QUARENTA E NOVE

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Antes...

Hugo parou perto da soleira da porta da casa de Karol e observou enquanto ela e Ruggero saiam. Os dois estavam determinados a acabar com Raziel e Muriel na igreja. Pouco antes, Pietro e Agustín haviam sido levados ao hospital, feridos.

Contudo, Karol não chegou a ir muito longe e logo sentiu a presença do ex-namorado. Ela parou, fazendo com que Ruggero voltasse alguns passos sem entender o motivo da hesitação dela.

─ É o Hugo. ─ A garota explicou, olhando por cima do ombro e vendo seu guardião a alguns metros de distância. ─ Preciso falar com ele.

Ruggero olhou para onde a namorada olhava, mas nada conseguiu ver, porém, assentiu, afastando-se mais para que tivessem privacidade, apesar de que seu coração pesava um pouco diante disso.

Karol respirou fundo enquanto se aproximava de Hugo.

Ela pensou que não daria tempo, que ele não ouvia o chamado que seu coração fazia.

Mas lá estava Hugo; como sempre.

─ Agora você já sabe de tudo...

─ Sim. Estou ciente da traição dos meus irmãos. Não sabe como isso dói, como fere cada pedaço de mim. É como se eles tivessem arrancado o meu coração do peito. Nunca imaginei que fariam isso comigo.

Hugo assentiu.

─ Eu entendo o seu sentimento, mas não compactuo com o que pretende fazer.

Karol engoliu em seco, olhando de soslaio para Ruggero que se refugiava na calçada de uma casa, buscando fugir da tempestade, abraçado ao próprio corpo, tremendo de frio.

O coração dela se apertou um pouco, então ela voltou a encarar Hugo.

─ Contei para ele o que fiz com o Lionel e ele entendeu. Ele vai ficar bem. Acertamos tudo.

─ Você sabe que mentiu para ele. ─ Hugo retrucou. ─ Você disse que a espada não poderia te matar, que o Hassel chegaria e reverteria tudo. Mas você sabe que não é assim. O mínimo ferimento é capaz de banir a sua alma para o inferno. Você sabe disso!

─ Mas se eu contasse a verdade para ele, o Ruggero jamais concordaria em me deixar lá sozinha com os meus irmãos. Ele lutaria até o final, mesmo que isso significasse a morte!

─ Mas significa a sua morte!

─ Você sabe que o Muriel e o Raziel não vão parar enquanto eu não morrer. Mas com a minha morte, não só saciarei o ódio deles, como também o Hassel virá. A única forma de fazê-lo aparecer é se a espada for usada. E quando o meu irmão vier, ele acabará com essa sujeira toda. Só ele tem a força necessária para isso. A força que eu não possuo agora.

Hugo moveu a cabeça, inconformado.

─ Você vai se sacrificar por eles?! Vai deixá-los vencer? Está se entregando de mão beijada...

─ Se eu morrer, se eu estiver na frente dos dois, não haverá mais motivos para eles atacarem outra pessoa. Por favor, Hugo, me entenda! Depois da minha morte, o Hassel virá!

─ Sim, é lógico que ele virá, mas será tarde, Karol. Quando você for ferida, não haverá volta.

Ela sabia disso, mas ser lembrada era doloroso.

─ Eu sei.

─ E você está mentindo para o Ruggero. Vai causar uma dor descomunal nele quando o coitado ver que você não irá acordar. Que mesmo após Muriel e Raziel terem partido, você não voltará para os braços dele. E ele vai se culpa por tê-la deixado sozinha, por ter obedecido ao seu plano de fingir uma briga e uma fuga. ISSO É ERRADO!

A Marca dos AnjosOnde histórias criam vida. Descubra agora