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 O ar no quarto parecia vibrar, denso com atração reprimida e o perfume de jasmim de Trish misturado ao cheiro quente de Jacob. A toalha caída aos pés dele não era um erro, mas uma rendição silenciosa.

— Ops! — Ela sorriu com diversão, os olhos brilhando com uma intensidade que Jacob nunca havia visto. — Deixa que eu pego.

Ao invés de pegar a toalha, ela se ajoelhou, as mãos delicadas roçando a parte interna da coxa dele ao se curvar. O corpo nu e forte de Jacob estremeceu com o contato. A brincadeira da toalha era apenas um prelúdio inocente para o que estava por vir.

Quando, por fim, Jacob não aguentou mais a tortura deliciosa de seus toques, ele enfiou as mãos nos cabelos macios dela e a puxou para cima. A atração era uma chama que precisava de oxigênio, e o imprinting era o combustível.

Ele devorou seus lábios com uma voracidade que a fez esquecer o próprio nome, o beijo carregado de toda a promessa e todo o medo que ele sentia. Ele a empurrou suavemente contra a porta do banheiro, seu corpo grande e quente a esmagando de forma deliciosa.

Parecia até que ele sabia o que estava fazendo, como se houvesse feito aquilo inúmeras e centenas de vezes, mas pelo dito por ele, ela era a primeira, e Trish rezou para que fosse a última.

Com uma urgência terna, ele a livrou do tecido de seda rubi do roupão, que deslizou para o chão. Ele a olhou de forma apaixonante, os olhos de chocolate desenhando cada curva, cada cicatriz emocional, como se a quisesse gravar na mente. Trish soube naquele instante que não haveria em sua vida outro homem além dele. Jacob era a pessoa certa, o curandeiro que veio para consertá-la.

Ele a pegou no colo, uma mão na nuca, e a levou para a cama, enquanto a beijava de forma voluntária, os lábios dela se encontrando com os dele em uma dança de urgência. Ele amava seus lábios; beijá-los era a maneira exata de dizer isso sem usar palavras.

 O ato de amor não foi apenas uma união; foi a explosão violenta de uma conexão primal que havia sido contida por meses.

O ato de amor foi selvagem, urgente e intensamente físico, guiado pela força bruta do imprinting e pela fome mútua. Jacob moveu-se com uma potência que era ao mesmo tempo avassaladora e perfeitamente controlada. Ele garantiu que o prazer de Trish fosse o foco de sua agressão amorosa, e ela respondeu à altura, agarrando-se a ele com uma ferocidade que ele nunca esperava.

A pele dele, quente como brasa e coberta de suor, ardia contra a dela. Trish se perdeu na força dele, no cheiro forte e excitante de terra quente e lobo, e na sensação de finalmente estar dominada e completa — uma submissão que era, ironicamente, a libertação que ela tanto buscava.

Cada investida era uma afirmação de posse, cada beijo uma promessa roubada. Ela gritou o nome dele na escuridão, enterrando as unhas nas costas largas de Jacob, pedindo por mais daquela dor prazerosa. Os corpos se chocavam, a cama rangia, refletindo a violência controlada de sua paixão. Era a consumação da promessa do imprinting, mas feita por escolha dela, respondendo ao ritmo ancestral que os unia. Naquele momento de fusão, ele era o desejo bruto e o verdadeiro significado da palavra amor. O silêncio da noite foi quebrado apenas pelo som molhado de seus corpos e pelos gemidos roucos de ambos, que não paravam até o último resquício de controle se esvair.

Entretanto, sua noite não foi inteiramente contemplada à felicidade de fazer amor com Jacob. Enquanto dormia, envolvida pelo calor reconfortante dos braços de seu amado, Trish teve pesadelos.

Novamente ela sonhou que estava feliz em algum lugar ensolarado, os raios de sol queimando de maneira solene sua pele, enquanto alguém chamava por seu nome de maneira preguiçosa.

Ela amava estar ali. O sorriso no rosto da garotinha parecia feliz, enquanto corria descalça — pés tocando a areia branca e fria — para braços protetores.

O sorriso daquele homem eram os mais sinceros possíveis. Ela adorava afogar-se no brilho de seus olhos — eles eram verdadeiros e cheios de calor.

