Elas se entreolharam com mistos de expressões. Nikki estava com o lábio repuxado, um misto de satisfação profética e impaciência, enquanto Allexya mantinha uma máscara de seriedade, seus olhos fixos na amiga, tentando transmitir calma em meio ao caos iminente. Se Nikki e Allexya realmente estivessem certas, ou se suas dúvidas se concretizassem, Trish não tinha sequer coragem de se manifestar sobre o turbilhão de emoções que a atingia. A náusea e o pânico giravam em seu estômago.
— Bem... — indagou Nikki, quebrando o silêncio pesado com a naturalidade de quem comenta sobre o clima. Ela inclinou a cabeça, os olhos faiscando. — É isso que acontece quando não se usa proteção, baby. Biologia básica. Não é um bicho de sete cabeças.
Allexya a olhou com tédio e uma repreensão silenciosa, balançando a cabeça.
— Cala essa boca, garota. Ela está prestes a entrar em colapso. Temos um problema maior aqui do que a sua arrogância de "eu avisei".
Nikki revirou os olhos, bebericando sua marguerita.
— Não, não. — protestou, gesticulando dramaticamente. — Esse "problema maior" ainda está do tamanho de uma ervilha. Não é um colapso, é negação.
— Nikki! Ainda não temos certeza de nada. Pare com isso! — Allexya exigiu, a voz baixa e tensa.
Nikki riu-se, levantando os braços em rendição e apontando para os quadris de Trish.
— O quê? Vocês duas querem ignorar os fatos?! Os seios maiores, a vontade incontrolável de comer muffins de Emily, as roupas justas que ela odeia, o enjoo com sangue... tudo aponta para uma... criança.
Allexya respirou fundo, puxando Nikki pelo braço para o canto.
— Não vamos surtar. Nikki, vem comigo. Se formos agora, a essa hora, talvez não encontremos ninguém que nos conheça.
— Aonde vamos exatamente? — questionou a morena, seguindo a contragosto.
— À farmácia comprar um teste. E você vai ficar quieta no carro. Sem fazer escândalo. — a loira respondeu, já abrindo a porta, determinada.
Nikki estreitou os olhos, demostrando toda sua indignação.
— Não acredito que ainda estão duvidando de que há um mini Jacob ou uma mini Trish aí dentro. Essa negação é ridícula, Allexya.
— Depressa, Nikki! — bradou Allexya, puxando-a para o lado de fora.
— Ok, ok. Mas se der positivo, quero ser a madrinha e ele vai me chamar de Tia Nikki, a insana.
As duas então partiram com o carro de Trish, o som dos pneus se afastando na noite úmida. Trish já estava apreensiva antes mesmo de saber se era verídico ou apenas um alarme falso. Ela sentou-se na beirada da cama, sentindo um tremor percorrer suas pernas.
No fundo, ela sabia que Nikki estava certa. Os fatos estavam gritando no reflexo do espelho: o corpo reagindo ao sangue no cinema, a alteração no paladar. Mas, ao mesmo tempo, se assustava, porque algo também dizia que a relação entre Jacob e ela, embora forte, era recente e tempestuosa. Uma criança mudaria tudo.
Sendo assim, ela seguiu para o quarto de hóspedes, onde Jacob dormia profundamente, exausto das rondas. Ela se encaminhou para a sacada e lá permaneceu, sentada na espreguiçadeira fria, observando as luzes de Stanford, pedindo aos céus que tudo não passasse de um equívoco.
Ela não estava pronta para ser mãe. Estava? Nunca estaria. Sua vida e quem dela tinha consciência, sabia o quão instável e explosiva ela conseguia ser. Ela temia transmitir seus próprios traumas. Ela não tinha sanidade mental para isso.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
