— Dá uma licencinha.
Trish desviou-se da conversa que estava tendo com Paul, onde ele falava sobre a patrulha da manhã e se virou para a dona do pedido de licença. Era uma garota de cabelo escuro, com uma maquiagem pesada que parecia desafiar a umidade do ar.
— Precisa de ajuda? — a Uley perguntou, analisando a garota de cima a baixo.
— Eu preciso falar com ele a sós. — disse a outra garota, apontando para Paul com o queixo, sem sequer olhar para Trish.
Trish analisou as probabilidades que teria de dar licença àquela garota, visto que Paul se enrijeceu visivelmente com sua presença, parando de sorrir.
— E você seria? — perguntou a Uley à clandestina, cruzando os braços.
— Você está querendo saber demais para o meu gosto.
Trish riu incrédula do indagado da outra. O barulho da festa (música e vozes) parecia diminuir ao redor delas, concentrando a atenção na tensão crescente.
— E você está me atrapalhando demais para o meu gosto. — rebateu.
— Atrapalhando?! — inquiriu, dando um passo à frente. — Cai fora logo, vadia!
— Eu te mostraria o vadia, mas não estou com vontade.
Trish manteve-se no lugar, imperturbável, quase tocando o peito de Paul com o cotovelo.
— Affs. — a outra bufou, revirando os olhos. — Você está sobrando aqui, não percebeu ainda?
— Eu só saio quando ele pedir. — disse Trish, virando-se para Paul, que estava estranhamente calado.
— O que está esperando para mandar ela ir pastar? — questionou a outra.
Paul massageou a testa com o polegar, parecendo exausto.
— Olha, eu não sei nem seu nome, menina. — falou Paul, vasculhando no fundo de sua mente informações sobre a mesma. — Se rolou algo entre a gente, com certeza não valeu a pena, caso contrário eu me lembraria de você.
— Você tá zoando, né? — inquiriu a garota, desacreditada, o rosto contorcido em ultraje.
— Por acaso eu pareço estar? — retrucou Paul.
— Quer saber? — ela intercalou o olhar enojado entre Paul e Trish e sorriu com escárnio. — Vai à merda, seu idiota!
Ela deu as costas e rebolou para longe, afundando os pés na areia.
— Você se esqueceu do gostoso! — gritou Trish, ganhando como resposta o dedo do meio da garota. — Sério isso, Lahote?
— O que eu posso fazer se elas não resistem ao meu charme? — Paul deu de ombros, finalmente relaxando o corpo.
Jacob estava sozinho, sustentando uma carranca de dar medo — talvez por isso ele estivesse solteiro, mas uma boa vidente encontraria uma beleza soterrada ali. Ele estava encostado em um tronco, observando a multidão sem participar.
— Eu não vi você bebendo desde a hora que chegamos. — comentou Trish, se aproximando dele e sentindo o cheiro de sal e mar.
— Eu não bebo em serviço. — respondeu sutilmente.
— Hm.
Jacob era sério demais para ser verdade.
— Percebi que você já fez amizades. — disse ele e ela sabia que estava sendo irônico.
Jacob, assim como ela, olhava na direção de Paul, que já estava flertando com outro grupo de pessoas.
— Chama aquilo de amizade?! — inquiriu ela, incrédula.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
