Capítulo 7, socorro
Todos conheciam a fama de Sabine e Dinah, as minhas colegas de quarto. Elas eram jovens e bonitas, desejadas por todos os homens que as conheciam.
Havia rumores pela a faculdade sobre Sabine ter se envolvido com traficantes, mas eu nunca havia levado aquilo a sério. Eu não bancava a "fiscal da vida alheia" naquele lugar. Até porque, a vida pessoal de cada uma não me despertava o menor interesse.
Havia mais ou menos uns 5 dias desde o meu último encontro com Pierre, e embora fosse difícil, eu ainda estava tentando me recuperar do choque que foi vê-lo aos beijos com aquela garota. Devo confessar que foi árdua a dor que senti, mas não tão forte quanto aquela que eu viria provar em seguida.
Pois foi amando Pierre eu descobrir que a dor nunca é demais.
Eu tinha acabado de apagar a luz do abajur quando o som estrondoso de vidro sendo quebrado ressoou por todo o cômodo da sala, ao lado do meu quarto.
Eu abri os olhos assustada e liguei novamente o abajur. Após dois segundos a porta do meu quarto fora aberta e a figura pálida de Dinah surgiu no lugar.
— Você ouviu isso? — Ela sussurrou ao adentrar no meu humilde casulo e se esconder atrás da porta. Seus olhos curiosos fitavam pela a pequena abertura.
Franzi o cenho. O relógio na parede marcava 03:30 da manhã, um horário perigoso até para os que se dizem mais espertos.
Eu não sabia o que Dinah estava fazendo no meu quarto, mas o fato é que ela parecia realmente bastante assustada.
— Mas que porra? — Eu resmunguei, me levantando da cama. — Que merda está acontecendo? — Caminhei irritada em direção a porta.
— Sabine está discutindo com o namorado. Ele está muito transtornado. — Dinah respondeu, aflita.
Eu entrei na frente dela para que assim tivesse uma visão mais clara da sala, o único cômodo com as lâmpadas acesas.
O quarto que eu dividia com Sabine ficaria completamente escuro sem a luz amarelada do abajur encima do criado-mudo, mas a claridade que vinha da sala me fazia odiar qualquer tipo de luminosidade.
Eu estava enfrentando uma ressaca infernal e só desejava parar de vomitar, mas a cena medíocre de Sabine discutindo com o namorado me impedia de prosseguir ou mesmo iniciar (já que eu sofria com uma constante insônia) minha noite de sono.
— Por que eles estão brigando? — Eu quis saber.
— Eu não sei, mas acho que Gregory está chapado.
Aquilo era estranho. Sabine é quem parecia estar transtornada, não o contrário.
Pela a brecha da porta eu podia ver a garota de cabelos tingidos de preto empurrando o peito magro do moreno cada vez mais forte. Ela dizia algumas palavras de ódio juntamente com palavrões de intensidade. Eu não sabia como aquilo terminaria, mas tinha plena certeza de que não seria de uma maneira amistosa.
— Alguém precisa ir lá interromper. — Falei seria e convicta de que aquilo seria o ideal naquele momento. — Eles irão acabar se machucando. — A última parte quase saiu em um sussurro.
A cidade onde eu morava era perigosa e violenta. Havia muitos casos de agressão contra mulheres e eu realmente não queria presenciar um, não naquela noite.
— Eu não vou me envolver nessa merda, Hazel. —Dinah respondeu francamente, olhando para mim.
Eu respirei fundo. Senti uma vontade culminante de fumar um baseado, entretanto, tive que ignorar.
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FLY
RomanceHazel Jenner assinou a sua própria sentença de morte ao se apaixonar por Pierre. Ele era problemático. Tudo naquele homem brilhava e queimava. Hazel acreditou que poderia salvá-lo, mas cada passo que dava em sua direção, mais próxima ficava do fim...
