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 Ela se remexeu contra o ninho de cobertores. O dia havia amanhecido, e ela estava em seu quarto, em sua cama, mas a última coisa que lembrava era a cabeça aninhada no peito quente de Jacob.

O ressonar baixinho e cansado vindo do chão a fez se erguer. Seus olhos focaram na figura curvada, envolta em um cobertor.

— Black. — sussurrou para acordá-lo.

Jacob abriu os olhos com dificuldade, a luz da manhã os incomodando. Ele a olhou, a expressão sonolenta, mas alerta.

— Oi, você dormiu aqui?

— Sim.

Ela sentiu uma pontada de culpa. — Tadinho, deve estar com dor no pescoço.

Jacob se levantou em um movimento fluido, sentando-se na beirada da cama, esticando os ombros.

— Você disse que o calor da minha mão era confortável. Eu estou bem, não se preocupe.

Ela sorriu, um gesto de genuína gratidão, e o abraçou. Seu toque era leve, mas Jacob enrijeceu sob ele. Ele limpou a garganta, e Trish se ligou da tensão. Ela o soltou imediatamente.

— Não quis atrapalhar seu sono.

— Realmente eu dormi que nem uma pedra. — ela concordou, arrumando o cabelo com as mãos. — Mas se quiser ir, Sam pode não gostar de ver você por aqui.

— Ele não se importaria.

— De toda forma, eu estou bem. — disse ela, deslizando para fora da cama, sentindo o corpo aliviado da dor da noite anterior. — Eu preciso ir ao banheiro. Você já pode ir.

— Eu posso ficar se quiser. Podemos maratonar mais alguns episódios de Supernatural.

— Sério?

Ela sorriu tão largo que sentiu seu maxilar doer, e a luz daquele sorriso aqueceu o coração do Quileute. Ele assentiu.

— Ótimo. Me espera lá embaixo.

Trish saiu do banheiro após o banho, sentindo o cheiro de sabonete e vapor. Ela se vestiu com o que suas poucas peças de roupas ofereciam e desceu as escadas.

— Bom dia, Sam. Emily.

— Bom dia, Trish. — respondeu Emily, gentilmente, da pia.

— Melhor? — perguntou Sam, enquanto ela se sentava ao lado de Jacob, que já a esperava.

— Impossivelmente melhor. — respondeu, cortando uma generosa fatia de torta de abóbora, colocando-a em seu prato. — Graças ao Jacob.

— Jacob?! — inquiriu Sam, olhando-o de canto, o canto da boca se repuxando num sorriso contido. — Então não é mais Black?

— Uma coisa de cada vez. — indagou ela, sentindo a maldade nas palavras de Sam. — Ah, antes que eu me esqueça, ele vai passar o dia aqui comigo, tá bom?

Sam e Emily se entreolharam, sorrindo minunciosamente.

— Sem problemas.

Eram quase sete da noite. A chuva lá fora caía em torrentes e o som da água batendo no telhado era constante. Trish torcia para Jacob conseguir chegar até a casa de Sam enxuto.

Ela saiu do quarto descalça, adorava sentir o chão frio sob seus pés e já estava adorando os rangidos da madeira a cada pisada que dava, enquanto descia a escada.

Sam e Emily haviam ido jantar na casa de algum conhecido, dando privacidade e total liberdade à ela. Trish se sentia à vontade. Estava acostumada a ficar sozinha, mas não sozinha com um garoto que a fazia suspirar a cada cinco segundos.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora