Capítulo 38

5.3K 588 14
                                        

Paramos no meu restaurante favorito no caminho de casa. Meu celular tocou novamente, eu sabia que era Peter e iria até atender, mas antes que pudesse acha-lo na minha bolsa, parou de tocar.

Olhei o visor e confirmei ser ele. Mandei uma mensagem.

Estou com meu irmão. Paramos para comer num restaurante perto de casa. Te ligo depois.

Heloisa.

Gabriel somente me olhou desconfiado.

- Pode atender se quiser. Não me importo.

- Não tudo bem. Já resolvi. – respondo já guardando o celular na bolsa.

Sorri e enquanto aguardamos os nossos pedidos ele quis saber de tudo o que tinha acontecido por aqui.

- Nossa eu fiquei chocado com a morte da Fabi. Imagino que você também. – ele passou a mão por cima da mesa e agarrou a minha. – Eu sei o quanto você a amava.

- Foi uma barra mesmo, mas as coisas se ajeitam.

Sorrio para ele mas sem animação.

Conto tudo pra ele. Da minha chegada, a descoberta de Marcello em mim uma modelo Plus, da fama repentina, do Peter, dos traumas dele, dos acontecimentos do Canada e o reencontro estranho no aeroporto. Foi bom colocar tudo pra fora para uma pessoa totalmente imparcial.

Nesse meio tempo, nossa comida chegou, comemos e bebemos e Gabriel continuou calado escutando tudo.

- Uau!!! Vida agitada a sua aqui hein?! – ele riu e piscou. – Mas Helo, está na sua cara que você gosta desse cara e pelo pouco que eu pude perceber ele também é louco por você. Porque tanto drama em ficar juntos?

- Biel, não vejo uma forma disso dar certo. Primeiro pelo trauma dele, como vamos conseguir seguir uma vida normal comigo na mídia e ele não? E agora essa ceninha ridícula de ciúmes. – suspiro desgostosa. – Ele o Deus Latino mais complicado que já conheci.

- Deus Latino? – Gabriel ergueu uma sobrancelha rindo.

- Cala boca. – estreitei meus olhos para ele e ri também. – Chega, não quero mais te aborrecer com isso. E você, me conta tudo.

- Tudo na mesma. Na empresa tudo bem, consegui aquela promoção um pouco antes de você vim pra cá e desde então me dedico ao máximo. Conheci uma menina legal. – ele sobe e desce com a sobrancelha e eu rio. – Mas depois descobri que ela não era tão legal assim e peguei ela dando mole pro Gustavo, aquele meu amigo da faculdade.

- Não acredito?! Que cretina.

- Pois é. Mas bola pra frente, ainda bem que não estava tão envolvido assim e foi fácil fazer a fila andar.

Rimos juntos e senti uma mão no meu ombro. Quando olhei pra tras e pra cima vi um Peter sorridente ao meu lado. Cuspi toda bebida que estava na minha boca e por pouco não molho o Gabriel. Meu coração falhou e voltou a bater.

Fiquei muda e Gabriel olhava de mim para Peter sem entender nada.

- Deu um pouquinho de trabalho, mas achei vocês. Perguntei onde vocês estavam, como não respondeu deduzi que estivessem aqui. – Peter falou olhando para mim e me dei um selinho na boca.

- Ah, me desculpa, voltei o celular na bolsa não devo ter escutado tocar. – voltando aos poucos a mim, apresentei Gabriel a ele. – Hum... esse é meu irmão mais novo Gabriel e esse é Peter...

- O namorado dela. É um prazer conhecer você Gabriel.

- Namorado? Você não me disse que estava namorando Helo. – Gabriel me olhou divertido e apertou a mão que Peter estendia. – Prazer é meu Peter. Não quer se sentar com a gente?

