Saímos de braços dados e atravessamos a rua.
Continuamos caminhando pela calçada. Logo ali, depois de uns 3 quarteirões, tinha um bar pequeno mas muito aconchegante. Todo decorado com antigas estrelas do Rock. Tinha mesas para o lado de fora e nos acomodamos em uma delas. Estava uma noite quente e bem propicia para tomar bebidas geladas.
O bar estava lotado de mulheres bonitas em seus vestidos e terninhos de trabalho e homens igualmente elegantes. Provavelmente todos estavam ali terminando sua semana de trabalho com um Happy Hour.
Um garçom veio nos atender.
- O que você vai beber, Helô? – pergunta Marcello.
- Nesse calor... um chopp, bem gelado e sem colarinho.
- Dois chopps então, por favor, e uns petiscos também. – diz Marcello ao garçom.
Em alguns instantes nossas bebidas chegaram. Tomei um longo gole e repousei o copo na mesa.
- Gata, tenho duas proposta para você. Ainda não sei se você vai achar bom ou ruim.
- Ai Marcello, fala logo que eu já estou ficando roxa de curiosidade.
- Bom. Sexta-Feira que vem nós temos uma confraternização caso essas fotos de hoje sejam aprovadas. Nada que você já não tenha se acostumado a fazer.
Fico olhando ele, esperando pelo o que estava prestes a vir. Marcello estava me enrolando, canalha.
- Ok, prossiga. Qual é a bomba real?
Ele toma um gole de seu chopp.
- E a outra coisa, é mais complexa.
Olho pra ele sem dizer nada, apenas esperando pelo baque que com certeza eu vou tomar.
- Você pode achar ruim ou boa. Eu acho muito boa. Para nós dois. – Ele continua.
- Ahhhhhh Marcello... Fala logo. – digo ficando irritada já.
- Ok! Lá vai! – ele faz uma pausa dramática e começa a relatar. – No inicio desta semana, um agente de uma revista canadense entrou em contato comigo. Disseram que viram alguns trabalhos seus e gostaram muito do seu porte físico e sua simpatia nas fotos. – ele faz uma pausa, bebe um gole de chopp e continua. – Você sabia que as modelos canadenses são um pouco irritadas?
Nego com a cabeça e ele continua.
- Pois são. Então eles querem alguém assim, com um sorriso no rosto. E escolheram você.
- E porque eu iria achar ruim?
- Eles querem fazer as fotos já no mês que vem e precisam que a gente fique por uns 10 dias por lá. Talvez mais. – ele para e me olha. - Essa é a parte que eu achei que você fosse achar ruim.
Penso uns segundos e por fim quebro o silencio.
- Mês que vem? Mas eu ia para o Brasil, Marcello. Você sabe que eu preciso resolver umas coisas lá. – digo a ele.
Á umas duas semanas recebi uma ligação do Brasil solicitando que eu estivesse presente o quanto antes fosse possível. Para resolver uns assuntos pendentes. Mas deixaram bem claro que não era nada de urgente. Mesmo assim, queria me ver livre de uma vez por todas.
- Por isso eu falei que não sabia se ia ser bom ou ruim pra você. – ele continua antes que possa interromper. – Eu sei que você precisa ir para o Brasil, Helô. Mas é sua carreira que está em jogo e essas coisas que você tem que ajeitar no seu país, podem muito bem esperar mais um pouco. Já esperaram até agora, não é?
Sim, já esperaram por até agora, podem esperar mais algumas semanas, até meses. Ou até mesmo, eu não precise resolver nunca. Estou confusa agora. Acho que o chopp está fazendo efeito. Por fim eu acabo dando minha resposta.
- Ok! Eu acho ótimo. Para nós dois. – olho pra ele e digo. – Canada nunca mais será a mesma depois da minha visita.
Nós rimos alto e as pessoas das outras mesas nos olharam. Marcello com toda sua delicadeza, fez um gesto de desdém com as duas mãos para cima.
- Não se preocupem. Ela está saindo hoje do sanatório e está comemorando sua cura. – diz ele olhando para as pessoas que nos encaram.
Bato na mão dele para chamar sua atenção, mas acabamos rindo mais e mais alto.
Neste momento percebo que um carro que passava pela rua, reduziu a velocidade até parar. Não dei muita importância. E quando a porta se abre eu quase me enfio embaixo da mesa. Percebendo a minha atitude pouco normal, Marcello olha na direção do carro e quase cai da cadeira também.
- Heloisa Sanches. – Marcello olha pra mim. – Você deve ter bons anjos ao seu lado.
Tento disfarçar e tentar me fazer indiferente.
- Controle-se Marcello. – digo a ele quase em um sussurro. – É só uma coincidência. E se eu tiver sorte mesmo, ele não vai entrar aqui. E se entrar, não virá falar conosco, mas se vier, me prometa que você não vai me deixar sozinha com ele.
Ele nem tem tempo de me dizer que sim ou não. Já sinto a presença dele atrás de mim. Aquele calafrio tão familiar, toma conta de mim agora.
- Que surpresa maravilhosa. – fala Peter, pausadamente, se colocando ao meu lado, com um sorriso que mal cabe no seu belo rosto. – Como vai Srta. Sanches?
- Heloisa. Lembra? – digo ironicamente para ele. – Eu vou muito bem e você Sr. Louis?
Ele me dá um sorriso de canto de boca.
- Peter. Lembra? – me responde no mesmo tom irônico. – Estou muito melhor agora. Com toda certeza.
Ele olha para Marcello e estende a mão para cumprimenta-lo. Eles trocam algumas gentilezas masculina e ele se volta pra mim novamente.
- Posso me sentar com vocês? – pergunta para nós, mas não tira os olhos de mim.
Na boa? Isso me assusta um pouco.
Na esperança que Marcello pudesse me salvar eu olho pra ele.
- Nós estávamos conversando sobre trabalho. – continuo olhando para Marcello. – Algum problema pra você Marcello?
Peter olha para ele e eu aproveito esse momento para negar com a cabeça para Marcello. Mas ele me trai.
- Claro que não! – diz ele sem me encarar. – Junte-se a nós. – ele aponta a cadeira do meu lado.
- Não ia ser só uma bebida, Marcello? – pergunto ainda tentando fazer com ele olhe pra mim.
Peter não espera pelas respostas, obviamente já percebendo meu esforço excessivo em arrumar desculpas para sua saída dali.
- Ótimo, então. – ele bate uma mão na outra e as esfrega. - Vou até o bar fazer meu pedido. É mais rápido. – ele da de ombros e pergunta. – Vocês querem mais uma bebida?
Nós dois assentimos com a cabeça e Peter se afasta até o balcão.
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Preço de um recomeço #Wattys2016
RomanceHeloísa Sanches é uma mulher de 30 anos que se vê sem chão após uma grande decepção em seu casamento com Ricardo. Logo após a separação ela decide que vai tomar outros rumos na sua vida. Desiste de seu emprego, de sua vida no Brasil e decide se aven...
