Hannah Jenner
Yan poderia ser idiota, insensível e cruel às vezes. Mas ele ainda assim era o meu melhor e talvez único amigo. Crescemos juntos como irmãos. Éramos inseparáveis. Nós nos completávamos.
Eu era alguns meses mais velha que ele. Yan, por ser pródigo, avançou uma série na pré escola. Com isso, terminamos o ensino médio juntos e fomos aceitos na mesma universidade. Esse sempre foi o nosso sonho, porém não éramos mais crianças. As coisas haviam mudado. Nós havíamos mudado. E nós havíamos nos beijado também.
Após o maldito beijo tudo ficou estranho.
Simplesmente fingimos que nada aconteceu, mas não poderíamos mentir para nós mesmos. Logo, durante o decorrer dos meses, nos afastamos.
Embora estivéssemos na mesma faculdade, aquela não era a nossa cidade. Estávamos longe de casa e da nossa família. Era como se estivéssemos distantes de tudo o que um dia fomos.
Alguns meses se passaram. Eu conheci gente nova, me enturmei com o pessoal do curso de Psicologia e me dediquei aos estudos para escapar dos meus sentimentos. Era uma rotina tanto quanto monótona, mas me acostumei rápido.
Enquanto isso Yan se destacava na sua classe, era o melhor em Jornalismo e tirava as maiores notas, apesar de não ter que se esforçar tanto. À princípio ninguém entendeu por que ele escolheu Jornalismo ao invés de Medicina, mas Yan era um cara excêntrico e se expressava bem através das palavras.
Yan não precisava forçar intimidade. As pessoas se juntavam ao redor dele como abutres. Ele era muito bonito e isso chamava atenção de todas as garotas, inclusive as minhas colegas de quarto. Elas me enchiam de perguntas sobre ele e suspiravam com as respostas.
Apesar de tudo, quase nunca topávamos no campus ou em qualquer outro lugar. Era como se estivéssemos distantes, embora fôssemos vizinhos de prédio.
Em um sábado qualquer minhas amigas me convenceram a ir em uma festa de fraternidade. Uma parte de mim desejava apenas ficar em casa assistindo séries, porém a outra que, na maior parte do tempo era uma vagabunda, precisava de álcool e cigarro eletrônico.
Se divertir não era pecado, afinal.
— Estou me sentindo como uma sardinha espremida dentro da lata. — Eu disse quase sem ar, enquanto caminhava pelo jardim com aquele vestido colado. Eu literalmente sentia as minhas vísceras formando nós para caber dentro de mim.
— Você está linda, é isso que importa. — Kyle disse com tranquilidade enquanto se equilibrava naqueles saltos agulhas que perfuravam o gramado.
— Mas estou me sentindo horrível. — Tentei convencê-la.
Nesse momento dois rapazes saíram pela a mesma porta por onde estávamos prestes a entrar. Um deles me encarou de cima a baixo, o outro sorriu ao me ver. Por uma breve fração de segundo nós três nos encaramos, mas então eles passaram e o contato visual foi quebrado.
— Não, Hannah. Você definitivamente não está horrível. — Rose suspirou, jogando o cabelo para o lado.
Kyle cursava Designer de Moda, por isso eu estava usando aquele vestido azul apertado. Ela me montava como uma boneca. Rose também era fashionista, mas o seu curso era Odontologia.
A partir do momento em que entramos na fraternidade uma onda elétrica de poluição sonora nos atingiu em cheio. A casa estava aglomerada. As pessoas se exprimiam igual sardinhas enlatadas. Esse pensamento me fez sorrir, porque eu estava me sentindo da mesma forma dentro daquele vestido.
Pegamos bebidas no balcão da cozinha e fomos até os fundos onde ficava a piscina. A casa era enorme, porém a quantidade de pessoas a tornava pequena. Entretanto, lá fora, perto da piscina, a música era mais baixa e havia mais espaço para se locomover. Era um ambiente aberto. Havia luzes piscantes ao redor dos coqueiros e a borda da piscina era de neon.
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FLY
RomanceHazel Jenner assinou a sua própria sentença de morte ao se apaixonar por Pierre. Ele era problemático. Tudo naquele homem brilhava e queimava. Hazel acreditou que poderia salvá-lo, mas cada passo que dava em sua direção, mais próxima ficava do fim...
