— Eu vi o que você fez. — disse Emily aos sussurros, assustando-a.
Trish procurou por Sam e viu que ele estava ocupado demais na ponta da mesa, concentrado em limpar sua tigela, para ouvi-las. O som metálico dos talheres era o único a quebrar a quietude.
— Mas eu não vou dizer ao Sam.
Trish se virou para olhá-la e sorriu, um gesto dissimulado.
— Ótimo.
— Por quê VOCÊ vai dizer a ele.
Essa mulher só podia estar de brincadeira. Trish inclinou a cabeça, cética.
— Eu só fui andar por aí. — disse Trish, tentando ganhar tempo e parecer indiferente.
Emily cruzou os braços, encarando-a com uma expressão que misturava pena e firmeza. Ela estava parada ao lado da pia, o cheiro de sabão competindo com o aroma do bolo. Emily não se movia, forçando Trish a sustentar o olhar.
— Com o Paul? Sério?
— Sim, por quê não? — a garota imitou-a. Ela deu de ombros, virando-se para pegar um copo d'água, um movimento calculado para demonstrar desinteresse. — O Paul é um parceiro e tanto, se quer saber.
— Você não conhece o Paul tão bem.
Desde que chegou àquele lugar, tudo que Trish mais ouvia pelos quatro cantos era que Paul não era quem ela pensava, que Paul não era isso, que Paul não era aquilo... Dane-se, ela não ligava.
— Talvez eu te peça o relatório completo dele, mas agora não estou afim.
Emily negou com a cabeça, abrindo a boca para retrucar, mas Sam se aproximou, surgindo como uma sombra.
A mudança de humor no ambiente tão palpável quanto a mão que ele pousou no ombro de Emily.
— Relatório de quem, Trish? — perguntou, aproximando-se.
A garota se virou para ele e sorriu com inocência forçada.
— Do Paul. Emily está dizendo que eu não posso ser amiga dele.
— Eu não disse isso.
— Nem precisava. — disse Trish, gesticulando com a mão. — A forma que uma pessoa fala, mostra muita coisa.
— Quer um relatório sobre o Paul? — perguntou Sam, abraçando a esposa por trás e beijando seu rosto. — Eu mesmo posso te dar.
Trish abanou as mãos em negação.
— Eu dispenso.
— Então vamos jantar. — disse Sam, se sentando. — O que você fez hoje?
Ela encarou Emily, que já havia se sentado, e depois se acomodou à mesa.
— O quê eu poderia ter feito?
— Quer dar uma volta pela cidade amanhã? — ele perguntou. — Eu te levo.
— Não tem patrulha para fazer? — Sam negou veementemente. — Tudo bem então.
Após o jantar, Trish decidiu tomar banho. Ela precisava lavar o cheiro de Port Angeles e de fumaça da sua pele. Depois, se sentou nos degraus de madeira da área externa da casa e encarou o escuro, que parecia engolir a luz. A madeira sob seus dedos estava úmida e fria, e ela se encolheu levemente no coturno. Lá dentro, as risadas abafadas de Sam e Emily faziam a solidão parecer ainda mais aguda.
Seu celular vibrou em seu bolso, quebrando a melancolia. Ela encarou o visor e sorriu antes de atendê-lo.
— Oi, mano.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
Hombres LoboA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
