Capítulo 42

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Após o primeiro minuto de espanto pela reação daquela estranha, eu recuperei meus bons modos e já que a moça demonstrou conhecer meus amigos, não poderia ser assim tão perigosa.

Pelo menos eu esperava que não.

Convidei-a para subir até o meu apartamento e ela aceitou meio que no automático. Subimos no mais completo e constrangedor silencio.

Assim que entramos pela porta, Meg veio correndo receber nossa "visita".

Joana se assustou e deu um passo pra trás, me fazendo esbarrar em cadeira, que caiu fazendo um escândalo desnecessário.

- Me desculpa. Acho que estava distraída e me assustei com o cachorro.

- Não precisa se desculpa. A Meg é toda afoita mesmo.

Ela me olhou e assentiu.

- Sente-se. – disse apontando um dos sofás. – Vou pegar um copo d'água para você.

Peguei um copo no armário e coloquei agua fresca. Pensei se colocava ou não uma colher de açúcar para acalmar. Acabei achando melhor não.

Quando cheguei na sala, Joana estava chorando novamente. Entreguei o copo, que ela aceitou sem questionar e bebeu tudo.

Não falei nada. Esperei que ela se acalmasse e quisesse conversar.

- Como eles morreram? – saiu num fio de voz e foi tudo o que ela disse depois de quase dez minutos no silencio.

- Foi um acidente de carro. – franzi a testa. Porque eu estava falando deles para uma pessoa que eu nem sabia quem era. – Você vai me desculpar Joana, mas estou achando isso muito estranho. Você conhecia os meus amigos de onde?

Ela se levantou, pousou o copo na mesa de centro e caminhou até a janela. Depois de soltar um longo suspiro, voltou a falar.

- Na verdade eu conhecia o João. A Fabiana eu só vi em alguns trabalhos que fizemos juntas.- ela me olhou com um sorriso tímido nos lábios. – Eu também fui modelo aqui.

Ok! Isso explica como se conheceram. Mas não o porque do choque.

- E você não ouviu falar do acidente deles? Passou em todos os canais de TV e saiu reportagens em todas as colunas de jornais.

É um pouco estranho a pessoa não ter ouvido falar.

- Na verdade eu voltei para o Brasil. Tem um pouquinho mais de um ano. – ela voltou a olhar para a janela. Eu nem atrevi a me mover. – E você, quem é?

Bom, um terreno em que eu posso pisar sem ter medo.

- Sou amiga da Fabiana desde quando éramos crianças. Vim visita-la em Abril e acabei ficando por aqui. – não sei o que me deu, mas tive vontade de contar tudo. – Acabei sendo descoberta por um caça talentos e fiz carreira na moda também.

Ela se virou para mim e me avaliou de cima a baixo. Não com repulsa, apenas com curiosidade.

- Plus Size. – expliquei.

Ela assentiu. Caímos no silencio novamente.

- O João nunca falou de mim para vocês, não é?

Neguei com a cabeça. Porque deveria?

Joana voltou a se sentar no sofá de frente pra mim e a expressão dela me deixou deprimida. Uma mistura de arrependimento, raiva, decepção... sei lá.

- E qual era exatamente seu conhecimento com o João? – perguntei de forma direta e talvez até um pouco sem paciência, pois aquela situação estava me deixando meio cismada.

Preço de um recomeço #Wattys2016Histórias para pegar e não largar. Descubra agora