Capítulo 17

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*** Esse capitulo quero dedicar a uma das leitoras mais assíduas da Helo e do Peter.

@ssheila27 .... Sheilinha, obrigada pelo carinho, você é uma querida***


Por fim o policial só queria confirmar algumas informações de Fabiana e João. Disseram que eles tinham direito á um seguro social que estava avaliado em 500 mil dólares no momento, e que a única beneficiaria era Meg. Isso mesmo, Meg, a bolinha de chocolate que eles chamavam de filha.

- Bem, Srta. Sanches. – disse o policial. – Eu recomendo que a senhora procure o advogado deles e verifique como vai ficar essa história. A cachorra precisa de um novo dono. E até onde sabemos, a Srta. é a única pessoa mais próxima do casal aqui no país.

Marcello e Peter me olham embasbacados. Acho que por conta do valor relativamente alto, deixado para um cão.

- Ok. – digo por fim. – Vou procurar o advogado deles sim. Obrigada policial.

Levei-o até a porta e nos despedimos com apertos de mãos.

Voltei para a sala e me joguei no sofá.

- E ainda mais essa. E agora Gata? – pergunta Marcello.

Balanço a cabeça indicando que não sei o que fazer.

- Não tem outra solução Heloisa. Você terá que ficar com a cachorra. – diz Peter.

Marcello concorda com aceno de cabeça.

- Não posso. Aqui no prédio eles proíbem animais. – digo a eles.

Ficamos os três em silencio, pensando no que fazer a partir daquele ponto. Peter quebra os pensamentos.

- A menos que você entregue esse apartamento e encontre outro que possa receber animais.

Mais alguns minutos de silencio pensativo. Marcello estala os dedos como se tivesse tido uma ideia.

- Melhor ainda. – ele diz, e quando vê que tem nossa total atenção, continua. – Você pode ficar no apartamento que era da Fabiana. Com o seguro social você pode manter o aluguel e Meg não vai precisar sair da casa que ela esta acostumada. Além do mais, muitos trabalhos já estão surgindo e você não precisa ficar mais nesse cubículo.

Os dois me olham esperando que eu dê minha sentença.

- Vamos falar com o advogado primeiro e ver o que ele têm a nos dizer sobre tudo isso. – faço uma pausa e respiro fundo. – Preciso ir ao apartamento deles. Nessa confusão toda, eu me esqueci da Meg. Coitadinha! Ela deve estar chorando e sentindo falta deles.

Eles concordam e eu me levanto do sofá.

- Eu preciso ir para o escritório. –diz Peter. – Eu tenho uma reunião importante agora de manhã. Infelizmente não posso cancelar. Desculpa.

- Não tem problema meu bem. – passo a mão em seu rosto. – Marcello vai comigo. - ele concorda e eu continuo. - Vou me trocar e já venho Marcello. – digo

- Sendo assim, eu já vou indo então. – diz Peter se levantando também. Ele alisa uma ruga invisível em seu jeans e continua. – Gostaria de almoçar com você hoje, mas pelo visto vai ser difícil. Eu te ligo mais tarde, ok?

Eu confirmo com a cabeça, dou um selinho nele e vou para o quarto e fecho a porta. Ouço os dois trocarem mais algumas palavras e logo escuto a porta da frente se fechar.

- Estou pronta. – digo saindo do quarto. – Vamos?

Marcello me acompanha até a porta e saímos. Paramos um taxi e entramos. Dei o endereço do apartamento da Fabiana.

- Vamos ver Meg primeiro. – digo a ele.

Ele concorda.

- Peter ficou furioso comigo. – diz ele.

- Por quê?

E mesmo já sabendo a resposta, eu espero que ele me conte.

- Ele disse que eu tenho o dom de estragar a alegria dele. – ele deu de ombros. – Não sei bem o que isso quer dizer.

Se ele não sabe, não vai ser eu que vou contar. Dou de ombros também mostrando que eu sabia tão pouco quanto ele.

Alguns minutos depois abrimos a porta do apartamento de Fabiana. Meg ouviu o barulho na fechadura e começou a latir. Ela não veio nos encontrar na porta, como fazia sempre. Ela ficou em frente a porta do quarto de Fabiana, esperando que eles a abrissem e fossem brincar com ela.

Meg latia, rosnava, batia a patinha na porta do quarto e quando percebia que nada acontecia, chorava.

Aquela cena acabou comigo. A minha pequena estabilidade emocional que havia adquirido na noite passada, foi embora naquele momento.

Me aproximei da porta e a abri. Meg entrou correndo, procurando por algo que ela nunca mais vai encontrar. Depois de um tempo ela ficou cansada, subiu na cama e se aninhou, com um olhar triste.

O quarto estava arrumado do jeito que Fabiana sempre mantinha quando não estava nele.

Entrei no cômodo e me sentei na cama, bem pertinho da bolinha chocolate. Alisei seu pelo e ela colocou a cabeça no meu colo.

- É Meguinha... acho que agora somos só nós duas. – digo e ela bufa. Até parecia que ela entendia o que eu estava falando e o que estava acontecendo.

Sai do quarto e ela veio atrás com a cabeça baixa. Olhei na lavanderia e seus pratinhos de agua e comida estavam vazios.

Coloquei agua limpa e ração e deixei que ela bebesse e comesse.

Ficamos ali por uma hora aproximadamente e fomos até o escritório do advogado deles.

Expliquei toda situação do seguro social e que queria me mudar para o apartamento deles para cuidar melhor de Meg, e ele me informou que seria totalmente possível que eu tomasse conta de tudo e usasse o dinheiro para o bem do cão. E que não haveria problema algum, pois a família toda de Fabiana e João estavam no Brasil e com certeza não iriam brigar por uma cachorra, mesmo que essa cachorra viesse recheada com 500 mil dólares.

Concordei com as clausulas do contrato que tive que assinar. Basicamente dizia que eu teria que tomar conta de Meg até sua morte.

Saímos do escritório do advogado e fomos ao IML para ajudar no que fosse necessário. Acabamos por comer alguma coisa na rua mesmo e fomos para minha casa.

- Gata, sabe aquelas fotos que você fez na sexta?

Concordo com a cabeça.

- Foram aprovadas. – diz ele. – Eles queriam realizar a tal confraternização nesta sexta, como eu já havia te dito.

- Sem chance Marcello. Eu não estou com cabeça para festa e confraternização essa semana.

- Eu sei disso. Por isso disse que você não poderia comparecer. Relatei para eles o que aconteceu e eles entenderam. – ele faz uma pausa e continua. – Eles remarcaram para o final da outra semana.

Faço uma careta.

- Ok.

- Certo. – ele se levanta.- Vou embora agora, mas eu te ligo. Quando você está pensando em se mudar?

- Essa semana ainda. – digo levando ele até a porta. – Vou conversar com o proprietário deste apartamento e entregar as chaves.

Ele assenti, me dá um beijo na bochecha e vai embora.


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Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora