— Deixa que eu abro. — ela disse, ao ouvir o som da campainha pela terceira vez, a irritação crescendo na base do pescoço.
Engoliu de uma só vez o shot de tequila que estava sobre o balcão e correu, cambaleando levemente quando Nikki ameaçou bater nela por isso. Talvez as doses exageradas de margaritas estivessem fazendo efeito, pois sua visão em certo momento ficou turva, embora achasse que a razão fosse a velocidade com a qual se disparou na direção da porta, determinada a mandar o inconveniente embora.
Seu sorriso se desmanchou em confusão e sobriedade forçada ao ver quem estava diante dela, um tanto quanto... apreensivo. Bruce O'Brien, seu pai, estava ali, parado em sua soleira.
— Pai? — piscou desconcertada, levando a mão à testa. — Quero dizer... Bruce?
Seu limpar de garganta o fez cair em si de que não viria mais nada em seguida. Ele não ouviria aquela palavrinha mágica que ansiava.
— Oi, filha. — disse, quase imperceptível, a voz rouca pela emoção. — Será que podemos conversar?
Trish cruzou os braços frente ao corpo, uma barreira instintiva, encarando-o com a testa franzida.
— Por quê não me começa dizendo onde estava? Nós fomos atrás de você. — ela disparou automaticamente.
Bruce franziu o cenho e pigarreou instantaneamente, o nervosismo evidente.
— Eu fui até a casa de seu tio Sam, em Forks. Eu precisava te ver. Eu senti que algo estava errado.
— Eu fui até o seu apartamento, seu! E aquela idiota da sua mulher me tratou feito uma qualquer! — foi Trish quem franziu o cenho, sentindo-se uma idiota por ter parado de ouvi-lo. — Espera, você disse que foi a Forks? Para me ver?
Ele assentiu amigavelmente, os olhos implorando por perdão.
— Sim. Eu precisava ter certeza de que estava bem. E como não te encontrei, acabei voltando. A ironia do desencontro.
— Sam lhe disse porquê eu tinha vindo para Stanford? — O assunto da faculdade era a fachada.
Ele parecia estar concentrado buscando por algo relativo à sua pergunta, pois demorou-se em sua resposta.
— Bem... na verdade quem me disse foi um garoto. Um jovem muito educado que estava na casa do Sam. Não me recordo muito bem seu nome.
Trish de imediato soube de quem poderia se tratar. O coração de Brady era puro.
— Brady. — apontou.
— Esse mesmo. Ele é um bom garoto. E me falou dos seus sonhos na praia.
Brady não era só um bom garoto, era um amigão, um carinha incrível, que Trish adoraria tê-lo como irmão. Mas isso, certamente, Bruce não teria como saber.
— Eu também soube que você tem um namorado... — continuou ele, receoso, a voz mais baixa. — Será que eu poderia conhecê-lo?
Ela teria inúmeras razões para negar, para tocá-lo a pontapés de sua casa, entretanto, algo a fez repensar melhor. A urgência que a levou até ali havia suavizado seu rancor. Aquele homem ainda era seu pai e, como qualquer outro ser na face da terra, merecia a segunda chance. A honestidade dele sobre ir a Forks a tocou.
— Antes precisamos conversar sobre muitas coisas. A Leila, a mamãe... — respondeu-lhe.
— Claro. Estou pronto para ouvir tudo o que você tem a dizer, querida.
Ela então moveu-se para o lado, deixando seu acesso ao interior de sua casa, liberado. Era estranho para ele, tanto quanto estava sendo para ela. Como se fosse a primeira vez em que estivesse pisando naquele lugar.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
