O ar frio da tarde batia nos rostos deles, mas o calor de Jacob, caminhando tão perto, criava uma bolha protetora. Eles caminhavam em silêncio pela trilha de terra, o cheiro de fumaça da lanchonete ainda fraco em suas roupas úmidas.
— Os caras ficam feito idiotas quando você faz coisas daquele tipo. — comentou Jacob, enquanto caminhava ao lado dela. Ele chutou uma pedrinha solta. — Você costumava ser assim na sua cidade?
— Às vezes. — mentiu, era óbvio que ela sempre fazia aquilo. — Na cidade grande você tem que meter marra para te respeitarem. Você não pode se deixar intimidar só por terem mais massa corporal que você.
— Você só não tem tamanho, né? — caçoou Jacob, esticando o braço enorme para bagunçar o coque rebelde no topo da cabeça dela.
— Ei! — o repreendeu, desgostosa, tentando alisar o cabelo sem sucesso.
— Foi mal. — o cinismo de Jacob era tanto que a garota ficava desconcertada, mas havia um brilho divertido em seus olhos escuros.
Chegando à casa de Sam e Emily, Trish olhou para o interior: a sala estava escura e silenciosa.
— Quer entrar? — convidou.
— Eu não posso demorar muito. — Jacob hesitou na soleira da porta.
Ela segurou em sua mão e o puxou para entrarem. O toque dela era leve, mas a ação era decidida.
— Vem logo, Jacob.
A casa parecia vazia. Eles deixaram as botas molhadas na porta.
— Percebeu que Sam e Emily sempre dão um jeito de desaparecer? — questionou Jacob num sussurro, enquanto subiam a escada. O silêncio da casa amplificava seus passos.
— Sim. Isso é ridículo.
— Com certeza.
Trish entrou em seu quarto, puxando Jacob com ela, trancando a porta atrás de si com um clique de alívio. Era um espaço pequeno e simples, mas era o único lugar que sentia ser dela ali.
Ela tirou os tênis aos chutes e pulou na cama, afundando nas cobertas.
— O que quer fazer amanhã?
Trish se jogou de costas na cama e fitou o teto por um tempo, as mãos atrás da cabeça.
— Ah, sei lá. Diz você.
— Podíamos ir ao cinema, que tal? — perguntou Jacob, sentando-se pesadamente aos pés da cama.
— Pode ser.
— Beleza.
Trish continuou a fitar o teto, a mente divagando.
— As meninas adoravam ir ao cinema. — murmurou, sorrindo tristemente. — Nikki principalmente.
Jacob pressionou os lábios, pensativo, observando a mudança em sua expressão.
— Você gosta muito delas, né?
— Demais. — seu suspiro dizia bem mais que suas palavras. — Elas são muito especiais para mim.
Jacob engatinhou pela cama, se arrastando sobre o edredom, e se deitou ao lado dela, ficando de bruços, o cotovelo dobrado para apoiá-lo. Sua proximidade era calorosa e reconfortante.
— Me fala mais sobre elas.
— Ah, não tem o que falar. Hã, deixa eu ver... Allexya tem aquela pose de durona, marrenta, é superprotetora na maior parte do tempo, mas no fundo ela é meiga, gentil, sincerona. E a Nikki, ela é excêntrica, divertida e bastante brava.
Jacob sorriu pela descrição das garotas, parecia até que Green estava descrevendo suas irmãs Rachel e Rebecca.
— Elas são irmãs?
— Primas. Mas estão sempre unidas. Onde uma está, a outra está.
— E onde as duas estão, você também está. — constatou Jacob, assistindo sua expressão entristecida.
— Nem sempre. Agora por exemplo, eu tô aqui e elas lá em Londres.
— Se bem que Londres nem é tão legal assim. — disse Jacob com falsa irrelevância, dando um cutucão leve na perna dela, fazendo-a sorrir. — Vou te levar para conhecer outro lugar bem mais interessante.
Trish virou-se para o lado, fitando-o.
— Onde, por exemplo?
— Nova York. — respondeu sem pensar, a ideia surgindo na hora. — Vamos no Natal.
— Uh! Vamos fazer bonecos de neve no Central Park. Gosto dessa ideia. Sabe, as meninas planejavam me levar para Singapura. Diziam que quando soltássemos aquelas luzinhas de papel à meia-noite, seríamos livres e felizes. Mas mal sabem elas que já sou livre e feliz só por terem entrado na minha vida e feito a diferença.
— Você fala tão bem dessas garotas, estou curioso para conhecê-las.
— Não seja por isso. — indagou, saltando da cama com uma energia repentina.
Jacob se sentou para olhá-la, desnorteado.
— O que vai fazer?
Trish estava digitando alguma coisa em seu celular, andando de um lado para o outro.
— Relaxa, são seis da manhã lá. — assegurou ela, percebendo a preocupação do Quileute.
Trish retornou à cama, se sentando ao lado de Jacob, e posicionou o celular para a videochamada.
— Oi, meninas! — ela disse, animada.
— É a Pandinha, Nikki! — a morena de cachos (Nikki) gritou para a outra, que logo surgiu diante da tela. O cabelo loiro dela parecia um véu brilhante sob a luz fraca de Londres.
— Baby! — Allexya vibrou, se inclinando para a câmera.
"Uau, que gatas!" — pensou Jacob, os olhos arregalados.
— Meninas, quero apresentar um amigo.
— Hum... — interessou-se a de cachos. — Quem é?
— Aposto que é o diferente. — sussurrou a loira, cinicamente.
— Diferente?! — inqueriu Jacob, enclausurado, seu corpo tenso de repente.
— Não dê atenção. — cochichou Trish, empurrando o ombro dele de leve. — Meninas, este é Jacob. Jake, estas são Allexya e Nikki.
— Oi. — ele acenou para a loira de olhos claros e a cacheada, um leve rubor nas bochechas.
— Ei, gatão! — o entusiasmo de Nikki era surpreendente.
— Oi, gatinho. — Allexya parecia ser a mais comportada.
— Green fala o tempo todo de vocês. — disse Jacob, buscando interação.
— Espero que bem. — disse Allexya, o tom de voz calmo, mas avaliador.
— Sim. — respondeu ele.
— Espero que esteja cuidando bem da nossa gostosa, Jacob. — o tom ameaçador de Nikki fez Jacob vacilar um pouco nas emoções, sua postura mudando de relaxada para defensiva.
— Estou tentando. — postergou o Quileute.
— Uma hora você consegue. — assegurou Allexya, sorrindo amigavelmente.
— Acho difícil. — sibilou Nikki, rindo.
— Vão ficar falando mal de mim agora?
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
