d e c a d ê n c i a

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— Você pode me dizer o que você fez para estar aqui, Srta. Jenner? — A delegada de plantão disse, apoiando os cotovelos na mesa e me encarando diretamente nos olhos intimidadora.

Eu fiz que sim com a cabeça sem esboçar qualquer emoção facial.

Ela suspirou, juntou uma papelada em cima da mesa e deixou-a de lado. Em seguida, curiosamente, correu os olhos pelo meu rosto pálido como se estivesse tentando encontrar alguma informação perceptível apenas nos meus olhos.

Eu não estava com medo, nem tampouco assustada. Eu estava naquela sala de delegacia juntamente com ela, o escrivã e um policial grande parado na porta.

A tensão no ar era palpável e eu não tinha ideia de como iria me sobressair daquela situação, mas tinha em mente que alguém iria me ajudar.

Pierre era o nome.

— Pode me contar o que aconteceu? — Sugeriu, dando voltas no anel grande e brilhante que tinha envolta do dedo.

— Desculpa, mas sei que tenho o direito de me manter calada até contratar meu advogado. — Falei neutra, tentando manter a segurança nas palavras.

— Já que você não dizer nada, eu falo por você, Hazel Jenner, a mulher acusada de agredir uma colega de quarto na faculdade mais renomada de Bistrol, ocasionando um traumatismo craniano na vítima que se encontra internada em uma unidade médica de saúde neste exato momento. Realmente não tem nada para me dizer sobre o caso? Qualquer coisa... Sou todo ouvidos.

A delegada Rosemberg estava sim tentando me pressionar, mas eu sabia que qualquer coisa que eu dissesse naquele momento poderia ser usado contra mim. O silêncio seria o meu maior aliado se eu quisesse sair dali um dia.

— Senhora, eu não tenho nada a dizer sem a presença do meu advogado. Sinto muito. — Eu estava me fazendo de sonsa.

Senti a troca de olhares entre a delegada e o policial logo atrás de mim.

Eu analisava bem as coisas a minha volta. Nenhum detalhe passava despercebido. O meu reflexo emocional era o meu refúgio.

Suspirou corrigindo a postura na cadeira logo em seguida.

— Certo, Srta. Jenner. Já que você não deseja prestar o seu depoimento, estaremos averiguando sua situação e enquanto isso você espera na cela com mais duas detentas até que sua fiança seja paga. Entretanto, caso se passe vinte e quatro horas após a sua entrada, você será encaminhada até o presídio regional feminino e ficará lá até o dia do seu julgamento ou, até que seu advogado consiga uma ação judiciária para que você possa responder ao processo de agressão corporal grave em liberdade. Estamos entendidas?

Eu engoli a seco, tentando digerir toda a situação.

Eu estava sendo processada e corria risco de ir para um presídio. Tudo era tão novo e perigoso para mim... Era como se eu estivesse vendo o mundo pela a primeira vez aos olhos de uma criança perdida e assustada com cada nova informação.

— Sim, delegada. — Balancei a cabeça.

— Ótimo — direcionou o olhar para o policial. — Holden, acompanhe a Srta. Jenner até a cela. Obrigada.

Ele assentiu e veio em minha direção. Senti minhas pernas estremecer quando me forcei a levantar. Eu estava desolada, mas não poderia cair. Eu tinha de ser forte.

O policial veio até mim, segurou no meu ombro e então me guiou até a porta.

Minhas mãos estavam algemadas e eu não entendia o real motivo daquilo. Eu não tinha reagido a prisão e nem em nenhum outro momento, mas preferi não dizer nada. Sim, meu erro sempre fora me esconder atrás de um silêncio covarde enquanto a razão gritava em meu peito.

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