m e l i n d a

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Yago

Dias depois...

_Você apenas vai me observar queimar?

24 horas antes...

O relógio da parede marcavam exatamente 23:58 horas. Meu coração estava apreensivo e agitado na mesma intensidade. Havia um grande abismo imposto entre o passado e o futuro. Eu estava no centro de tudo e o meu juízo conflitante com a insanidade mental diziam muito por si.

Completei uma, duas e por fim três carreiras de cocaína antes de abrir a porta do meu quarto e sair. Desci as escadas e dei de cara com uma cena ridiculamente fofa na minha sala: Pierre e Hazel dormindo abraçados no sofá com a televisão ligada.

Eu não sabia ao certo em que momento eles haviam se transformado naquela porra de casal, mas ficava feliz por eles estarem tentando concertar um ao outro com aquele vínculo eterno de amor.

Aquela era uma realidade muito distinta da minha. Melinda e eu estávamos discutindo muito, tanto que chegava a ser insuportável respirar o mesmo ar que ela. Não era como se estivéssemos juntos, mas nós também estávamos longe de estar separados. A verdade é que nenhum de nós desejava dizer adeus, pois não havia força o suficiente. E quando o amor já não é o bastante às vezes temos que simplesmente aceitar.

Eu não iria largar as drogas em apenas um dia antes da minha morte, pelo contrário, eu iria agarrar aquelas malditas substâncias tóxicas e esquecer a realidade. Porque se aquele seria o último dia meu vício estaria longe do fim.

Olhei mais uma vez para o casal de pombinhos no sofá, sorri e sai pela porta da sala. Eu precisava esvaziar a minha mente, foder alguma vadia e depois morrer na praia. Era a minha meta de vida.

Eu sentiria muita falta de Pierre, Hazel e o bebê, mas entendia que seria melhor assim. Talvez na morte eu pudesse descansar finalmente, pois eu já estava cansado e talvez velho demais para continuar fingindo diversão. Eu não tinha mais vida e se aquele fosse o último dia eu me sentiria muito mais que aliviado.

Na boate eu bebi várias doses de tequila e beijei algumas garotas antes de ir para o banheiro, pegar as injeções e aplicar heroína nas minhas veias. Depois eu voltei novamente para a festa, bebi mais tequila e tornei a beijar desconhecidas como em um ciclo vicioso.

Em um lugar distante na minha mente eu conseguia enxergar aquele sorriso, aqueles grandes olhos e aquela suavidade que só Melinda tinha. Mas era tão distante de tudo, próximo do fim e do começo do mundo, era o paraíso e o inferno tudo enterrado com a mesma profundidade.

03:15 da manhã.

_Você gosta disso?

_Sim. - murmurei me sobressaindo dos olhos curiosos daquela desconhecida nua encima do meu pau. Respirei profundamente tentando não deixar que as emoções subissem a cabeça, segurei em seus cabelos loiros e os puxei suavemente antes de beijar seus seios. - Apenas rebole.

E assim ela o fez sem que eu precisasse dizer novamente.

E enquanto nós fazíamos sexo encima daquela cama de motel, eu encarava uma figura deplorável em baixo da garota estupidamente linda. O teto era espelhado e isso permitia que eu tivesse o profundo desgosto de me enxergar. Meus olhos estavam opacos e sem vida, minhas veias estouradas, a pele pálida repleta de tatuagens insignificantes e o cabelo bagunçado. Era tão... vazio. Me olhar no espelho me causava repulsa e raiva.

A cama vermelha e redonda girava lentamente enquanto aquela desconhecida cavalgava e gemia mordendo os lábios. Eu não sabia se ela estava gostando de fato ou se era apenas uma encenação, mas honestamente eu não me importava. Eu sentia seu sexo quente e úmido, mas não sentia prazer. Era como se meu corpo estivesse acordado e minha mente adormecida.

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