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 Sabe quando você se perde na própria dimensão criada por sua cabeça e que dia após dia passa a fodê-lo de uma forma nada delicada? Era assim que Jacob estava se sentindo. A boate de Stanford era um turbilhão sensorial: luzes estroboscópicas, música alta e o cheiro de suor, perfume e álcool.

Ele estava fissurado em Trish. Fissurado em vê-la dançar, se exibir para os garanhões de plantão. Que olhassem, que contemplassem-na enquanto ainda podiam, porque passadas as horas e, conforme sua resposta, ela seria apenas dele.

Trish estava contente. Seus olhos brilhavam sob as luzes coloridas da pista. Talvez ele tivesse acertado no presente de aniversário, trazendo-a para sua realidade, para se reconectar com as amigas.

Aquela mulher tinha que ser sua esposa, a mãe de seus filhos.

Trish não se igualava às demais garotas presentes na boate, que volta e meia a cumprimentavam. Ela era especial. Não somente especial por ter um passado desregular, não somente por ser falha, ou por ter perdido a mãe, ou por escolher ficar chapada para sair da realidade, mas por ser quem era.

Linda, sexy, e radiante.

Aquele vestido, de um tom profundo de verde esmeralda, apenas realçava tudo que ele já tinha noção de como seria. O tecido parecia moldar-se à ela, seguindo suas curvas com precisão. Era justo o suficiente para ser provocante, mas elegante o bastante para manter a classe. Era só ela não se abaixar que tudo ficaria bem, pensou Jacob, apertando a mandíbula.

Os caras não paravam de olhá-la, mas ele não tinha o que reclamar, já que estava fazendo o mesmo. A diferença era que os olhares dele eram de posse e devoção.

— Ei, garanhão! — Jacob quis descontar aquele tapinha leve em seu ombro, só que convertê-lo em uma sequência de socos bem no meio de sua cara, desfigurar aquele rostinho lindo de Brandon.

— Não ponha suas mãos em mim. — foi tudo que disse Jacob, a voz baixa, controlada por uma força de vontade imensa.

— Ela está incrível, não acha? — perguntou Brandon, seu sorriso teatral e seu olhar carnal pousados na direção onde sua garota estava com suas amigas. Ele parecia se divertir com o desconforto de Jacob.

Jacob não respondeu, pois se abrisse a boca diria inúmeras barbaridades àquele gigolô de quinta categoria. Sendo assim, não queria estragar a noite de sua garota.

— Não sei o que ela viu em um cara como você. — engajou Brandon, perspicaz, bebendo um gole longo do seu copo.

— Quer que eu faça você engolir essa garrafa, Brandon? Eu não estou brincando.

— Estou apenas tentando ser seu amigo, cara. Você está tenso. — defendeu-se Brandon, sorrindo.

— Eu já tenho amigos o suficiente. Não preciso de você.

— Não é o que...

— Aí, será que pode calar a boca ou quer que eu faça isso? — bradou Jacob, rompendo sua bolha de tolerância. Seus olhos escuros fixaram-se em Brandon, prometendo violência.

Allexya se aproximou com seu sorriso carismático de sempre e ladeou o Black, pondo a mão em seu antebraço. O toque feminino e a interrupção fizeram Jacob passar a respirar com calma, controlando a transformação.

— Está na hora, Jake. Agora. — a loira cochichou, a urgência em seu tom era inconfundível.

— Eu não vou fazer isso aqui, Lexy. Não com toda essa gente olhando. É muito barulho. — amedrontou-se ele.

— E quando pretende fazer? Na volta para Forks, no meio de uma neblina?

Jacob prendeu o ar e questionou-se a mesma coisa. Ele havia adiado o momento por dias. Afinal, era para ser algo íntimo, um pedido privado, apenas entre os dois. Ele não tinha uma plateia de estudantes universitários em mente.

Nessa mesma hora, ouviu-se o bufar de Brandon ao se levantar, o loiro parecendo frustrado por não ter iniciado uma briga. Brandon se evadiu até a pista de dança.

O loiro pegou Trish pelo braço, o que fez Jacob ameaçar dar um passo. O lobo em seu interior rosnou. Allexya o interceptou com o braço, percebendo que Brandon estava apenas tentando ajudar Trish a sair da confusão da pista.

Brandon soltou a amiga próximo a onde o Black estava e desapareceu entre as pessoas na sequência.

— Brandon disse que queria falar comigo. O que foi? — perguntou Trish, curiosa, a respiração ligeiramente ofegante pelo calor da dança.

Jacob olhou de relance para Allexya como se lhe pedisse direcionamento. A loira apenas sorriu encorajadoramente.

— Vou procurar pela Nikki. Nunca se sabe onde ela pode estar com a boca nessas horas. Boa sorte, Jake. — Trish e o Black se entreolharam perplexos e contiveram o riso com a ironia da amiga.

Todas as palavras fugiram numa velocidade alarmante e sua garganta secou, impedindo-o de raciocinar o que ele diria na sequência. Ele se sentiu novamente como o garoto de 16 anos, gaguejando.

Trish, alheia ao pânico dele, se direcionou ao bar próximo, pedindo mais uma bebida, enquanto permanecia distraída olhando ao redor.

— Aqui está seu drink. — abordou-a o barman, entregando um copo colorido.

Trish sorriu agradecida e tratou logo de bebericar a bebida, tentando se refrescar.

— Você notou no quanto as garotas aqui são lindas e não param de olhar para você, Jake? Você está chamando muita atenção. — indagou ela, olhando-o e sorrindo.

— Não. Eu não notei. — respondeu Jacob, com a voz séria. — Porque enquanto você ficou aí distraída olhando para elas, eu não parei de olhar para você.

Nessa hora, o sorriso de Trish morreu aos poucos. Ela tratou de voltar a beber sua bebida e desviou o olhar, surpresa com a intensidade da resposta.

Jacob aproveitou a oportunidade para pedir uma cerveja no bar, pegou o copo e logo em seguida disse a Trish que o acompanhasse em um lugar mais calmo para que pudessem conversar.

Trish o seguiu com dificuldade por entre as pessoas. Os dois usaram uma porta discreta marcada como "Saída de Emergênciae a escada de incêndio, escura e fria. A Uley se perguntou como Jacob poderia saber da existência daquele lugar se nunca antes havia pisado ali. Mas esse já não era mais o caso; ele parecia conhecer todos os caminhos para a paz dela.

O vento frio do terraço a atingiu em cheio, fazendo-a se encolher. Jacob tirou o casaco de couro e ofereceu-lhe, que ela aceitou imediatamente.

— O quê você queria me falar? — mais uma vez ela insistiu em saber, sentindo a adrenalina da discoteca se dissipar.

— Eu preciso te falar isso antes que eu perca a coragem mais uma vez, Trish. E antes que eu te perca de novo.

Ela assentiu, arqueando as sobrancelhas. Pela expressão de pânico preso ao rosto dele, era como se ele estivesse a ponto de lidar com o seu pior inimigo.

— Green... — ele começou, a voz baixa, lutando para manter o contato visual. — Aceita namorar comigo?

Trish apenas sorriu e Jacob não soube de imediato o que aquela droga de sorriso queria dizer.







PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora