— Esta água está fria para o caralho, Pierre! - eu disse me tremendo toda enquanto ele molhava o meu cabelo e sorria ao mesmo tempo.
_Você pode parar de reclamar só por um minuto, por favor? - indagou me encarando nos olhos.
Eu neguei freneticamente com a cabeça.
_Essa merda está realmente me congelando, P. - fiz bico e abracei meu próprio corpo. - E além do mais é muito constrangedor ter que precisar de alguém para me dar banho.
_Só assim para você se lavar, porquinha. - retrucou.
_Eu não acredito que você acabou de me chamar de "porquinha", Pierre! - exclamei.
_Oinc! - ele fez uma careta sorridente e eu não me aguentei.
_Retire o que disse imediatamente, Pierre Montgomery! Senão eu não responderei por mim. - eu segurei a gola da sua camisa preta e puxei para bem diante de mim como os valentões fazem.
_A porquinha tá brava, é? - e provocou forçando uma vozinha de criança estupidamente irritante.
_Santo Deus! O que eu fiz para merecer isso?
Pierre sorriu e então beijou meus lábios suavemente, mas eu afastei seu corpo pois estava irritada demais para deixá-lo se aproveitar disso.
Ele riu alto em uma gargalhada e alegria que há tempos eu não via. Ele parecia tão leve e tão contente em estar ao meu lado que era quase que irreconhecível. Era bom sorrir com ele, rir com ele, brincar com ele. Era tão doce e tão familiar... Eu não queria que aquela magia se perdesse nunca mais.
Estávamos no banheiro do meu quarto hospitalar. Eu estava sentada em uma cadeira adaptada para aquele tipo de situação, enquanto Pierre atrás de mim lavava meu cabelo massageando o couro cabeludo suavemente.
Por um segundo eu me permiti fechar os olhos e me deliciar com aquela sensação doce.
Eu estava nua, mas me sentia protegida por ele. Protegida e amada como nunca antes. Ele não mais me assustava, muito pelo contrário, ele me transmitia calma e plenitude. Me fazia pensar que tudo terminaria bem independentemente de como começamos.
Senti a água escorrendo pela minha cabeça e esqueci o quanto ela estava gelada. Depois suas mãos escorregando pelo meu pescoço, meus ombros, meus braços... tudo tão suave e tão calmo ao mesmo tempo que intenso. Era como se eu estivesse queimando embaixo da chuva.
_Por que não deixa seu cabelo voltar para o castanho natural? - Pierre perguntou do nada algum tempo depois e se afastou um pouco para pegar a toalha branca.
_Vou fazer isso, estou enjoada desta cor. - dei de ombros olhando para ele que acabara de se virar de volta para mim.
_Você é linda com esse vermelho, mas não acho que combine com você. - comentou casualmente ao mesmo tempo que me enxugava de cima para baixo.
Eu ainda estava sentada quando por um breve momento eu olhei para o cós da sua cueca preta amostra onde o jeans não alcançava e foi aí que senti um arrepio peculiar.
_Por quê? - quis saber desviando o olhar para os azulejos verdes da parede.
_Este vermelho te torna fatal quando na verdade você é doce e repleta de vida. Eu te conheço melhor que ninguém, porquinha. - e então sorriu me ajudando a ficar de pé.
_Obrigada pelo concelho, oinc. - eu ri e então ele deu de ombros.
_Não tem de quê.
Pierre neste momento me fitou nos olhos fixamente. Estava muito próximo a mim. Segurava em meus ombros de forma firme e decidida, o que me dava a sensação de acolhimento.
Ele era tão bonito e tão intenso que chegava a ser impossível imaginar algum deus grego com tamanha perfeição. Seus olhos eram grandes, suas sobrancelhas retas e seu cabelo cacheado cor-de-café era de dar inveja. Ele tinha um maxilar tão forte, bochechas profundas e lábios grossos e perfeitamente desenhados.
Eu nunca tinha visto um homem tão sensual e embora Damon fosse o diabo, ele tinha uma beleza totalmente diferente.
Pierre pousou o polegar encima de meus lábios e eu instintivamente o coloquei na boca, chupando-o suavemente e sorrindo em seguida. Ele permaneceu sério apenas me olhando nos olhos. Depois se abaixou diante mim me pegando totalmente desprevenida. Eu nem sequer vi o momento exato em que isso aconteceu, mas quando olhei para baixo confusa e me deparei com aquela cena foi impossível não estremecer.
Pierre secava lentamente minhas pernas de baixo para cima uma por uma. A toalha escorregava entre a linha do meu calcanhar até lá encima onde começava a minha bunda, então voltava e ia para a outra perna.
Enquanto isso eu permanecia ali diante dele sem poder dizer nada porque estava totalmente congelada por aquela sensação assustadoramente prazerosa.
Quando ele se levantou tomou meus lábios nos seus em um beijo lento e então sussurrou em meu ouvido:
_Você tem sorte por estar doente e grávida ao mesmo tempo. - molhou os lábios e ajeitou meu cabelo atrás da orelha, dizendo por fim: - Quando isso tudo acabar você mal sabe o que te aguarda.
Engoli a seco.
_Não me torture, por favor!
_Senão o quê? - ele quis saber segurando um de meus seios e apertando-o cruelmente.
_Nada. - respondi quase sem voz.
Pierre tinha se tornado literalmente o amor da minha vida, mas ele ainda continuava o mesmo filho da puta de sempre e o pior é que eu gostava dele exatamente assim: tóxico, cruel e estupidamente controlador.
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FLY
RomanceHazel Jenner assinou a sua própria sentença de morte ao se apaixonar por Pierre. Ele era problemático. Tudo naquele homem brilhava e queimava. Hazel acreditou que poderia salvá-lo, mas cada passo que dava em sua direção, mais próxima ficava do fim...
