Trish estava na cozinha de Emily e Sam, saboreando os bolinhos recém-assados com o aroma de canela e noz-moscada, um conforto que por um breve instante a fez esquecer o caos de sua vida. Ela ria da piada tosca de Quil sobre um coiote e um esquilo. O ambiente estava calmo, um refúgio da tempestade que havia acabado de deixar em Stanford.
— Aí, Trish! — o grito enraivecido de Rachel, vindo do corredor principal, fez a Uley pular em pé. A porta foi aberta com um estrondo, e Rachel Black irrompeu na cozinha como um furacão, os olhos brilhando com fúria.
— Rachel, o quê foi? Fala direito. — Trish tentou manter a calma, mas a hostilidade da outra a colocou imediatamente na defensiva, seu corpo ficando tenso.
— Eu que te pergunto o que foi! — gritou a Black, aproximando-se com passos rápidos e furiosos. — Que tipo de merda você tem nessa cabeça, garota?! Você não tem um pingo de consideração pelo meu irmão?!
Sam e Emily trataram logo de se levantar. Sam se colocou discretamente ao lado de Trish, e Emily fez o mesmo, ladeando a sobrinha, vendo-a acuada pela Black, cujas veias latejavam no pescoço.
— Do que está falando? Não me olhe assim! — Trish manteve-se firme, cruzando os braços, a determinação em seu rosto desafiando a raiva de Rachel. Ela não se intimidaria.
— Estou falando da merda que você fez com o meu irmão! — Trish estreitou os olhos ao ouvir o rosnado baixo e gutural de Quil, logo atrás de si. A presença protetora dos lobos era palpável. — Era pra isso que você queria tanto ir a Stanford, não era?! Para se atracar com seu ex-amiguinho rico e depois voltar para cá como se nada tivesse acontecido?!
O rompante da Black estava alarmando a todos.
— Ei, Rachel. — interveio Emily, a voz suave, mas firme, de quem media as palavras. — Você está muito alterada. Por favor, acalme-se e conversamos como adultas.
— Por favor porra nenhuma! — gritou Rachel, ignorando o apelo e avançando mais um passo. — Essa menina traiu meu irmão e você vem me pedir por favor?! Meu irmão está sofrendo por causa da sua irresponsabilidade, e você está aqui comendo bolinhos!
A indignação estampava o rosto da quileute, que irradiava fogo pelos olhos, a frustração acumulada do irmão sendo descarregada em Trish.
— Rachel, foi tudo um mal-entendido. Eu posso explicar o que aconteceu, ele é só um amigo, ele estava bêbado, eu não correspondi... — disse Trish, tentando raciocinar, mas as palavras eram engolidas pela fúria da outra.
— Não tem que explicar nada, Green. — cortou-a Rachel, o nome dito com um desprezo cruel. — Você não é a coitada que Jacob te pinta! Você quis julgar tanto a Swan, apontar os erros dela, a indecisão dela, que acabou ficando igual à ela! Uma irresponsável que brinca com o que não entende, que usa o Jacob para se sentir bem!
Repúdio. Raiva. Dor. Decepção. Indignação — eram sentimentos aleatórios como esse que corrompiam não só Rachel, mas a própria Uley. A comparação com Bela, a quem ela tanto desprezava, a atingiu como um golpe físico. Trish apertou os braços contra o peito.
— Por favor, Rachel... Eu não sou ela. E Jacob não te pediu para vir aqui fazer essa cena. — murmurou Trish, a voz voltando a ser firme, focando a dor no olhar.
— Por favor peço eu, Green Trish! — o grito da quileute fez a Uley estremecer, mas ela não recuou. — Não volte a se aproximar do Jacob! Não enquanto você for essa pirralha mimada sem noção do que quer da vida, que usa os sentimentos dele para se sentir importante e depois volta para os braços dos ex!
Sam, vendo que Trish estava apavorada com os gritos da Black, mas se mantinha teimosamente firme, deu um passo à frente da sobrinha, protegendo-a e encerrando o confronto.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
