Portão Vermelho

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México! Um país que eu nunca imaginei pisar os meus pés.

Saindo do aeroporto havia dois carros a nossa espera. Vidros escuros, homens com o olhar estranho. Eu observava tudo ao meu redor, o modo com as pessoas do México se vestiam. Como eles falavam. Eu não sabia falar claramente espanhol, mas havia aprendido o básico na biblioteca.
Ares cumprimentou com o olhar um dos caras. Ele parecia um robô de tão duro e estranho que era.
Mais à frente ela sorriu para o segundo cara.
Lhe deu um abraço e disse:
- Ainda está com esse corte de cabelo estranho?
Disse sorrindo.
- E você ainda está com aquele casaco antiquado?
Ele retrucou sorrindo alto.
Ares lhe deu um murro de leve puxando seu cabelo.
Ele era tão angelical, tão intimidador. Cabelos sobre o ombro, sorriso astuto. Pele branca e um corpo extraordinário de lindo! Eu estava admirada com tanta beleza em um homem só.
Ele me olhou der repente, tirei meu olhar rapidamente, direcionando-o a Edgar que me olhava com um semblante estranho.

- Olá Senhorita Jully, é um prazer conhecê-la!

O homem disse, me fazendo olha-lo novamente.

- Só Jully, por favor.

Falei me sentindo incomodada com a expressão que ele usava.

Ele assentiu empurrando Ares, que sorriu.
- Ares você e a Jully vem comigo, Edgar vai com o Pablo para a cúpula.
O homem disse com um tom autoritário.
Eu não sabia o seu nome, e parecia que não falaria, caso eu não perguntasse.
Ares assentiu olhando para Edgar que entendeu o recado, entrando no carro e seguindo em frente com o tal de Pablo.

Ficamos só nós três. Ele abriu a porta do carro para mim, agradeci sem jeito e entrei.
Ares sentou-se à frente com ele.
Enquanto eles conversavam eu observava a cidade, linda e movimentada. Vários camelôs na rua vendendo suas mercadorias, carros de todos os modelos. Prédios enormes um mais belo que o outro. As cores fortes que em tudo se destacava. Aquele cheiro de gordura que vinha dos restaurantes. Suspirei e comecei a prestar atenção na conversa de Ares e o desconhecido.

- Como ele está?

- Está bem, não se preocupe.

- Você o visitou?

- Sim Ares.

- Ele já sabe que ela está aqui?

- Creio que sim.

Ares olhou pelo retrovisor, viu meu semblante curioso e encerrou a conversa.
- Ares, onde está a caixa?
Perguntei.

- Você quer continuar?

- Sim Ares, por favor. Respondi com um nó se formando na garganta.
Ela virou-se e me entregou a caixinha, já não mais empoeirada.
À abri lentamente olhando todos aqueles treze envelopes enumerados.
Seguindo a ordem colocada, peguei um e abri.

Querida Jully

Hoje é um dia muito especial para você minha querida.
Você está crescendo depressa. Acalme-se e espere o papai chegar para te dar um beijo.
Eu sei que está difícil sem o papai e a mamãe.
Logo toda essa dor passará. O papai não pode ir ao seu encontro agora. Mas em breve estaremos juntos.
Feliz oito anos minha bonequinha.
Beijos
PAPAI.

Eu suspirei, a tristeza me consumiu novamente.
Eu não entendia o por que do meu pai não poder estar comigo durante esses anos.
Me esqueci de tudo que me rodeava. Só conseguia imaginar minha família alegre e unida.
Ares tirou-me de meus pensamentos.
- Jully, você está tudo bem?

- Sim.

Ela não disse mais nada, eu percebi que o homem me olhava pelo retrovisor. Um olhar penetrante. Olhos castanhos escuro, e muito intimidantes.
Recobrei o controle e abri mais quatro envelopes.
Todos me desejando feliz aniversário e com palavras de consolo e carinho.
Sorri, lembrando-me que no meu aniversário de doze anos meu tio havia deixado o bolo cair encima do cachorro da vizinha.
Odete, essa mulher misteriosa. Nunca havia percebido nada de estranho nela. Mas agora eu pressentia que ela me conhecia mais do que eu imaginava.
- Ares você conhece alguma Odete?
Perguntei sem olhar para ela. Mas antes que ela respondesse, o homem sorriu dizendo:
- Senhora Louise, muito gentil.
Eu o encarei confusa. Ares lhe deu um tapa na nuca. Dizendo:
- Xiu!
- Desculpe-me Ares.
Ele disse sorrindo rapidamente. Eles pareciam bem íntimos para mim.

Meu semblante sério deixou um silêncio no ar.
Ares me olhava pelo retrovisor com olhos pertubados.

- Ares? Se você sabe algo sobre aquela velha me diga agora!
Exigi com raiva.

- Acalme-se Jully!
Ela exclamou autoritária.

Me virei para o vidro com muita raiva de Ares, eu estava confiando nela, mas ela me escondia muita coisa que eu tinha o direito de saber.
Eu não sabia para onde estavamos indo. Era tudo tão estranho.
Um celular tocou, era o do homem ao lado de Ares.
Ele atendeu rapidamente, com uma mão no volante e a outra no celular.
Ele apenas dizia, "entendido" "Certo" e "ok".
Nada que eu pudesse decifrar. Não demorou muito a conversa, ele desligou. Olhou para Ares com um semblante sério e disse:
- Vamos mudar de curso.
- Para onde vamos? Ares respondeu confusa.

- Para o portão vermelho.
Ele respondeu olhando-me pelo retrovisor.

Ela não disse mais nada apenas assentiu.
Eu não perguntei aonde íamos, ele não me diria de qualquer forma.
Deitei-me no banco e fiquei pensando onde poderia estar o meu pai?
Eu ia vê-lo? Eu queria perdoa-lo? Eu não sabia responder à mim mesma essas perguntas que me perturbavam.
Após alguns minutos, o carro parou. Olhei para frente e vi um portão enorme, com ferros pontiagudos, um vermelho reluzente brilhando como a luz da lua.
Havia guardas em todos os lugares. Uma grade enorme com arames que machucaria qualquer um que tentasse ultrapassa-los.
Estava meio isolado da cidade, com árvores enormes ao seu redor.
Parecia uma fortaleza, de tao alto e grande.
- Ares que lugar é esse?
Perguntei confusa e com medo.

- Prepare-se para saber muitas coisas sobre o seu passado Jully.
Ela disse com um semblante sério que me assustava mais ainda.

- Me diga onde estamos Ares?!
Eu falei com mais medo ainda.

Ela não respondeu. Desceu do carro juntamente com o homem me chamando com o olhar.
Eu desci tentando ser corajosa. Que lugar era aquele?! Eu não tinha uma sensação boa a respeito.

- Fique atrás de mim.
O homem disse me puxando para perto de sí.

Eu não tive reação, apenas o obedeci.
Ares seguiu em frente conversando com um dos guardas do portão.
Aproveitei para pergunta-lo seu nome e onde estavamos.
- Como eu posso chama-lo?
Ele sorriu.
- Me desculpe não me apresentar direito, meu nome é Dominik Herrera.
Eu assenti com um sorriso de lado.
- Então Dominik, onde estamos?

- Estamos em um presídio Jully.

Eu levantei a sobrancelha confusa.

- Presídio? O que estamos fazendo aqui?
Perguntei colocando as mãos na cintura.

Ele me olhou nos olhos com receio de dizer.
Eu o encarei.
Ele olhou para Ares ao longe.

- Viemos ver o seu pai.

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