Namorado? Hein? Não sei se o choque da revelação ou o dele ter chegado aqui do nada, me fizeram ficar muda. Fiquei totalmente sem reação. Por dentro meu coração dava cambalhota de felicidade, afinal ele havia assumido a um parente meu que era meu namorado. Mas minha razão me esmurrava por dentro dizendo o quanto isso é conveniente pra ele. Causa uma puta cena, se arrepende e agora vem se redimir.

Urgh!!! Que raiva.

Mas se ele quer jogar esse jogo, eu jogo também.

- Pois é Biel. Surpresa!!!!! Eis meu namorado aqui.- sorrio para Peter, mas ele entendeu que tem muito o que se explicar. – Na verdade eu também estou um pouco surpresa, sabe? Ate bem pouco tempo eu era apenas uma amiga dele. Não é mesmo Peter?

Gabriel que não é besta nem nada, entendeu meu joguinho e entrou na dança.

- Ah é? – fingiu estar zangado e se virou para Peter. – Quais suas intenções com minha irmã?

Peter ficou totalmente desconcertado. Ótimo. Paguei na mesma moeda.

- As melhores. Pode ter certeza Gabriel. – ele olhou para mim pedindo ajuda, mas de mim não teria. – Afinal, a Lolô é muito especial para mim.

Golpe baixo. Muito baixo. Usando aquele apelido que Gabriel colocou em mim ainda quando nem conseguia falar direito, fez todos nós gargalharmos.

O restante do jantar foi leve e descontraído. Ora Peter me abraçava. Ora ele colocava a mão na minha coxa. Beijava minha bochecha ou minha mão.

Conquistou logo Gabriel. Fala sério! Acho que ele conquistaria até meu pai com todo aquele jeito de durão.

Pedimos a conta e Peter fez questão de pagar. Nem liguei.

- Vou levar vocês. Meu carro está parado ali. – apontou para o outro lado da rua.

Gabriel assobiou em contento com o estilo do automóvel.

- Não vai atrapalhar?

- Claro que não. Já terminei tudo o que tinha que fazer na empresa hoje.

Assenti. Gabriel jogou, literalmente, suas malas no porta mala e sentou no banco de trás, me dando privacidade de sentar na frente com Peter.

O caminho foi feito num silencio confortável e em pouco tempo estávamos estacionando.

- Quer subir? – perguntei a Peter.

Ele me retribuiu com um sorriso tão grande que eu me aqueci.

- Claro.

Ele ajudou com as malas e quando entramos no apartamento, uma Meg enlouquecida veio nos receber.

- Ei, você é a famosa Meg? – Gabriel se abaixou e acariciou a minha amiga de pelo. – Ela é linda Helo.

- É sim, e muito danada também.

- Imagino. O apartamento é bem legal também. Fico feliz de você estar bem estalada.

Peter estava de braços cruzados encostado na parede da cozinha.

- Vem, vou te mostrar onde fica seu quarto. – me virei para meu Deus Latino. – Já venho.

Ele assentiu e foi se sentar no sofá, levando a puxa saco da Meg na sua cola.

- Esse aqui é seu quarto enquanto estiver por aqui. Aqui é o seu banheiro e fique a vontade. - disse ao meu irmão assim que entramos no comodo. 

Gabriel jogou as malas na cama e se virou para mim.

- Obrigado irmã. – ele me abraçou e beijou minha testa. – Vai lá se resolver com seu homem. Cansado do jeito que estou, vou tomar um banho e dormir até amanhã.

Sorrio pra ele e beijo sua bochecha.

- Te amo irmãozinho. – bagunço seu cabelo como se ainda fosse uma criança.

- Também te amo. Mas você sabe que eu cresci, né? – diz fazendo beicinho.

Rio da cara dele.

- Nem tanto.

Deixo um beijo jogado ao ar pra ele e saio do quarto. Vamos por tudo em pratos limpos agora. Seja o que Deus quiser.


*** Vamos ver se a Helo deixa de palhaçada????

Já tô ficando muito irritada com ela kkkk

Oremos ;) ... bjos bjos ***

Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora