Estava ali calada, seminua na beira da janela olhando para a cidade lá fora com um cigarro queimando entre os dedos.
O dia estava quase amanhecendo quando paramos de fazer amor, se é que assim posso chamar. Mas ao dar um tempo ao tempo, perdemos tempo demais. Então naquele instante, em minha mente mil questões deveriam ser respondidas, mas eu continuaria agindo como se nada estivesse acontecendo até não suportar mais.
Na janela, sentia a brisa gelada bater em meu rosto e queimar os meus lábios. Meus seios estavam expostos e eu usava apenas uma calcinha rendada, Pierre calça jeans. Meus olhos refletiam as lâmpadas da cidade e as lâmpadas da cidade refletiam meus olhos.
Uma perfeita harmonia em meio ao meu caos.
Dei um trago no cigarro, mergulhando de cabeça naquele mar de emoções.
Pierre não conversava comigo e nem eu conversava com ele. Ninguém parecia ter nada a dizer e se tinha, guardava para si.
Eu não sabia o que ele estava pensando, mas sabia que deveria ser algo sobre mim e não ao sexo que tínhamos acabado de fazer.
Talvez ele estivesse se preparando para avisar que quebraria meu coração novamente... Apenas talvez.
Senti seu perfume, fechei os olhos e suspirei. Ele estava atrás de mim segurando a minha cintura.
_Você é tão sensual. - ele sussurrou em meu ouvido, depositando em sequência beijos suaves no meu pescoço, o que me arrepiava por inteira.
Eu não disse nada, apenas me mantive fixa no lugar. Estava tensa e até um pouco preocupada.
Pierre me abraçou por trás, roubou o meu cigarro e deu um trago no mesmo.
Admiramos a cidade em silêncio por vários minutos. E embora tivéssemos tantas coisas a dizer um para o outro, não dissemos nada. Apenas ficamos ali, calados e colados como se fizéssemos parte de um único corpo.
_Hazel - ele sussurrou em meu ouvido e eu virei o rosto para encarar seus olhos cor-de-mel. Céus, como ele estava bonito com o cabelo bagunçado pós-foda e o semblante perturbado de sempre. - Desculpa.
Eu franzi o cenho fingindo não entender.
_Pelo quê? - questionei com os lábios a centímetros de distância dos seus.
_Por te machucar.
Eu dei um meio sorriso com o olhar triste.
_Tudo bem.
Eu não queria brigar e eu sabia que era capaz de perdoa-lo quantas vezes fossem necessárias. Porque a paz que ele estava me trazendo era maior do que um dia imaginei ser capaz de sentir. Eu não queria acabar com aquilo.
Pierre ficou olhando para mim sem dizer nada por um tempo. Seus braços me seguravam firmemente como se ele tivesse medo de me ver partir. E eu gostava daquela sensação. Gostava de vê-lo levemente amarrado, porque era assim que ele também me fazia sentir.
_Você me acalma. - confessou de repente, me fazendo sorrir, ainda com os olhos tristes.
_Você também me acalma. - sussurrei, honesta.
_Eu nunca senti isso por ninguém.
Seus olhos transbordavam paixão.
_Eu também não.
_Mas apesar de tudo, nós nos fazemos tão mal. - franziu de leve as sobrancelhas. - Parece tão errado.
_O que parece errado? - quis saber.
_Estar com você sem querer te atingir de alguma maneira. Sabe, acho que faço isso para fugir.
_Fugir do quê?
_Disso o que você desperta em mim. - respondeu algum tempo depois finalmente. - Mas eu não consigo fugir porque você está em todos os lugares que eu vou, em todos os rostos que eu vejo, em cada sorriso que recebo, em cada pensamento que se passa pela a minha maldita cabeça.
Eu fiquei sem saber o que dizer.
Ele nunca tinha se abrindo assim.
E eu não conseguia entender por que o fazia então naquele momento.
_O que você fez comigo, Hazel? - indagou com um tom amargurado na voz.
_Eu não fiz nada. - respondi baixinho, quase sem voz.
_Sim, você fez e eu não sei o quê. Sei apenas que não posso e nem quero que isso me prenda porque eu preciso ser livre, Hazel. Eu preciso voar.
Assenti com a cabeça.
_Se é assim que você quer... - dei de ombros.
_O que quer dizer? - ergueu uma das sobrancelhas intrigado.
Eu me virei para ele e seu olhar desceu até os meus seios expostos quase instintivamente.
_Você está livre, Pierre. Não pense que eu sou uma prisão porque eu realmente não sou. Só quero que entenda que de todas as maneiras está bom para mim porque eu apenas te quero de volta. - toquei seu rosto delicadamente e ele olhou em meus olhos concentrando-se no que eu dizia. - Você pode ir quando quiser, eu estarei aqui te esperando voltar.
Ele se perdeu em meus olhos no exato momento em que o sol nascia e os primeiros raios de luz brilhavam no horizonte. Pierre ficou impressionado, então me deu um beijo suave e apaixonado, encostando a testa na minha ao terminar.
O sol entrou pela a janela e eu vi o dia mais bonito da minha vida florescer nos braços do meu amado.
_Bom dia! - ele sorriu como nunca antes e eu me apaixonei pela segunda vez pelo mesmo homem.
_Bom dia! - eu sorri de volta o abraçando e o trazendo de volta só para mim enquanto os raios solares incendiavam a escuridão das nossas almas.
No diário de Hazel Jenner assim que Pierre saiu pela porta:
"Permiti que ele voasse, embora estivesse presa. Permiti que ele saísse por aquela porta, embora tudo o que eu mais desejasse era que ele não o fizesse.
Não sei se vai ou se volta; se vem ou vai. Mas sei que estarei o esperando dia após dia, segundo por segundo, por toda a minha vida, eternamente se necessário. Porque talvez, só talvez, isso que estou sentindo seja amor.
Hoje que eu finalmente despertei para a vida não quero voltar a dormir, pois tenho medo de acordar de repente e perceber que tudo não se passou de um sonho. É melhor então deixar ir e não se desesperar. Se for pra ser meu um dia volta.
Está um dia tão bonito lá fora... Isso agora me faz pensar que talvez já não tenha sentido anoitecer os sentimentos dentro de mim."
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FLY
RomanceHazel Jenner assinou a sua própria sentença de morte ao se apaixonar por Pierre. Ele era problemático. Tudo naquele homem brilhava e queimava. Hazel acreditou que poderia salvá-lo, mas cada passo que dava em sua direção, mais próxima ficava do fim...
