Lira...
Corro até Jace, me agachando do seu lado, medindo a pulsação do pescoço e constatando que ele estava vivo, porém totalmente inconsciente, seus braços amarrados com uma corda à grade da cama de ferro e sua boca amordaçada.
-O que fizeram com você!? - Digo retirando a mordaça, sinto meu coração apertado por vê-lo assim. -Acorda, vamos meu amigo, acorde. - Tento desperta-lo, enquanto David tenta desatar as amarras.
-Lira? - Recobrava a consciência aos poucos se direcionando para mim com os olhos visivelmente incomodados pela forte luz da lanterna. -É você?
-Sim, sou eu.
Com Jace enfim desamarrado, David o ajuda a se levantar.
-Acha que pode andar, cara? - Pergunta.
-Acho que sim. -Sua resposta foi duvidosa, era evidente a força que fazia para se manter em pé.
Saímos daquele subsolo e do interior do edifício.
-O que houve com ele? -Mayra, desencostou da viatura dirigindo se até nós.
-O encontramos amarrado no subsolo. -A respondo.
-May... Você... está viva? - Diz, muito sonolento.
-Estou! Estou sim.
- Ele não está em condição nenhuma de dar depoimento. -Digo ao policial. -Não dá pra marcar outro dia pra ele depôr?
-Tá na cara que ele está drogado. - O tal do William se intromete. -Esse tipo eu conheço bem. - Continua.
-Ele não usa drogas. -Afirmo, e o encaro indignada com a insinuação dele.
-Confessem logo, o que rolou aqui, em? Drogas e bebidas? alguém ficou animado demais e achou que armas são brinquedos.
- Vai... se... ferrar. -Jace pronunciava, meio grogue. -Seu fi...
-Não. deixa pra para lá, Jace. -Impeço que o mesmo continue.
-Deixa ele continuar, vou adorar botar uma algema nele, todo arrogante e só mais um bosta na sociedade.
-Ei, isso é abuso de autoridade. -Mayra, Diz.
-Sério loirinha!? É a palavra de um bando de invasores delinquentes contra duas autoridades. Em quem você acha que vão acreditar?
-Vamos levar seu amigo para o hospital e depois vamos a delegacia para pegar os depoimentos de vocês três. -Disse Afonso.
David o levou até o carro ajudando a entrar na parte traseira, parecia que ele ia desmaiar a qualquer momento.
-Hospital não. -Jace me olha como se implorasse. - Me levem pra casa, por favor.
-Não disse. Aposto que já está com ideia de fugir. -Diz, William.
-Tenente William, cala a boca, sim? -Afonso diz, incomodado. - Desculpem meu parceiro, ele ficou sem a rosquinha dele hoje. Ok, levamos ele pra casa. - Concorda.
Jace e eu fomos na Land Rover de David, Mayra foi no carro dos policias nos seguindo até a casa do moreno.
-Como ele está? - O David pergunta, enquanto dirige.
-Acabou dormindo. -Avisei, verificando que o moreno se encontrava de olhos fechados e com a cabeça encostada na janela do carro. -Ainda acho que ele deveria ir pro hospital. -Continuo, preocupada, notando que ele estava pálido e aparentando fraqueza.
- Eu acho melhor não. Hospitais, cemitérios e Jace, são como água e óleo, não se misturam.
-Mas ele entrou no hospital pra me ver a pouco tempo atrás.
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O edifício
Mistério / SuspenseLira Symons e seu irmão Lorenzo são filhos de pais extremamente ricos, mas como dinheiro não traz felicidade, nem tudo é mar de rosas nessa família, e quando eles crescem não fica muito diferente de quando eram crianças. Um acidente faz com que su...