O sol da manhã era impiedoso. Trish gemeu, virando-se na cama enquanto o cheiro de pizza fria e perfume barato pairava no ar. A noite havia sido longa e culminado com a inevitável festa de formatura, da qual eles haviam escapado cedo o suficiente para evitar a polícia, mas tarde demais para evitar a ressaca. Ela tateou a mesa de cabeceira, engolindo uma aspirina sem água.
Jacob, com sua imunidade de Quileute a dores de cabeça mundanas, já estava de pé, dobrando um cobertor que parecia ter abrigado Brandon no sofá. Ele sorriu ao vê-la acordar.
— Hora de levantar, bela adormecida. Temos uma viagem a fazer.
— Que horror — ela resmungou, forçando-se a sentar. — Me lembre de nunca mais beber ponche com gelo seco.
Eles tomaram um café rápido, embalaram as poucas malas e, meia hora depois, Green já estava ao volante do carro. O resto do grupo – Nikki, Allexya e um Brandon visivelmente sofrendo – já estava acomodado.
— Eu nem acredito que a gente está indo para La Push — disse Nikki, saltitante no banco detrás, apesar da voz arrastada pela falta de sono. — Parece até mentira.
Brandon bufou alto, esfregando as têmporas.
— Não sei por que está tão eufórica, não deve ter nada de mais lá — resmungou, entediado, tentando ajustar a bandana que usava para disfarçar o cabelo sujo.
— Eu não diria isso se fosse você — comentou Trish, sorrindo de canto.
— Ainda continuo sem interesse — disse ele, dando de ombros. — Estamos deixando de participar da maior festança de formatura da história, para ir, sabe onde? A merda de um pântano.
— Então para que veio, seu idiota? — chiou Jacob, com sua simpatia habitual, virando-se ligeiramente no banco do passageiro. Aquele loiro filho de uma mãe estava sempre empatando alguma coisa, sempre de mau humor. Jacob ainda se perguntava por que diabos elas ainda se davam ao trabalho de convidá-lo para algo.
— Não enche.
— Ele não vive sem a gente, está na cara — comentou Nikki, que parecia ter passado as últimas três horas se hidratando e agora exibia uma aparência impecável.
— Não, queridinha — prosseguiu Allexya, olhando-a e sorrindo de soslaio. — Você sabe bem sem quem ele não vive.
A garota revirou os olhos, mas um rubor subiu ao seu pescoço.
— Ah, cala a boca.
— Que tal todo mundo fechar a matraca e só abrir quando chegarmos lá? — Jacob interveio novamente, voltando-se para a estrada. — E Brandon, a próxima vez que você chamar a reserva de pântano, sua família o dará como desaparecido.
Trish sorriu. Jacob era o único capaz de usar ameaças veladas com tanta casualidade.
O loiro estendeu e mostrou-lhe o celular.
— Eu gravei isso bem aqui, seu retardado. Se algo me acontecer durante esses dias...
— É bom que tenha algo em sua defesa — implicou Jacob, sorrindo de canto.
— Relaxa, Brandon — disse Trish, tentando acalmar os ânimos. — O máximo que pode te acontecer é levar algumas picadas de insetos.
— Ou... mordidas de animais selvagens — completou Jacob, sem tirar os olhos da estrada.
— Vocês são patéticos — o garoto resmungou, jogando-se contra o encosto do banco.
E assim, o silêncio tomou conta do veículo, exceto pelo sussurro balbuciado que saía dos lábios de Nikki, que parecia estar cantarolando alguma canção pop no volume mínimo.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
