Trish desistiu logo da caminhada solitária na praia quando viu Jacob se aproximando no horizonte com Embry. Ela estava escolhendo um péssimo momento para estar ali, justamente onde os lobos se reuniam, mas não havia outro lugar que a acalmasse.
Sabia que ele não queria conversar, evitando-a desde o dia anterior, orgulhoso demais para ouvir sua versão da história. Mas, em sua teimosia, ela não tinha feito nada de errado de verdade. Jacob poderia ao menos parar por um mísero minuto para ouvi-la, assim ele entenderia a verdade por trás da cena que vira.
O Black se sentou no mesmo tronco de árvore que seus parceiros, o olhar fixo no horizonte cinzento do Pacífico, sem olhá-la. Ele mal reconheceu a presença dela.
— Vai lá falar com ela, cara. Pelo menos para se desculpar pela Rachel. — sussurrou Embry, empurrando-o levemente com o cotovelo.
— Não tem nada para falar, Embry. Não temos mais nada para resolver. Combinamos em ser apenas amigos, e eu não tenho nada que...
— Amigos também merecem uma segunda chance e uma explicação, Jake. Você está sendo injusto. — disse Embry, a voz surpreendentemente séria.
Jacob parou para prestar atenção no que Embry estava dizendo. Quando foi que seu amigo amadureceu tão depressa assim, sem que ele percebesse?
— Ela gosta dele, Embry. Vi com meus próprios olhos. E ele é tudo que ela deveria querer.
— Quem disse? — questionou Embry, o ceticismo em seu tom era evidente. — Ela? Ele? Você?
— Não precisava nenhum dos dois dizer. Estava na cara. — murmurou Jacob, apertando a mandíbula.
— Eu não teria tanta certeza. Se estivesse na cara, ela não estaria sentada ali, congelando, esperando você falar. — cochichou Embry, se levantando e indo na direção em que ela estava, para dar-lhes privacidade.
Jacob não estava interessado em saber o que o outro quileute faria, não resolveria absolutamente nada o fato dele ter sido traído por sua própria esperança. Se algum dia existiu um pingo de esperança de um futuro, havia se decepado.
O Black ficou minutos demais encarando o agito das ondas, quebrando na areia, a brisa fria da tarde em seu rosto. Ele sequer notou a aproximação Dela, absorvido em sua amargura.
— Essa vai ser a última vez que você vai me ver por aqui. — a voz dela saiu mais embargada que o esperado, carregada de uma tristeza genuína, que ele não queria aceitar como real.
O quileute deu de ombros, ainda encarando o mar.
Sua indiferença calculada fez Trish morder os lábios. Ela não se moveria, não iria recuar.
— Será que consegue ao menos me olhar? — questionou-o, a voz subindo de tom, exigindo atenção.
Jacob finalmente se levantou e ficou frente à frente com ela. O corpo maciço e a proximidade súbita a fizeram esquecer-se de como se fazia para respirar. Ele era intimidador e lindo em sua raiva contida.
— O quê você quer, Trish? Seja rápida.
— Eu só queria resolver as coisas entre a gente antes de ir embora de Forks para sempre. — ela respondeu, com honestidade brutal. — Eu não quero ir embora com você me odiando.
Jacob pressionou os lábios, passando a encarar a praia deserta, evitando os olhos dela.
— Então é assim que resolve as coisas? — o mal-humor de Jacob era notável. — Indo embora?
— É assim que resolvo as coisas quando meu amigo decide me evitar e me julgar por uma coisa boba que você nem sequer deixou eu explicar.
— Coisa boba?! — inquiriu ele, voltando a encará-la, o volume de sua voz aumentando. — Eu vi você beijando aquele cara, Green. E você deixou ele te tocar.
— Eu não beijei ele, Jacob. Ele me beijou, e eu o empurrei. Você viu o final da cena, não o início.
— Quando um não quer, duas bocas não se beijam, Trish. E ele estava com o braço em você, e você estava rindo! — respondeu ele com descaso, citando um ditado velho e irritante.
— Você inventou isso agora, Jacob! Você está inventando essa regra porque está com raiva. — acusou Trish, a fúria em seu olhar igual à dele.
— Eu estou falando sério. E estou tentando te evitar para não perder o controle. — ditou Jacob, a voz baixa de novo, a sinceridade evidente.
— Eu também estou falando sério. E estou tentando não te beijar agora para provar que você está errado.
O sorriso que nasceu nos lábios da garota, vitorioso e vulnerável ao mesmo tempo, fez Jacob paralisar. Ele lutou para que seu pulmão voltasse a trabalhar, incapaz de resistir ao charme dela. Ele, cansado daquela postura hostil, acabou soltando um riso nasal, rendido.
— Me perdoa? — os olhos dela brilharam de expectativa, enquanto esperava sua resposta. — Eu nunca beijaria o Brandon, Jacob. Pelo menos não sentindo essa coisa estranha que sinto quando você está por perto.
— Droga, Green. — Jacob sussurrou, a postura de bravo se desfazendo, seus ombros caindo em alívio.
Trish aproveitou o momento, avançando e o abraçando com força, sabendo que tinha vencido a batalha do orgulho dele.
Ele enterrou o nariz na curva de seu pescoço, sentindo o cheiro familiar de pinho e maresia. Ele suspirou, um som profundo de cansaço e rendição.
— Custa não sorrir quando eu tiver bravo com você? Eu pareço um idiota.
— Desculpe. É que você fica fofo quando está com ciúmes. — ela sussurrou, rindo levemente.
Ele a soltou aos poucos e namorou seu rosto por alguns segundos, queria registrá-lo em sua mente — porque nunca saberia quando seria a última vez. Trish sorriu, inclinando a cabeça de lado, achando a cara séria de Jacob inusitada.
— Me diz o que rolou na festa, então. E seja rápida, antes que o Sam perceba que eu não estou trabalhando. — ele pediu.
— O Brandon estava chapado demais para enxergar um palmo diante de seu nariz, e eu estava distraída. Resumindo, ele só queria fazer ciúmes em Nikki. Ele me beijou porque ela estava vendo.
O quileute franziu o cenho, confuso.
— Em Nikki? Por quê?
— Ele gosta dela. É a garota que ele realmente quer. Por isso ele fez drama comigo. — respondeu Trish, desfazendo sua nuvem de dúvida com uma única frase.
— E por quê ele não diz isso à ela, ao invés de ficar beijando a melhor amiga dela? — questionou Jacob, consternado, a lógica humana sendo um labirinto para ele.
— Ele não pensa com a cabeça de cima, Jacob. É por isso que ele é o Brandon.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
