozinha.

Eu estava muito cansada emocionalmente para tentar discutir com ele sobre ficar ou não na minha casa. Por fim acabo concordando.

- Tudo bem. Já que você insiste. – dou um sorriso forçado.

Ele sorri de volta e vejo sua satisfação nos olhos.

Me oferece o braço e eu aceito, e caminhamos até o quarto.

- Posso colocar você na cama? – pergunta Peter.

Dou uma risadinha.

- Você esta levando a sério mesmo essa história de cuidar de mim, não é?

Entramos no quarto e eu paro na frente da cama.

- Ah sim. Eu levo tudo muito a sério Srta. Sanches. – ele pisca pra mim e se aproxima da cama também. Levanta a colcha que esta estendida nela e acena para que eu deite.

Eu deixo meus chinelos na beirada da cama e me deito. Ele ajeita a colcha e me cobre. Senta-se ao meu lado e passa a mão nos meus cabelos.

- Durma bem, minha linda. – ele se abaixa e deixa um selinho suave e demorado na minha boca. – Se precisar de mim, estarei logo ali no sofá. – ele aponta para a porta aberta do meu quarto, em direção da sala.

Naquele momento eu percebi que não estava preparada para ficar sozinha. Então, sem pensar muito no meu ato, eu pulo para o outro lado da cama, levanto a colcha novamente como um gesto, pedindo para que ele se junte a mim.

Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora