Jacob desceu as escadas, apressado, seus passos ecoando no mármore. Ele estava irritado, envergonhado e, acima de tudo, pronto para fugir.
— Espero que tenha arrumado suas coisas, Green, porque estamos voltado para Forks agora mesmo. — alertou-a, o tom frio e cortante, sem lhe dar a chance de sequer olhar para ele.
Trish se levantou do sofá com uma fúria controlada, para encará-lo, cruzando os braços. Ela não daria o braço a torcer e o deixaria fugir.
— Eu não vou. Não saio daqui enquanto você não falar direito comigo, Jacob. Você me deve uma explicação pelo show de covardia.
— Direito?! — inquiriu Jacob, virando-se bruscamente, com a incredulidade queimando em seus olhos. — Eu falo como eu quiser. Você não é a dona da minha boca.
— Jacob, não seja infantil. Estamos falando sobre o que aconteceu entre a gente, não sobre o seu orgulho ferido por causa de um selinho idiota. — chateou-se ela.
— A única criança aqui é você, Green. A única que não consegue manter a boca longe de encrenca e depois tenta colocar a culpa no outro. — rebateu ele, o golpe atingindo Trish como um tapa.
A determinação de Trish endureceu. Ela não permitiria que ele a fizesse sentir culpada por ter cedido ao ciúme de Brandon, não depois do beijo que eles haviam compartilhado.
— Tudo bem. Se quiser ir agora, vai. Eu não vou. Pode ligar para o Sam.
— Ótimo. Sam vai adorar vir buscá-la de madrugada. — provocou Jacob, indo abrir a porta, pronto para abandoná-la.
Trish andou duramente até ele, com a raiva flamejando em seus olhos. Ela não deixaria que ele a ignorasse.
— Escuta aqui, seu i... — ela não teve tempo de terminar sua frase, pois Jacob, reagindo com a velocidade de um lobo, a prensou com tudo contra a porta, a madeira sólida vibrando com o impacto. Ele segurou seus braços acima de sua cabeça, incapacitando-a de se mover, o corpo musculoso colado ao dela.
— Seu o quê, hum? — implicou Jacob, a voz rouca e perigosa, o hálito de chuva fria e raiva batendo em seu rosto. — Imbecil? Idiota? Sim, eu sou. Não tenho problemas em admitir. Mas a diferença é que eu não fujo do que sinto. Agora, se quiser ficar, você fica. A escolha é sua, Green.
Trish analisou a boca entreaberta dele, tão próxima à sua, o calor de seu corpo contrastando com a frieza de sua raiva. A proximidade a desnorteou, mas sua mente permaneceu clara: essa era uma tática para fugir da conversa.
— Eu vou com você. — rendeu-se por fim, mas era uma rendição tática. O beijo ainda não estava fora de questão.
Jacob a soltou, afastando-se, esperando-a fazer o mesmo, mas ela não o fez.
Se ele estava achando que era só provocá-la, prensá-la contra a parede, excitá-la e se afastar como se estivesse tudo bem, estava muito enganado.
O Black arregalou os olhos quando Trish o puxou pela gola da camisa, revertendo a ação dele. Com um movimento rápido e determinado, ela o empurrou contra a porta, assumindo a posição dominante.
— Agora é minha vez. Você não vai fugir de mim. — sussurrou ela, a voz carregada de desafio, cravando as unhas em seu abdômen, por cima da camisa molhada, para ter a certeza de que ele sentiria a pressão.
Jacob arfou, o controle se esvaindo, e ela sorriu vitoriosa, os olhos fixos nos dele, desafiando-o a ceder ao calor.
— O carro já está aí fora, Green. Estão esperando.
— E daí? Eles podem esperar. — disse, deslizando o olhar para os lábios dele.
Jacob segurou os punhos dela com firmeza e a afastou de seu corpo, forçando contato visual. Sua expressão era de conflito intenso, não de indiferença.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
