Pierre e eu tínhamos desavenças mortais e aquilo prosseguiria até o final de nossas vidas.
Nenhum de nós desejava guerra, mas ambos estavam se divertindo ao dançar com o caos.
Sentíamos a magia de quando éramos crianças desaparecer lentamente dia após dia e isso era mais que cruel. Nossa essência estava em processo de transformação. E transformações químicas às vezes são nocivas a saúde física e mental.
Eu estava louca e ele parecia piorar cada vez mais a situação. O desejo e o ódio que eu sentia por ele me desafiava a alcançar o extremo da minha alma. Nessa fissura por controle e superação, minhas horas de estudo de psicologia iam por água abaixo.
Eu não conseguia obter um resultado positivo quando propunha uma autoavaliação dentro de mim, e aquilo me assustava e me paralisava, deixando transparecer que eu não tinha escolha senão admitir que eu realmente estava completamente maluca por ele.
Eu estava mudando. Demonstrava um comportamento agressivo. Tinha paranóias na cabeça e fogo no coração.
Era assustador estar fora de controle. E não existia controle, apenas um caminho sem volta.
— Você quer uma bebida?
— Não, obrigada. — Eu disse sem olhar na direção de onde a voz vinha.
Continuei andando em meio a multidão, mas alguém em especial estava próximo demais de mim.
— Você tem certeza que não quer uma bebida?
— Sim.
— Eu posso pagar...
— Cara, eu não quero sua bebida. Por favor, me deixe passar. —Eu me exaltei, elevando o som da voz mais alto do que a música.
Senti algo envolver meu punho e isso provocou calafrios por todo o corpo.
Desafiando a sorte, olhei finalmente na direção de onde a voz vinha e encontrei um homem alto que me segurava.
— Escute, gracinha, porque eu não vou perguntar outra vez: Você quer uma bebida?
Naquele instante seus olhos eram quentes como fogo e seu hálito de menta se misturando com o meu fazia minha pele arder.
As luzes de néon da boate e a música estrondosa se misturavam e se transformavam em um único ser enigmático feito pela noite.
Eu não sabia onde estava pisando, mas sentia que não ficaria de pé por muito tempo.
Ele segurava meu braço, mas não era aquilo que me forçava ficar e sim aquele olhar silencioso e revel que dizia mais do que qualquer palavra.
Eu olhei para o desconhecido a minha frente vestido todo de preto e para o meu braço imobilizado. Suas mãos não me machucavam, mas apertavam forte o suficiente para mim saber que seria doloroso se eu tentasse lutar contra.
Não sabia o que dizer, nem como agir. Estava em uma boate que eu não conhecia, num local da cidade que eu também não conhecia, sendo praticamente ameaçada por um desconhecido.
A cada segundo que se passava mais certa eu ficava de que fora uma ideia muito, muito errada atender o pedido da prostituta Drina que conheci na cadeia.
Minha intenção naquele momento era apenas a de me livrar das garras daquele homem audacioso e ir embora o mais rápido possível, mas eu jamais conseguiria o fazer sem antes aceitar a maldita bebida.
— Eu... Eu quero. — Travei os lábios vermelhos tensa, mas relaxei quando ele me soltou finalmente. - Mas só porque estou com sede.
Ele sorriu e puta que pariu, eu realmente me surpreendi.
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FLY
RomanceHazel Jenner assinou a sua própria sentença de morte ao se apaixonar por Pierre. Ele era problemático. Tudo naquele homem brilhava e queimava. Hazel acreditou que poderia salvá-lo, mas cada passo que dava em sua direção, mais próxima ficava do fim...