Haviam apenas os dois, andando pela areia da praia, felizes, contemplando uma tarde como outra qualquer. Tudo parecia tão real, como uma vaga lembrança esquecida no fundo de sua mente. Os dois contra o mundo. Pai e filha.

Quando a noite então caía, ele a levava nas costas entre giros, risadas e gritos extraordinariamente felizes, para dentro de casa. Uma casa imensa e acolhedora, com cheiro de mar. A garotinha subia os degraus da escada correndo, como se aquilo dependesse de sua própria vida, para tomar banho e se livrar de toda areia de seu corpo e retornar para devorar a pirâmide de panquecas regadas a mel.

O sorriso no rosto daquele homem era arrebatador, mas o brilho de seus olhos escondia uma dor tremenda, embora ele parecesse ocultá-la.

Trish sentou-se bruscamente à cama, o coração martelando, o rosto molhado. Embora quisesse ser aquilo suor, ela notava serem lágrimas quentes. Ela não sabia pelo que exatamente chorava, mas sentia uma necessidade absoluta daquilo. A garotinha do seu sonho parecia tão real, tão desprovida de preocupações, tão feliz, que ela a invejava profundamente.

Durante noites a fio, ela vem sendo assombrada por esse sonho, pesadelo ou até um déjà vu. Ela ainda não sabia como distinguir aquilo, mas parecia tão real. Ela ainda podia ouvir o sussurro da voz daquele homem em seu ouvido quando acordava num sobressalto pelas manhãs: "Procure se lembrar, querida." — ela não sabia o que aquilo poderia significar.

Ao olhar para seu lado na cama, Trish sorriu, o pânico do sonho sendo substituído pelo alívio. Jacob dormia preguiçosamente, o cabelo despenteado e os braços estendidos. Aquela seria sua felicidade de hoje em diante: ELE. O Black parecia visivelmente feliz, seu semblante demonstrava uma paz que ela nunca tinha visto.

— Ei, dorminhoco... — ela se debruçou sobre ele, o peso de seus seios tocando o peito dele, e traçou beijos suaves por toda linha de sua mandíbula, onde a barba por fazer pinicava. — Está na hora de acordar.

— Bom dia, amor. — ele murmurou ainda sonolento, a voz rouca e profunda. Ele abriu os olhos lentamente. — Estava chorando?

Trish apenas negou com um balançar de cabeça, enxugando as últimas lágrimas, e roubou-lhe um selinho demorado.

 Quando desceram a escada para o primeiro andar, o aroma estonteante de bacon e café coado atingiu-lhes em cheio. O cheiro se alastrava pela casa, abafando o cheiro de álcool da noite anterior.

Ao chegarem à cozinha, viram Allexya preparando o café da manhã, girando panquecas na frigideira, na companhia de Nikki, que bebia água com um comprimido na mão.

— Ei, bom dia, dorminhocos. Ou deveríamos dizer noivos. — disse a loira, sorrindo para eles, o queixo de Jacob ainda com marcas de batom.

— Bom dia, meninas. — os dois disseram em uníssono, a voz de Jacob estava mais grave do que o normal.

Quando Trish se sentou ao lado de Nikki, a morena logo semicerrou os olhos de forma desconfiada, interrompendo sua dose matinal.

— Hmm... — exprimiu, enquanto milimetricamente observava o rosto de Trish, de cima a baixo, procurando por evidências. — Esse rubor matinal e o cabelo bagunçado não me enganam.

Trish parou de mastigar sua panqueca e a olhou com a boca cheia.

— Do que está falando, Nikki?

— Vocês transaram. — disse de forma acusatória, mas com um sorriso malicioso.

— E daí? Onde está a surpresa, Nikki? — inqueiriu Allexya, revirando os olhos.

— Sim! Vocês transaram! — gritou Nikki, batendo na mesa com entusiasmo, como se esperasse sua vida toda por aquilo. — Ai, meu Deus! Eu te amo, Jake! Você finalmente fez o que tinha que fazer!

— Nikki, não surta, tá bom? E não bata na mesa, minha cabeça está explodindo. — pediu Trish.


PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora