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 Jacob já não estava mais ouvindo as léguas de informações que Nikki ou Allexya lhe diziam. Seus olhos, sua mente e todos os seus sentidos pairavam inteiramente sobre Trish, enquanto ela se esbaldava na pista de dança, cercada por um círculo apertado de pessoas. A garota já havia bebido variados tipos de bebidas coloridas, o copo quase sempre cheio, enquanto ele estava namorando a primeira e única cerveja, mal tocada.

Ele nunca pensou em tirá-la do mundo ao qual pertencia. Green se encaixava em tudo aquilo, na agitação, no luxo descontrolado. Tudo aquilo se encaixava igualmente a peças de quebra-cabeça, no entanto, ele não. Jacob vinha de uma linhagem milenar, seguia a descendência de seu pai, o sangue do lobo pulsava em suas veias, ele pertencia à reserva. Seu lugar era em Forks, sair de lá nunca fora uma opção saudável. A matilha era o mais próximo de amigos que ele tinha, era sua casa, sua família, seu único universo, antes Dela.

A chegada de Trish foi um misto de surpresa e alegria. Ele não esperava sofrer um imprinting, logo pela sobrinha inconsequente e alucinada de Sam, mas não era ele quem escolhia. Seus ancestrais a colocaram em sua vida com uma razão, a qual ele desconhecia amargamente.

Jacob, por mais que quisesse ir lá e dançar com ela, demonstrar que ele também podia ser aquele cara, não conseguia se levantar de onde estava. Seu corpo parecia traidor, não respondia a seus estímulos, preso à mesa.

Já Trish, por sua vez, passou a ser envolvida pelos braços de outro. Um braço possessivo se curvou em torno de sua cintura. Aquela cena, simples e cotidiana para aquele ambiente, lhe ferveu os neurônios. O Black sentiu a raiva entrar em ebulição dentro de seu corpo, uma onda de calor que nada tinha a ver com a temperatura do clube.

— Brandon! — ele ouviu a voz de Nikki soar animada ao seu lado, enquanto ela acenava para o garoto que tinha abraçado Trish na pista.

O loiro, que Jacob mentalizou instantaneamente como oxigenado, não tirava o braço ao redor da cintura de Trish. Aonde estava a droga do distanciamento corporal necessário entre dois amigos? O garoto beijava a todo instante o rosto dela, um carinho na bochecha, no canto da boca, e Jacob podia sentir sua testosterona agindo, ameaçando o controle que ele tinha sobre si.

Trish não estava se importando em ser tocada por ele, muito pelo contrário. Ela inclinava a cabeça e ria com a atenção.

São apenas amigos.

Apenas amigos.

Sua mente gritava desesperadamente. "Ela não é seu território, Jacob." Ele tentou convencer-se, mas sua raiva e seu ciúmes aplacavam quaisquer sentimentos mais gentis que o imprinting causava.

Jacob pensou em sair dali, tomar o ar ao qual seus pulmões suplicavam, mas suas pernas se negavam a se moverem para longe, amarradas à visão da pista.

Ele estava certo de sentir ciúmes, afinal, como competir com um loiro natural — embora ele ainda insistisse em mentalizá-lo como oxigenado —, portando dois ridículos olhos verdes, uma boca exageradamente vermelha e dentes horrivelmente brancos e alinhados? Não fazia sentido a beleza extravagante daquele cara. Sua massa corporal não podia ser comparada à de Jacob, mas ainda assim, o puto era infernalmente atraente.

A forma com a qual ela sorria para ele o irritava mais ainda. Era um sorriso aberto, de uma cumplicidade que ele gostaria de ter, e era como se de alguma forma, indiretamente, quisesse afetá-lo.

— Tem certeza que está bem, Jake? Você está pálido, ou talvez seja a luz. — ele ouviu a voz de Nikki, que entrou em seu campo de visão, interrompendo sua análise destrutiva.

— Estou bem. Estou apenas entediado.

— Você está com uma carinha de cachorro caído da mudança. Quer que eu traga outra cerveja, talvez mais forte?

Isso. Massacra, Nikki.

Jacob permitiu-se sorrir brevemente, um sorriso falso e rápido, na esperança de que fazendo isso tiraria a morena da sua frente.

Nikki deu-se por convencida, murmurou algo e partiu na direção da pista de dança. Jacob agradeceu-a mentalmente por ter entrado na conversa, pois ela acabou se colocando entre Trish e o loiro, que se afastaram ligeiramente.

— Ele é lindo, não é? Dá até raiva de olhar. — ele ouviu a voz de Allexya, que tomou o assento antes vazio do seu lado. A loira olhava com um frenesi absoluto na direção da pista. Logo ele detectou um sentimento de resignação no ato.

— Chega a ser uma afronta. Parece que foi feito em laboratório. — concordou com ela, o sarcasmo ligeiro esmagado pela amargura.

— Ela tem sorte por não gostar dele. Ele é o sonho de consumo de metade da cidade, mas Trish só o vê como o irmão mais velho irritante. — balbuciou ela, pesarosa, um suspiro profundo.

O sorriso e o olhar carnal que o tal Brandon dava sobre Green deixavam Jacob possesso. Sua vontade era de ir até lá, arrebentar aquele cara com um empurrão e tirar sua garota — sua garota, ele pensou com o ciúme o queimando — de seu encanto.

O Black desviou o olhar por alguns instantes para a loira, que estava tão incomodada quanto ele do seu lado, e endireitou-se quando voltou a olhar para o local onde antes estavam dançando.

Eles não estavam mais lá.

— Para onde eles foram? — perguntou ele, desnorteado, a voz mais alta do que o pretendido.

Allexya deu de ombros, voltando a beber seu coquetel.

— Não sei, talvez tenham ido buscar algo para beber no bar.

Não era possível. Ele só desviou o olhar por alguns segundos!

Jacob se levantou, predisposto a ir procurá-la, ignorando a raiva de ter que se enfiar mais ainda naquele caos. Ele atravessou a multidão, os olhos focados, buscando o cabelo vermelho e a jaqueta de Brandon. Ele virou um canto estreito que levava para a área dos banheiros.

O que seus olhos viram seu coração não permitiu-se sentir.

Lá estavam eles.

Encostados na parede, escondidos à vista de todos que passavam apressados. Os dois estavam se beijando. Um beijo profundo e desinibido. Nem o corredor estreito nem o movimento das pessoas ao redor os intimidavam.

Jacob tinha certeza de que sua vida havia acabado ali.

O som do clube sumiu, substituído por um zumbido agudo em seus ouvidos. As paredes pareceram apertá-lo e sufocá-lo cada vez mais, e ele se inclinou para a frente, apoiando-se na parede para não cair. Ele não tinha mais nada a fazer ou ver ali, sua ruína já estava formada. O beijo de ontem, a esperança tola, a chance de um futuro juntos, tudo se dizimaram em frações de segundos.

Ele se virou, começando a marchar para a saída, atravessando a multidão como um touro cego.

— Jake! Jake, volta aqui! O que aconteceu?! — ele ouvia os gritos desesperados e confusos de Allexya, que corria atrás dele, mas ele não parou. A única coisa que importava era fugir do cheiro e do som daquele lugar.







PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora