Capítulo 57

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Um silêncio torturante e impiedoso, se apossou do quarto por alguns breves segundos. Para que logo Alfonso pudesse ouvir apenas um único e inédito som.

O choro de Anahí.

Ela chorava descontrolada, como se a torturassem. Ela sentou-se sobre a cama, soluçando, enquanto as lágrimas caíam teimosamente por seu rosto, o inundando.

Lá estava ela, a mulher que um dia, há muitos anos, se blindou contra qualquer sentimento. Contra qualquer coisa que lhe ligasse a alguém. A dor que ela sentiu no dia que perdeu os pais, foi a dor mais cruel que ela já havia sentido, e havia jurado por eles, que nunca sentiria aquilo novamente. E agora, ao se ver perdendo Alfonso, a dor se repetia, ainda mais maldosa.

Ela se fechou completamente a qualquer forma de amor, carinho e gratidão. Ela não poderia sofrer tudo aquilo novamente! E o que havia acontecido com suas armas de não gostar de ninguém? Pelo amor de Deus! É impossível não se apaixonar quando já se está destinada a uma pessoa.

Alfonso estava estático ainda no mesmo lugar. Ele esperava que saísse tudo da boca dela, menos aquilo.

E pela primeira vez, Alfonso estava a vendo chorar. Pela primeira vez ele a estava vendo como um ser humano, que sofre, que chora, que tem sentimentos, e que ama.

Apesar de tudo, ele estava assustado, ele nunca a vira daquela forma. Céus, ela estava sofrendo! Sua Anahí chorava como uma criança bem na sua frente. 

Ele foi até ela, e a segurando pelos braços, a levantou da cama. Ele olhou o rosto dela, agora de perto e estava encharcado, pálido. Os olhos que ela tentava desviar dos dele, estavam vermelhos de tanto chorar.

Alfonso: O que foi que você disse? –perguntou, e ela gemeu ao ouvir, chorando, tentando se soltar dele, mas ele continuava a segurando firme pelos braços. Ele precisava ouvir outra vez, um medo enorme de tudo ter sido uma ilusão o invadiu. O desejo de ouvir aquelas palavras dela era tão grande, que ele tinha medo de estar ilusionando- Anahí, repita, o que você disse? –perguntou num tom mais alto, a sacudindo. Ela continuava a chorar-

Anahí: Eu amo você! –repetiu, agora entre os soluços que seu choro causava. Levantou o rosto, e ele a encarava, o rosto indecifrável- Eu amo você, Alfonso. –repetiu, agora como se tirassem toneladas de suas costas- Eu me coloquei na frente daquela bala porque eu quis, porque eu não suportaria viver num mundo sem você. –confessou, agora com as lágrimas cessando, o peito subia e descia ofegante- Eu preferiria morrer a isso. Você tem noção disso? Eu estava disposta a dar minha vida no lugar da sua. –falou respirando fundo, a respiração dificultada pelo choro, ainda sendo segurada por ele, o peito doía, e as lagrimas insistiam em voltar- Eu nunca senti isso meu Deus, e não sei como lidar, é cruel, doí demais... –falou abaixando o rosto, sentindo o rosto sendo invadido pelas lágrimas outra vez- Eu não chorava há mais de dez anos, e agora eu só sei chorar. Cada vez que eu vejo você com aquela mosca morta, eu só sinto vontade de chorar. –falou, agora num tom mais alto, repudiando-se- Eu não sei o que fazer, eu só sei que eu amo você, e não aguento mais isso, não... –ela continuaria a frase, mas foi interrompida por Alfonso, que avançou sobre ela, tomando seus lábios desesperadamente-

No primeiro segundo, ele apenas pressionava os lábios contra os dela, com força, a fazendo calar, apenas para senti-la. Mas logo depois, quando ela sentiu a língua dele faminta invadir sua boca, a única coisa que conseguiu fazer, foi retribuir aquele beijo que tanto ansiava.

Os lábios pareciam derreter ao se tocarem, Alfonso a apertava ainda a segurando pelos braços. O corpo dela pequeno e frágil em suas mãos era tudo o que ele desejou a vida inteira, sem nem ao menos conhecê-la. A vida só havia feito sentindo depois que ela se apresentou a ele. Depois daquele dia, nada mais tinha o menor interesse, sem ela. 

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Amores, corri aqui com esse capítulo só para não deixá-las ansiosas hahahah'
Agora, só poderei postar sábado ou domingo. Prometo recompensar.
Espero que tenham gostado dos caps de hoje, e ficarei de olhos nos comentários... 
Bjs ;*

Criminal Love.Onde histórias criam vida. Descubra agora