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 — Olha, isso significa que eu fiz mais coisas que você aos 13 anos. — dizia Trish, com um sorriso de escárnio nos lábios, enquanto ela e Brady caminhavam pela trilha na floresta, depois de despistar Collin.

— Até prostituição? — A pergunta saiu de Brady, mais por curiosidade chocada do que por malícia.

Um sorriso maçante e cheio de promiscuidade se apossou dos lábios da garota. Era um sorriso que dizia que ela tinha visto o inferno de perto, fazendo o garoto criar adversas teorias sobre a extensão da ousadia de Trish.

— Isso eu ainda não tentei, pois foi quando me mandaram para cá. — esclareceu ela, com um tom que fez Brady suspirar de alívio. Ela percebeu o alívio dele e riu. — Relaxe, pirralho. Eu não sou um caso perdido ainda.

— Caramba. Eu queria muito sair daqui e estudar em um colégio maneiro, cheio de garotas lindas e... sei lá, ter uma vida normal. — confessou ele, chutando uma pinha no caminho.

— A mutação te prende aqui, não é? Assim como aos outros. Vocês são tipo guardas de fronteira.

A previsão dela não estava errada, mas não era por aqueles reais motivos que todos se mantinham naquela reserva. Era mais que aquilo. A maldição e a necessidade de proteger não era apenas física, mas emocional.

— Nem é tanto nossa genética, sobre isso, Collin e eu estamos aprendendo a controlar, Jake tem nos ensinado bem. Bem, é só que temos que proteger essas terras da reserva, cuidar da população da cidade e não deixar que nada de ruim aconteça.

— Como o quê por exemplo? — a curiosidade de Trish, às vezes era preocupante, o que a tinha levado a situações perigosas no passado.

— Não sei, mas temos que estar preparados para tudo. Nossos antepassados falavam de frios e coisas que não deveriam estar aqui.

— Isso deve ser horrível. Não sei, deixar de viver sua vida, de aproveitar a infância e adolescência para proteger vidas alheias. É um fardo pesado.

— Às vezes é legal. — e olha que ele nem estava exagerando, era uma aventura correr em sua forma lupina, sentir o vento acariciar sua pelagem. A adrenalina era inebriante.

— Aposto que sim. — ela concordou, vendo o sorriso bobo preso no rosto cativante de Brady. Seus olhos se moveram para a frente. — De quem é aquela casa?

Os olhos de Trish brilharam ao contrastar com aquela belíssima mansão, com paredes de vidro que refletiam a luz da floresta.

Ela encarou Brady, que estava embabascado por alguns segundos, esperando por sua resposta. O sorriso dele tinha sumido.

— Bem, ãh, é meio complicado, sabe... — era nítido o desconforto do garoto, que começou a andar mais rápido. — Acho que deveríamos ir pelo outro lado, não é seguro aqui. Esta é a fronteira.

Ela o encarou abismada. A última coisa que ela queria naquele momento era ir embora. Muito pelo contrário, queria ir até aquela propriedade e invadir cada centímetro existente nela.

— Por quê? O que tem de perigoso?

— Aquela é a mansão do Dr. Cullen e da família dele. — Brady respondeu num sussurro quase inaudível, parando abruptamente.

— Oh. — seus lábios se curvaram em surpresa, formando um perfeito "O". — Os dráculas viviam ali?

Era uma surpresa e tanto para ela saber que vampiros se apossavam de casas como aquela. Em sua mente fértil, nada ia além de caixões, caveiras, calabouços, teias de aranha e ratazanas por toda parte. Aquilo era uma obra de arte vista a olhos nus, como nos filmes de romance gótico, mas sem o mofo.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora