Kyle
Estávamos a invadir o edifício. A alcateia estava aqui em força, armados com todas as armas que tínhamos, todos os membros treinados tinham vindo, deixámos apenas alguns para trás para proteger a aldeia. Finalmente descobrimos onde está a Kora, a Sarah descaiu-se e revelou todo o seu plano. Aparentemente ela queria a Kora fora da fotografia para puder ficar connosco, e, como sabia que havia pessoas interessadas em capturar lobos, ela não hesitou em denunciar-nos, o que ela não contou foi que eles também tentassem apagá-la da fotografia, daí terem-lhe dado um tiro. Iriamos tratar dela quando voltássemos, agora o que era importante era resgatar a Kora, a minha companheira, a nossa companheira. Olhei para o lado para ver o meu irmão tão nervoso como eu. Pingos de suor caia-lhe pela cara, as suas bochechas rosadas da corrida que fizemos até aqui, estava tão impaciente com o que iriamos encontrar como eu. Quando soubemos que tínhamos a mesma companheira, ficámos os dois bastante chateados. Os lobos não gostam de partilhar, muito menos as suas companheiras, andámos à bulha muitas vezes para ver quem tinha o direito de ficar com a Kora, mas no fim, o que perdia dizia que não ia desistir, e as coisas voltavam ao mesmo. Só quando ela se foi embora, é que percebemos que nenhum de nós podia abdicar dela. Doía da mesma forma aos dois, e era-me impossível obrigar o meu irmão a conviver comigo sabendo que ela estava comigo e não com ele. Por isso, decidimos que iriamos fazer um esforço para as coisas resultarem entre nós, para o nosso bem, mas essencialmente para o bem da Kora. E por esse mesmo motivo aqui estamos nós. Corremos quilómetros para chegar aqui, era um edifício que ficava no meio do nada, situado num descampado. As paredes velhas, tinham a tinta branca a estalar, dando um ar sinistro ao ambiente, algumas janelas estavam partidas, mas todas tinham grades de ferro grosso, estava contruída para ninguém sair de lá.
Não se ouvia qualquer barulho, os nossos passos eram silenciosos, não queríamos que soubessem que estávamos aqui. Encaminhámo-nos para a porta da entrada, era antiga também, com ornamentos em ferro que outrora fora brilhante e madeira escura grossa. Empurrámo-la, com a nossa força sobrenatural não nos era difícil fazê-lo, e além do mais, estávamos motivados. A porta rangeu ao ser forçada, mas como não ouvimos nenhuns sons entrámos. Estávamos num corredor sombrio, a iluminação era pouca o que fazia com que as nossas sombras fossem enormes, tornando o ambiente fantasmagórico. Havia portas dos dois lados dos corredores, como estas eram envidraçadas, era-nos possível ver o interior das salas. Maioria consistia em pequenos refeitórios, com máquinas automáticas e mesas, outras eram escritórios, onde entrámos, queríamos descobrir o que estas pessoas estavam a planear. Jake entrou há minha frente e começou por abrir umas gavetas com arquivos. Eu dirigi-me à secretária bastante moderna que estava no meio da sala, vasculhei os papéis que estavam em cima da mesa, aparentemente nada de anormal, eram apenas recibos de pagamentos. Abri as gavetas, onde encontrei umas pastas, eram anotamentos sobre lobos, desde épocas de acasalamento a rituais, alguém tinha andado a fazer pesquisa sobre nós, o que não era nada bom. Em outros papéis encontrei mapas onde estava sinalizado a nossa aldeia e o nosso território, com pequenos anotamentos que diziam onde patrulhávamos e para onde corríamos. Tudo isto só me fez sentir mais raiva da Sarah, não percebe que o que ela fez colocou-nos todos em risco? Um rosnado trouxe-me de volta à realidade, olhei para o Jake para o ver com os olhos cintilantes cheios de raiva. Voltou-se para mim com as pastas na mão.
-Estes...cabrões ,andaram a sacar informação sobre montes de pessoas. Incluindo a Kora. - a raiva era evidente no seu tom de voz, praticamente gritava as palavras.
Mandou a pasta para cima da secretária, onde caiu estrondosamente. Agarrei-a de imediato, revelando o seu conteúdo. A primeira coisa que vi foram as fotografias, eram imensas da Kora, desde pequena até à pouco tempo, havendo algumas em que ela aparecia connosco. Estes lunáticos seguiam-na á anos, e nós não nos apercebemos de nada. Outros papéis também estavam na pasta, este continham as mais variadas informações, desde datas de nascimento, a amigos, familiares, a primeira transformação dela, o que ela fazia, o que comia. Coisas impensáveis, malucas, completamente descabidas e irracionais, que levaram a que ficasse com mais raiva ainda.
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A Sombra de Kora
Loup-garouKora é uma loba que fugiu da alcateia com a sua família, obrigada a voltar pelo alfa, descobre que o seu futuro sempre tinha estado naquela aldeia. Rodeada por dois irmãos gémeos que fazem de tudo para a ter, Kora vai ter de lidar com a indecisão e...
