Jacob passeava pela imensidão, graça e conforto de Stanford. Aquela cidade universitária poderia vir a se tornar sua casa, caso Trish decidisse ficar. Seus pensamentos percorriam os caminhos largos e arborizados. O cheiro de grama recém-cortada e jasmim flutuava no ar.
Ele ainda estava receoso pela ideia de pedi-la em namoro. Era um passo enorme, e Trish não era uma pessoa fácil. Seu passado de perdas e fugas dizia muito sobre sua personalidade volátil.
Se os deuses a trouxeram, se seus ancestrais a escolheram e a puseram em seu caminho e em sua vida, existia alguma razão. Chegava a ser cômico pensar em duas vidas quebradas, a dele e a dela, unidas por um laço involuntário, mas poderoso.
Ela lhe fazia um bem tremendo. Ele não sabia como, mas o simples fato de Trish existir o impedia de cair no vazio de antes.
Onde ela estaria naquele momento? Ainda com Allexya? Em casa? Não seria fácil encontrá-la naquela selva de pedra e verde. Jacob decidiu voltar para casa e esperá-la.
Ele sabia que presente nenhum no mundo seria páreo para a felicidade genuína que ela merecia. Se ele pudesse, mudaria o passado dela, para que assim ela pudesse viver em paz. Vê-la em conflito consigo mesma, desabando sob o peso do orgulho, tem sido doloroso. Por mais que ela aparente ser forte o tempo todo, Jacob sabe que quando lhe viram as costas, ela desaba. Ninguém consegue ser forte o tempo todo.
Assim que ele entrou na casa, herdada de Bruce para Trish, ouviu a acústica estrondosa de Iron Maiden — um clássico do Heavy Metal. Seu cérebro não conseguiu raciocinar a letra complexa, embora reconhecesse quase que imediatamente aquela banda. Não era seu típico de música predileta, nem estava em seu top 10 de "metálicas gritantes", mas não recriminava quem tinha adoração.
— Ah, Jacob! — ele ouviu Trish bradar e correr a seu encontro, os olhos brilhando. Ela usava uma camiseta velha e jeans. — Que bom que chegou! Pensei que o Brandon tinha te comido vivo!
— Você parece bem agitada. O que aconteceu? — ele observou, notando a energia quase frenética.
Ela apenas sorriu e começou a dançar loucamente, balançando a cabeça no ritmo da guitarra.
— Você gosta dessa música, Jacob? É a minha favorita.
Uma fração de adversas reações faciais tomaram conta de Jacob. Ele se perdeu nas palavras, tentando ser honesto sem ofender.
— Ah... Eu... É... pesada.
— Você pode trocar se quiser. — disse ela, dando-lhe as costas e indo na direção da cozinha.
— O que você está aprontando? O som está quase estourando os tímpanos da cidade. — perguntou ele, seguindo-a.
— Não sei você, mas estou faminta! E ansiosa. — Ele não estava com fome até ela lembrá-lo. Ela estava tirando nuggets congelados de um pacote.
— Então nuggets são suas especialidades gastronômicas? Achei que teria ao menos um macarrão instantâneo. — Jacob não aguentou e a provocou.
Trish deu-lhe um soco leve e rápido no peito, mas não conteu o riso, um som melódico que ele amava.
— Você sabe fazer melhor, lobo? Então mostre. Eu só sei fazer isso. — provocou-o de volta.
Aquela risada, solta e genuína, o deixava todo bobo e era assim que ele olhava para ela naquele instante: com a intensidade e a devoção que só o imprinting permitia.
— Por quê você está me olhando assim? — intimidou-se ela, parando o que estava fazendo, o olhar dele a desnorteando.
— Assim como?
— Você está com uma cara bizarra. De peixe fora d'água. — disse entre risos, a proximidade da bancada da cozinha transmitindo uma tensão elevada.
As respirações tanto quanto ritmadas, porém entrecortantes. Trish estava corada, o que aumentava o tom de suas sardas. Jacob amava aquele tom em suas bochechas, amava vê-la envergonhada.
Ele estendeu a mão e tocou seu rosto, afastando uma mecha de cabelo ruivo que havia caído.
— Você me deixa bizarro. — sussurrou.
Ela negou com a cabeça e conteve a vontade absurda de gargalhar, sentindo o calor da mão dele em sua pele.
Imediatamente Jacob se arrependeu do que havia dito e franziu o cenho.
— Podemos fingir que eu não disse isso? Foi estúpido.
— Sim.
A campainha tocou eufórica, interrompendo o momento. O som era persistente, acompanhado de gritos. Jacob sequer se incomodou a ir ver quem era, ele soube quem era apenas por ouvir o som das risadas do lado externo.
E quando Green abriu a porta ele teve a comprovação: Allexya e a louca da Nikki.
Nikki, a amiga ausente, abriu os braços e se jogou em cima da Uley, que cambaleou para trás. O abraço foi um furacão de afeto e confissões abafadas.
Allexya revirou os olhos e caminhou até Jacob com o bolo de aniversário em mãos, com um pequeno sorriso nos lábios.
— E então, você pediu? O que aconteceu? — perguntou ela, inclinando a cabeça para não ser ouvida pelas outras.
— Ainda não criei coragem o suficiente. O Brandon me irritou. O pai dela apareceu. É muito drama. — Jacob suspirou, indignado com o tamanho da sua incompetência.
— Não fique esperando pela coragem, Jake. Ela não vai chegar. A coragem é a ausência de medo.
— Eu vou pedir, só preciso de mais tempo. — ele murmurou, olhando para Trish, que ria com as amigas.
— O tempo está passando, bonitinho. Você vai ficar aí parado, esperando outro chegar e tomar o seu lugar? Ela está solteira. E linda. — Allexya sabia como dar um soco de realidade em alguém, sem ao menos tocar-lhe.
Jacob balançou a cabeça, a determinação voltando aos olhos. Ele não iria perder Trish.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
