Capítulo 73

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Era manhã, e era mais um dia na vida de Alfonso. Mais um dia preso, e mais um dia sem sua Anahí. Uma sirene soava alto nos corredores e ecoava dentro das celas. As costas doíam do fino e duro colchão da beliche no qual passava a noite, ainda que a maioria dela fosse em claro.

Ele se levantou, indo para o banho coletivo. Era horrível, mas era a única opção que tinha. Logo depois, todos se dirigiam ao refeitório para o café da manhã. Café preto e pão com manteiga. Todos os dias.

Que maravilha.

Às dez horas, todos saíam para o banho de sol. E era a única hora do dia em que Alfonso via o céu e respirava o ar puro, que somente ali era capaz de sentir. Ele como sempre, se isolava sentado ao chão num canto onde o sol batia, e ficava todo o tempo que lhe proporcionavam naquele modo.

Ele sempre pensava em Anahí quando sua pele começava a sentir o calor do sol, lembrava muito a forma que ela lhe fazia sentir com seus calorosos beijos. E era a melhor parte do seu dia desde todos aqueles dias, preso. Ele lembrava do olhar dela sobre ele, do sorriso, do toque...

E tudo que ele ouvia era um zumbido.

Ele olhou ao seu redor, e um muro enorme que os cercavam desmoronou com alguns explosivos. Alguns homens que estavam por ali, se feriram, junto com alguns policiais. Logo, do outro lado da área de lazer, outra explosão. E outra, e outra... Até tudo estar em chamas.

Ele tentou entrar na área coberta do presidio, mas tudo estava sob o comando de fogo e fumaça, assim como a parte aberta. Os policiais corriam desesperados atrás de alguns presos, enquanto outros tentavam socorrer os milhares de feridos.

(deem o play acima)

Ele correu para um canto, o que menos foi atingido pelo fogo. E de lá, ele os viu. Christopher e Theo a frente, ambos com uma metralhadora atirando em todos a sua frente. Logo atrás, Pedro atirava para os lados. Ele se levantou, tentando se aproximar, e antes de pudesse chegar até eles. Ele a viu.

Todo mundo vem com cicatrizes...

Ela estava com uma calça jeans e uma blusa preta, e apesar dos óculos escuros e do boné cobrindo seu rosto, ele a reconheceria até a quilômetros de distância. Ele viu os olhos dela varrerem todo o lugar, e com uma ansiedade absurda, se colocou a mira daqueles lindos olhos azuis.

Mas você pode amar até que elas desapareçam.

Ela parou o andar assim que o viu, ainda de longe. O coração pulava dentro do peito lendo a mensagem que seus olhos mandavam. Ele sorriu, abaixando a cabeça e a balançando negativamente, para logo a erguer novamente e ver que ela também sorria.

Eu te disse que não era perfeita...
Você me disse o mesmo.

Nada parecia acontecer ao redor deles. No meio de todo aquele fogo cruzado, literalmente. Eles só conseguiam se ver. Caminhando um para o outro, tudo ao redor deles parecia em modo de pause. Quando eles estavam numa distância em que há muito tempo não ficavam, pararam outra vez. Um encarando o outro, o sorriso dos lábios de Alfonso se foi, e agora ele a olhava sério. Com toda a seriedade que o sentimento que ele tinha por ela lhe exigia.

Ela estava lá com os olhos fixos nele, ofegante e ainda com um sorriso tatuado no rosto. Por nada, tirariam ele de seus lábios.

Podiam os chamar de loucos, por estarem ali, parados se encarando, enquanto o fogo tomava conta do presidio e os amigos atiravam tentando combater os policiais. Sim, eles eram loucos. E não existia ninguém no mundo que pudesse dizer o contrário.

Tudo aconteceu muito rapidamente. Após o transe, os dois avançaram um para o outro e se beijaram, desesperadamente. Um beijo cheio de saudade, cheio de amor e de desejo.

Tudo o que eles eram.

Eu te disse que não era perfeita. De jeito nenhum.


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