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 Alguns minutos já haviam se passado naquele terraço frio, o vento cortante de Stanford chicoteando os cabelos de Trish. Ela ainda não tinha lhe dado uma resposta. Permanecia em silêncio, de costas para ele, observando a cidade ao horizonte – um mar de luzes cintilantes que parecia infinitamente distante de Forks.

O silêncio dela era torturador demais, era um julgamento sem palavras. Jacob decidiu tomar a iniciativa, enchendo o peito com o ar gelado para continuar falando sobre seus sentimentos. Ele tomou um longo gole da cerveja que ainda segurava.

— Elas podem até ser lindas, ter o cabelo perfeito ou o sorriso certo, mas nenhuma causa em mim o que só você é capaz de causar. Você me desestabiliza. — nada além do silêncio e de sua respiração que ele ouvia, nada além do vento soprando angustiado, nada além do vaivém dos carros lá embaixo.

Tudo bem. Ela literalmente estava decidida a não falar nada, dando-lhe assim a liberdade de despejar o coração. Ele encarou a garrafa por pouco vazia em suas mãos. O líquido não mais parecia apetitoso quanto antes, mas era encorajador o bastante para continuar bebendo e falando.

— Eu já fui despedaçado uma vez, perdi para um cara que me fez me sentir uma merda, que ainda faz com que eu me sinta um merda a cada manhã que me olho no espelho. Eu não vou mentir e nem tenho razões para fazer isso. Eu sou imperfeito, Trish.

Um suspiro longo e pesado escapou dos lábios dela. Nada mais.

Jacob andou passos em sua direção e permaneceu ao seu lado, olhando o horizonte, ombro a ombro. Assim de perto ele podia ouvir o zumbido quase imperceptível da circulação dela, o calor que emanava debaixo do seu casaco.

— Eu não sabia que podia ser liberto até você chegar, aparecer e me mostrar isso. Você é a minha liberdade. — ele continuou, a voz ficando mais baixa e urgente. — Eu não quero que isso que eu sinto por você acabe, ou que isto que bate dentro de mim pare de bater, pois encontrei em você o que sempre faltou em mim. De repente descobri que você me completa. Você é a peça.

Jacob a ouviu fungar e se virou para olhá-la, a luz da cidade refletida em seus olhos úmidos. Trish o olhou de volta, seus olhos verdes marejados, e o abraçou com força, permitindo-se chorar pela primeira vez desde que seu pai havia aparecido.

— Me desculpe, Jake. É muita coisa para processar. — ela murmurou, a voz abafada contra seu peito.

— Tudo isso é estranho para mim também, Green. — disse ele, beijando o topo de sua cabeça, sentindo o perfume de baunilha. — Por várias noites eu sonhei com o seu sorriso sem ao menos saber quem você era. Acordei com seus olhos fixados na minha mente e seu cheiro. Eu não sabia como explicar, mas eu podia senti-lo impregnado nas minhas narinas. Era como se eu a tivesse sem ao menos conhecê-la. Esse é o imprinting.

Aos poucos, Trish foi se acalmando dentro de seu abraço e se soltando, enxugando o rosto com as costas das mãos.

Por um momento, ambos permaneceram em silêncio, apenas se olhando.

— Jacob, eu... — ela hesitou brevemente, o olhar vacilando. — Eu não sei nem o que dizer... Eu... É claro que eu sinto muitas coisas por você. Eu só não sei dizer todas essas coisas bonitas que você me disse. Eu... Você consegue ver o quão falha eu sou? O quão quebrada?

Ele deu um passo em sua direção e segurou suas mãos, os dedos grandes envolvendo os dela.

— E mesmo assim eu te amo, Green. Com todas as suas falhas.

— Talvez essa conexão entre a gente seja coisa do imprinting, não sei, eu... — novamente ela hesitou, tentando racionalizar o sentimento avassalador.

Sim, poderia ser coisa do imprinting. Na verdade, era coisa do imprinting. Mas o sentimento era real.

— Talvez. Mas podemos deixar isso passar despercebido. Podemos tratá-lo apenas como amor. — disse Jacob, beijando suas palmas. — Não vamos perder mais tempo do que já perdemos, Green.

Ela sorriu calorosamente, um sorriso que iluminou o terraço escuro, e se jogou em seus braços novamente.

— Eu quero me casar com você, Jacob Black! — ela bradou, com a voz embargada, mas cheia de convicção.

Uau. Casar? Não era isso que ele estava esperando, mas a declaração o deixou ainda mais feliz. Realmente, ele deveria ter tomado essa iniciativa antes.

— Mas... — titubeou o Black, a surpresa evidente em sua voz. — E o pedido de namoro?

— Vamos transformá-lo em um pedido de noivado. É mais rápido. — disse ela, dando pulinhos de felicidade que faziam a escada de metal ranger.

Jacob negou com a cabeça, sorrindo.

— Você não existe, garota. Você é um furacão.

Ela fez beicinho e o puxou pelo cós da calça, dando-lhe um selinho rápido.

— Sim, existo. E você vai se casar comigo.

— Bom, parece que sim. — brincou Jacob, a alegria explodindo em seu peito.

Trish, na ponta do pé, o abraçou novamente, apertando-o com toda a força. Ela amava abraçar Jacob, amava sentir o quão quente seu corpo era, e amava mais ainda quando o seu próprio entrava em chamas de calor e imprinting quando isso acontecia.

— Você é o amor que eu sempre quis ter. — ela sussurrou.

Jacob sorriu e a buscou para um beijo longo e profundo, selando o acordo em meio ao barulho da cidade.

— Não acredito! — o grito estridente e agudo de Nikki os alertou para estarem sendo observados.

Eles se separaram abruptamente, encontrando Nikki e Allexya paradas na porta de emergência.

— Desculpa, gente, eu tentei segurar ela, mas... — interveio Allexya, contendo o sorriso orgulhoso, os braços cruzados sobre o peito.

— Tudo bem, Lexy. — disse Trish.

A ansiedade pulsava no corpo de Nikki, que ainda os olhava perplexa.

— Trish, sua vadia! — bradou ela a plenos pulmões, sem se importar com a localização. — Você vai se casar! Porra, até que fim, Black! Você fez o pedido!

Trish e Jacob as olhavam abraçados e sorrindo. Era uma amizade bem saudável a de Nikki, cheia de amor e ameaças.

— Por nada, Nikki. Eu tive um bom incentivo. — disse ele.

— Não banque o espertinho com a minha garota, Black. — ela o ameaçou, dando um passo à frente. — Ou eu arranco essa coisa reprodutora que você carrega aí embaixo e dou para os lobos comerem.

Qual era o problema dela com órgãos genitais masculinos? Jacob não esperaria para descobrir. Ele apenas abraçou sua noiva, rindo.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora